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	<title>O poeta é o vigia do tempo</title>
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	<pubDate>Sun, 18 Jan 2009 10:37:52 +0000</pubDate>
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		<title>RESPONSABILIDADE SOCIAL E ENGAJAMENTO</title>
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		<pubDate>Sun, 18 Jan 2009 10:37:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>smattos</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[<p class="MsoTitle" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><strong><font size="5">RESPONSABILIDADE SOCIAL E ENGAJAMENTO</font></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify">&#160;<?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /?>
</p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify">SÉRGIO MATTOS (*)</p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify">&#160;</p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify">Apesar de figurar em quarto lugar como o país mais desigual no ranking mundial, o Brasil também está entre os países mais responsáveis e éticos do mundo. Ao mesmo tempo em que é considerado como um dos menos avançados no que diz respeito à concentração de renda, pois aqui os ricos são 33% mais ricos do que os pobres, o Instituto Social de Estudos Religiosos (Iser) apresenta dados instigantes: 23% dos adultos brasileiros (19,7 milhões de pessoas) doam parte do seu tempo para ajudar os outros. Isto significa que, apesar das desigualdades ainda existentes e gritantes, o brasileiro está cada vez mais consciente de seu papel como agente transformador da realidade e começa a se engajar no trabalho que visa a construção de um mundo mais próspero, justo e ambientalmente sustentável.</p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify">A responsabilidade social, entretanto, não pode ser parcial, ela exige a participação e o engajamento de todos e de forma integral. Como se costuma afirmar, “voluntariado é engajamento cívico”, mas para que este exercício da cidadania seja praticado conscientemente, devemos ter em mente que a responsabilidade social é, antes de tudo, uma responsabilidade do indivíduo e não das empresas e do Estado. Ter responsabilidade social não é uma escolha, é um dever de todo cidadão. É dever do cidadão cumprir o seu papel de tornar menos desigual a sociedade na qual está inserido. Este engajamento, individual ou coletivo, (por meio de uma empresa, da qual ele seja o dirigente máximo ou um simples funcionário), deve ser direcionado para a promoção do desenvolvimento sustentável.</p>
<p class="MsoBodyTextIndent" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align="justify"><span style="mso-spacerun: yes">&#160;</span>É preciso que os empresários e cidadãos conscientes saibam distinguir e nunca confundir responsabilidade social com filantropia.<span style="mso-spacerun: yes">&#160;</span> A filantropia ou benemerência tem caráter assistencial e é uma ação que não incorpora mudanças multiplicadoras e auto-sustentáveis. A responsabilidade social está diretamente relacionada com a tomada de decisões que valorizem principalmente a ética, o cidadão, as comunidades e o meio ambiente. Ter responsabilidade social é assumir compromisso com o bem-estar das comunidades onde atuamos, contribuindo diretamente para diminuir as desigualdades, visando o resgate da cidadania e preservação do meio ambiente. A responsabilidade social envolve ainda solidariedade, respeito à dignidade humana e do bem comum, a produção de bens e serviços de qualidade, além do compromisso permanente com a transparência e a ética.</p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify">Desenvolvimento sustentável é promover a melhoria dos indicadores sociais e condições de vida, satisfazendo as necessidades do presente, sem comprometer o meio ambiente e o futuro do próprio ser humano. Para que isto aconteça é necessário nos engajarmos na luta por políticas públicas de inclusão social, inclusão cultural e digital, além de procurarmos garantir educação e saúde de qualidade, serviços de assistência social como direito do cidadão e não como um favor da empresa ou do Estado. Precisamos também nos engajar no combate sustentável à pobreza. Em síntese, devemos fazer um exame de consciência buscando identificar o que estamos fazendo e o que precisamos ainda fazer para assumir o nosso papel de cidadão na prática social responsável, atuando como agentes multiplicadores de ações voltadas para o desenvolvimento humano e a inclusão social.</p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify">______________</p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><strong>( *) - <em>Sérgio Mattos é Doutor em Comunicação, professor, jornalista e membro do Comitê Consultivo da Rede Ethos de Jornalistas). Texto publicado na Tribuna da Bahia, dia 21 de dezembro de 2007, pagina 06.</em></strong></p>

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			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p class="MsoTitle" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><strong><font size="5">RESPONSABILIDADE SOCIAL E ENGAJAMENTO</font></strong></p>
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<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify">SÉRGIO MATTOS (*)</p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify">&#160;</p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify">Apesar de figurar em quarto lugar como o país mais desigual no ranking mundial, o Brasil também está entre os países mais responsáveis e éticos do mundo. Ao mesmo tempo em que é considerado como um dos menos avançados no que diz respeito à concentração de renda, pois aqui os ricos são 33% mais ricos do que os pobres, o Instituto Social de Estudos Religiosos (Iser) apresenta dados instigantes: 23% dos adultos brasileiros (19,7 milhões de pessoas) doam parte do seu tempo para ajudar os outros. Isto significa que, apesar das desigualdades ainda existentes e gritantes, o brasileiro está cada vez mais consciente de seu papel como agente transformador da realidade e começa a se engajar no trabalho que visa a construção de um mundo mais próspero, justo e ambientalmente sustentável.</p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify">A responsabilidade social, entretanto, não pode ser parcial, ela exige a participação e o engajamento de todos e de forma integral. Como se costuma afirmar, “voluntariado é engajamento cívico”, mas para que este exercício da cidadania seja praticado conscientemente, devemos ter em mente que a responsabilidade social é, antes de tudo, uma responsabilidade do indivíduo e não das empresas e do Estado. Ter responsabilidade social não é uma escolha, é um dever de todo cidadão. É dever do cidadão cumprir o seu papel de tornar menos desigual a sociedade na qual está inserido. Este engajamento, individual ou coletivo, (por meio de uma empresa, da qual ele seja o dirigente máximo ou um simples funcionário), deve ser direcionado para a promoção do desenvolvimento sustentável.</p>
<p class="MsoBodyTextIndent" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align="justify"><span style="mso-spacerun: yes">&#160;</span>É preciso que os empresários e cidadãos conscientes saibam distinguir e nunca confundir responsabilidade social com filantropia.<span style="mso-spacerun: yes">&#160;</span> A filantropia ou benemerência tem caráter assistencial e é uma ação que não incorpora mudanças multiplicadoras e auto-sustentáveis. A responsabilidade social está diretamente relacionada com a tomada de decisões que valorizem principalmente a ética, o cidadão, as comunidades e o meio ambiente. Ter responsabilidade social é assumir compromisso com o bem-estar das comunidades onde atuamos, contribuindo diretamente para diminuir as desigualdades, visando o resgate da cidadania e preservação do meio ambiente. A responsabilidade social envolve ainda solidariedade, respeito à dignidade humana e do bem comum, a produção de bens e serviços de qualidade, além do compromisso permanente com a transparência e a ética.</p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify">Desenvolvimento sustentável é promover a melhoria dos indicadores sociais e condições de vida, satisfazendo as necessidades do presente, sem comprometer o meio ambiente e o futuro do próprio ser humano. Para que isto aconteça é necessário nos engajarmos na luta por políticas públicas de inclusão social, inclusão cultural e digital, além de procurarmos garantir educação e saúde de qualidade, serviços de assistência social como direito do cidadão e não como um favor da empresa ou do Estado. Precisamos também nos engajar no combate sustentável à pobreza. Em síntese, devemos fazer um exame de consciência buscando identificar o que estamos fazendo e o que precisamos ainda fazer para assumir o nosso papel de cidadão na prática social responsável, atuando como agentes multiplicadores de ações voltadas para o desenvolvimento humano e a inclusão social.</p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify">______________</p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><strong>( *) - <em>Sérgio Mattos é Doutor em Comunicação, professor, jornalista e membro do Comitê Consultivo da Rede Ethos de Jornalistas). Texto publicado na Tribuna da Bahia, dia 21 de dezembro de 2007, pagina 06.</em></strong></p>
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		<title>FIO CONDUTOR (Resenha)</title>
		<link>http://smattos.blog.com/2006/11/09/fio-condutor-resenha/</link>
		<comments>http://smattos.blog.com/2006/11/09/fio-condutor-resenha/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 09 Nov 2006 20:56:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>smattos</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[<b style="mso-bidi-font-weight: normal"><font style="FONT-SIZE: 16pt; LINE-HEIGHT: 150%"><font face="Times New Roman">FIO CONDUTOR<?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /?>
</font></font></b>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: right" align="right"><font face="Times New Roman" size="3">Comentário de GERMANO MACHADO*</font></p>
<font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><font style="mso-tab-count: 1">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> A poesia de Sérgio Mattos vem da juventude, possivelmente da infância, porque, moço, com outros, fez <b style="mso-bidi-font-weight: normal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Experimental</i></b>, nos anos 60, no Palácio da Sé, quando eu também, dirigindo o jornal diocesano A Semana, os apoei. Foi A Semana, conjugando juventude com adultez, imberbes com já amadurecidos e velhos, dentro da rígida padronização hierárquica religiosa, um ambiente para Sérgio Mattos e seus companheiros de <i style="mso-bidi-font-style: normal">Experimental</i>, <i style="mso-bidi-font-style: normal">Poesia Experimental</i>. De então para hoje, Sérgio tem tido uma vida aventurosa, nem sempre venturosa, crescendo do Brasil, da Bahia, vindo do Ceará, para os Estados Unidos, em ascensão para o jornalismo e a comunicação, agora também com a educação. De A Semana para a Tribuna da Bahia, para o IRDEB, para a América, para uma atuação polimorfa inegável <?xml:namespace prefix = st1 ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags" /?>
em A Tarde, doutorado em comunicação em o mundo estadunidense e jogando-se em publicações poéticas e comunicadoras. Sempre na evolvibilidade, mesmo no presente momento em que, para não ser um dependente de nada e de ninguém, como que está refazendo e re-ampliando a existência e a vivência. Que fique assim – sempre experimental na evolução (evolver) para não se esgotar, nem mediocrizar. É o que lhe deseja um velho de oitenta anos, seu amigo e admirador, também um aventuroso e nem sempre (ai de nós!) venturoso. Sérgio Mattos já tem nome nacional e vínculos internacionais, <b style="mso-bidi-font-weight: normal">milita</b> (é o termo realista) em uma revista como a <b style="mso-bidi-font-weight: normal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Néon</i></b> e coordena os cursos de Jornalismo e Relações Públicas das Faculdades Integradas Ipitangas (UNIBAHIA). É doutor (PhD) em Comunicação nos EUA e pertence (eu igualmente) à Academia de Letras e Artes do Salvador – ALAS -, da qual foi o primeiro Presidente. Não é muito ruista, mas também não irá de ser muito alencarino (cearense que é de nascimento).</font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><font style="mso-tab-count: 1">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> A introdução é longa, mas necessária, ao seu novo e último (em publicação, não em evolução) <b style="mso-bidi-font-weight: normal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">FIO CONDUTOR</i></b>. O poema <i style="mso-bidi-font-style: normal">Fio Condutor</i> (p.31), embora de 2001 e lhe tenha sugerido (com razão literária técnica) o título do livro, é <b style="mso-bidi-font-weight: normal">completo</b> e despido de facilidades totalmente, e merece, por isso, transcrição:</font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><font style="mso-tab-count: 3">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> “Entre versos o sussurro dos fatos</font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><font style="mso-tab-count: 3">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> São fendas de lucidez.</font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><font style="mso-tab-count: 3">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> O poema absoluto pode ser inalcançável,</font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><font style="mso-tab-count: 3">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> Mas todo poeta almeja transmitir</font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><font style="mso-tab-count: 3">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> Da vida a textura, não a experiência do sofredor.</font></font></p>
<font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><font style="mso-tab-count: 3">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> Na cacofonia intelectual quero ser o fio condutor</font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><font style="mso-tab-count: 3">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> Da poesia, transmitindo a textura da vida”</font></font></p>
<font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><font style="mso-tab-count: 1">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> Eis um “poema absoluto”, que supera o de rima, mesmo tecnicamente observado. E há um poema <b style="mso-bidi-font-weight: normal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Solidão Literária</i></b> (de 2004) p. 34, que Sérgio há de absorver constantemente, sempre a lhe estar na ponta do lápis e do cérebro e que, por força de necessidade, transcrevo também:</font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><font style="mso-tab-count: 3">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> “Não sigo escolas,</font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><font style="mso-tab-count: 3">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> Nem integro grupos.</font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><font style="mso-tab-count: 3">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> Abro novos caminhos</font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><font style="mso-tab-count: 3">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> E procuro comunicar,</font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><font style="mso-tab-count: 3">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> Dar meus recados,</font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><font style="mso-tab-count: 3">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> Simples e puro.</font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><font style="mso-tab-count: 3">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> Escrever é vital:</font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><font style="mso-tab-count: 5">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> - Meus sentimentos indicam</font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><font style="mso-tab-count: 5">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> O que é fundamental”.</font></font></p>
<font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><font style="mso-tab-count: 1">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> Eis o que você, Sérgio, há de de inculcar-se – sempre. <b style="mso-bidi-font-weight: normal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">O Mago</i></b>, de 1998 (p.35) é exemplo disso, também.</font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><font style="mso-tab-count: 1">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> Bem <b style="mso-bidi-font-weight: normal">racional</b> e <b style="mso-bidi-font-weight: normal">lógico</b>, mas que não é <b style="mso-bidi-font-weight: normal">intuitivo</b>, <b style="mso-bidi-font-weight: normal">sentido</b> e <b style="mso-bidi-font-weight: normal">cordial</b> é o poema de 2002 – <b style="mso-bidi-font-weight: normal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Onze de Setembro</i></b> (p.47), falta-lhe ideologização, o que é importante não ter, mas sem tocar no espinho ferindo a carne do espírito...</font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><font style="mso-tab-count: 1">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> Você sabe, meu querido Sérgio Mattos, que você lembra, em vários poemas, Mário Quintana, fazendo centenário este ano? Pois é e vale! Não é coincidência. Alguns, poucos, é verdade, <b style="mso-bidi-font-weight: normal">não gostei</b>, o leitor tem o direito de opinião! Em <b style="mso-bidi-font-weight: normal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Artista</i></b> (p. 49). Não transcrevo, por exemplo. <b style="mso-bidi-font-weight: normal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Inocência</i></b>, de 1999, p. 53, é tão adequado que me lembra (olhe, o que digo), um trabalho de Elisabeth Bishop (traduza para o inglês). Não o copio a fim de não cansar. Pense no que afirmo.</font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><font style="mso-tab-count: 1">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> <b style="mso-bidi-font-weight: normal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Missa Dominical</i></b>, de 2001, p.56, para mim é completo. <b style="mso-bidi-font-weight: normal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Bom Senso</i></b> (p.57), ainda. Você não cai nunca no pieguismo e os louvores, aqui e ali, a Salvador, por exemplo, não se exageram...</font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><font style="mso-tab-count: 1">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> Enfim, como ledor, é que traço estas linhas e verifico que <b style="mso-bidi-font-weight: normal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">FIO CONDUTOR</i></b> contém poemas de vários anos, o que demonstra que o autor quis mostrar o passo, em vários modos, da condução do seu poema. Sérgio Mattos vale porque é poeta e porque luta, enfrenta as tempestades, varonilmente. E basta.</font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><font style="mso-tab-count: 1">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> Faço questão que ele se mantenha assim: lutador, porque poeta e poeta, porque lutador. Tão platônico quanto aristotélico, mas platonicamente colocando acima do realismo, o ideal, e tão realista que é idealista...</font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><font style="mso-tab-count: 1">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> Jogo de palavras? Não. É que o seu fio condutor será sempre uma condição de luta por ideais. É um <b style="mso-bidi-font-weight: normal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">ENCANTAMENTO</i></b>, p. 43:</font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><font style="mso-tab-count: 2">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> “A poesia é nata</font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><font style="mso-tab-count: 2">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> Inspira, transpira</font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><font style="mso-tab-count: 2">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> E surge do nada”...</font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"><font face="Times New Roman" size="3">*GERMANO MACHADO, professor aposentado da UFBA e UCSal. Fundador do CEPA. Autor de <i style="mso-bidi-font-style: normal">A Longo Prazo, Sintetismo, Folosofia da Síntese, Tempo Decorrido</i> (3ª edição), <i style="mso-bidi-font-style: normal">Da Física da Matéria à Metafísica do Espírito</i>; jornalista, ensaísta, das Academias <b style="mso-bidi-font-weight: normal">Baiana de Educação, Mater Salvatoris, Alas</b>. Funcionário aposentado da Assembléia Legislativa da Bahia.</font></p>

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div><b style="mso-bidi-font-weight: normal"><font style="FONT-SIZE: 16pt; LINE-HEIGHT: 150%"><font face="Times New Roman">FIO CONDUTOR<?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /?><br />
</font></font></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: right" align="right"><font face="Times New Roman" size="3">Comentário de GERMANO MACHADO*</font></p>
<p><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><font style="mso-tab-count: 1">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> A poesia de Sérgio Mattos vem da juventude, possivelmente da infância, porque, moço, com outros, fez <b style="mso-bidi-font-weight: normal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Experimental</i></b>, nos anos 60, no Palácio da Sé, quando eu também, dirigindo o jornal diocesano A Semana, os apoei. Foi A Semana, conjugando juventude com adultez, imberbes com já amadurecidos e velhos, dentro da rígida padronização hierárquica religiosa, um ambiente para Sérgio Mattos e seus companheiros de <i style="mso-bidi-font-style: normal">Experimental</i>, <i style="mso-bidi-font-style: normal">Poesia Experimental</i>. De então para hoje, Sérgio tem tido uma vida aventurosa, nem sempre venturosa, crescendo do Brasil, da Bahia, vindo do Ceará, para os Estados Unidos, em ascensão para o jornalismo e a comunicação, agora também com a educação. De A Semana para a Tribuna da Bahia, para o IRDEB, para a América, para uma atuação polimorfa inegável <?xml:namespace prefix = st1 ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags" /?><br />
em A Tarde, doutorado em comunicação em o mundo estadunidense e jogando-se em publicações poéticas e comunicadoras. Sempre na evolvibilidade, mesmo no presente momento em que, para não ser um dependente de nada e de ninguém, como que está refazendo e re-ampliando a existência e a vivência. Que fique assim – sempre experimental na evolução (evolver) para não se esgotar, nem mediocrizar. É o que lhe deseja um velho de oitenta anos, seu amigo e admirador, também um aventuroso e nem sempre (ai de nós!) venturoso. Sérgio Mattos já tem nome nacional e vínculos internacionais, <b style="mso-bidi-font-weight: normal">milita</b> (é o termo realista) em uma revista como a <b style="mso-bidi-font-weight: normal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Néon</i></b> e coordena os cursos de Jornalismo e Relações Públicas das Faculdades Integradas Ipitangas (UNIBAHIA). É doutor (PhD) em Comunicação nos EUA e pertence (eu igualmente) à Academia de Letras e Artes do Salvador – ALAS -, da qual foi o primeiro Presidente. Não é muito ruista, mas também não irá de ser muito alencarino (cearense que é de nascimento).</font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><font style="mso-tab-count: 1">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> A introdução é longa, mas necessária, ao seu novo e último (em publicação, não em evolução) <b style="mso-bidi-font-weight: normal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">FIO CONDUTOR</i></b>. O poema <i style="mso-bidi-font-style: normal">Fio Condutor</i> (p.31), embora de 2001 e lhe tenha sugerido (com razão literária técnica) o título do livro, é <b style="mso-bidi-font-weight: normal">completo</b> e despido de facilidades totalmente, e merece, por isso, transcrição:</font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><font style="mso-tab-count: 3">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> “Entre versos o sussurro dos fatos</font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><font style="mso-tab-count: 3">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> São fendas de lucidez.</font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><font style="mso-tab-count: 3">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> O poema absoluto pode ser inalcançável,</font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><font style="mso-tab-count: 3">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> Mas todo poeta almeja transmitir</font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><font style="mso-tab-count: 3">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> Da vida a textura, não a experiência do sofredor.</font></font></p>
<p><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><font style="mso-tab-count: 3">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> Na cacofonia intelectual quero ser o fio condutor</font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><font style="mso-tab-count: 3">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> Da poesia, transmitindo a textura da vida”</font></font></p>
<p><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><font style="mso-tab-count: 1">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> Eis um “poema absoluto”, que supera o de rima, mesmo tecnicamente observado. E há um poema <b style="mso-bidi-font-weight: normal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Solidão Literária</i></b> (de 2004) p. 34, que Sérgio há de absorver constantemente, sempre a lhe estar na ponta do lápis e do cérebro e que, por força de necessidade, transcrevo também:</font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><font style="mso-tab-count: 3">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> “Não sigo escolas,</font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><font style="mso-tab-count: 3">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> Nem integro grupos.</font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><font style="mso-tab-count: 3">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> Abro novos caminhos</font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><font style="mso-tab-count: 3">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> E procuro comunicar,</font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><font style="mso-tab-count: 3">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> Dar meus recados,</font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><font style="mso-tab-count: 3">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> Simples e puro.</font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><font style="mso-tab-count: 3">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> Escrever é vital:</font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><font style="mso-tab-count: 5">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> - Meus sentimentos indicam</font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><font style="mso-tab-count: 5">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> O que é fundamental”.</font></font></p>
<p><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><font style="mso-tab-count: 1">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> Eis o que você, Sérgio, há de de inculcar-se – sempre. <b style="mso-bidi-font-weight: normal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">O Mago</i></b>, de 1998 (p.35) é exemplo disso, também.</font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><font style="mso-tab-count: 1">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> Bem <b style="mso-bidi-font-weight: normal">racional</b> e <b style="mso-bidi-font-weight: normal">lógico</b>, mas que não é <b style="mso-bidi-font-weight: normal">intuitivo</b>, <b style="mso-bidi-font-weight: normal">sentido</b> e <b style="mso-bidi-font-weight: normal">cordial</b> é o poema de 2002 – <b style="mso-bidi-font-weight: normal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Onze de Setembro</i></b> (p.47), falta-lhe ideologização, o que é importante não ter, mas sem tocar no espinho ferindo a carne do espírito&#8230;</font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><font style="mso-tab-count: 1">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> Você sabe, meu querido Sérgio Mattos, que você lembra, em vários poemas, Mário Quintana, fazendo centenário este ano? Pois é e vale! Não é coincidência. Alguns, poucos, é verdade, <b style="mso-bidi-font-weight: normal">não gostei</b>, o leitor tem o direito de opinião! Em <b style="mso-bidi-font-weight: normal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Artista</i></b> (p. 49). Não transcrevo, por exemplo. <b style="mso-bidi-font-weight: normal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Inocência</i></b>, de 1999, p. 53, é tão adequado que me lembra (olhe, o que digo), um trabalho de Elisabeth Bishop (traduza para o inglês). Não o copio a fim de não cansar. Pense no que afirmo.</font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><font style="mso-tab-count: 1">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> <b style="mso-bidi-font-weight: normal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Missa Dominical</i></b>, de 2001, p.56, para mim é completo. <b style="mso-bidi-font-weight: normal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Bom Senso</i></b> (p.57), ainda. Você não cai nunca no pieguismo e os louvores, aqui e ali, a Salvador, por exemplo, não se exageram&#8230;</font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><font style="mso-tab-count: 1">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> Enfim, como ledor, é que traço estas linhas e verifico que <b style="mso-bidi-font-weight: normal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">FIO CONDUTOR</i></b> contém poemas de vários anos, o que demonstra que o autor quis mostrar o passo, em vários modos, da condução do seu poema. Sérgio Mattos vale porque é poeta e porque luta, enfrenta as tempestades, varonilmente. E basta.</font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><font style="mso-tab-count: 1">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> Faço questão que ele se mantenha assim: lutador, porque poeta e poeta, porque lutador. Tão platônico quanto aristotélico, mas platonicamente colocando acima do realismo, o ideal, e tão realista que é idealista&#8230;</font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><font style="mso-tab-count: 1">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> Jogo de palavras? Não. É que o seu fio condutor será sempre uma condição de luta por ideais. É um <b style="mso-bidi-font-weight: normal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">ENCANTAMENTO</i></b>, p. 43:</font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><font style="mso-tab-count: 2">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> “A poesia é nata</font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><font style="mso-tab-count: 2">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> Inspira, transpira</font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><font style="mso-tab-count: 2">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> E surge do nada”&#8230;</font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"><font face="Times New Roman" size="3">*GERMANO MACHADO, professor aposentado da UFBA e UCSal. Fundador do CEPA. Autor de <i style="mso-bidi-font-style: normal">A Longo Prazo, Sintetismo, Folosofia da Síntese, Tempo Decorrido</i> (3ª edição), <i style="mso-bidi-font-style: normal">Da Física da Matéria à Metafísica do Espírito</i>; jornalista, ensaísta, das Academias <b style="mso-bidi-font-weight: normal">Baiana de Educação, Mater Salvatoris, Alas</b>. Funcionário aposentado da Assembléia Legislativa da Bahia.</font></p>
</div>
<div></div>
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		<title>O POETA DA BAIXINHA</title>
		<link>http://smattos.blog.com/2006/08/09/o-poeta-da-baixinha/</link>
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		<pubDate>Tue, 08 Aug 2006 21:02:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>smattos</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[<b style="mso-bidi-font-weight: normal"><font style="FONT-SIZE: 18pt"><?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /?>
<font face="Times New Roman">&#160;</font></font></b><b style="mso-bidi-font-weight: normal"><u><font style="FONT-SIZE: 18pt"><font face="Times New Roman">NONATO MARQUES, O POETA DA BAIXINHA</font></font></u></b><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font size="3"><font face="Times New Roman">(</font><b style="mso-bidi-font-weight: normal"><font face="Times New Roman">Palavras pronunciadas pelo Acadêmico Sérgio Mattos em homenagem a Antonio Nonato Marques, na Sessão Saudade promovida pela ALAS – Academia de Letras e Artes do Salvador, no dia 12 de junho de 2006.)</font></b></font><font size="3"><font face="Times New Roman">&#160;</font><font face="Times New Roman">&#160;&#160;</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Meus confrades, minhas confreiras,</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">meus senhores, minhas senhoras,</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">parentes do homenageado:</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Como epigrafe do resumo de seu curriculum vitae, intitulado por ele mesmo como “Síntese de uma vida”, Nonato Marques escolheu uma citação de Leon Dénis que se aplica e muito bem para a homenagem que lhe prestamos na noite de hoje. Senão vejamos:</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt" face="Times New Roman">&#160;</font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman"><font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font>“Cada um constrói, dia por dia, hora por hora, muitas vezes sem mesmo o saber, seu próprio futuro. A sorte que nos cabe na vida atual foi preparada pelas nossas ações anteriores, da mesma forma edificamos no presente as condições da existência”.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt" face="Times New Roman">&#160;&#160;</font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">É isso mesmo Nonato Marques, você soube, ao longo de 96 anos bem vividos, construir a poesia que foi a sua vida, no dia-a-dia, tecendo, laboriosamente os caminhos e as edificações de sua existência. Ao escolher a poesia como arte para transmitir seus sentimentos e observações, você metrificou suavemente o seu viver diário, com o ritmo e a sonoridade das palavras trabalhadas como se jóias fossem, marcando o seu compasso, suas ações e determinando o futuro que você ainda terá na história da vida literária baiana.</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Ao optar pela carreira agronômica, você fez a escolha pelo meio ambiente, pela natureza, pela preservação da vida, pela ecologia. Não deixou aqui também de ser poeta. Isto porque ao fazer a opção profissional de trabalhar com os quatro elementos – terra, ar, água e fogo – você se aproximou mais ainda do sentido da própria vida, da necessidade do registro, do resgate e da preservação da natureza e do próprio homem.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Ao exercer cargos públicos, inclusive eletivos, você demonstrou sua capacidade de contribuir pela edificação de um mundo melhor, pelo menos aquele sonhado pelo poeta que você foi e continuará sendo, buscando encontrar as alternativas necessárias para a melhoria do nosso povo, sertanejo e sofrido.&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt" face="Times New Roman">&#160;&#160;&#160;</font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Como homem deixou sua marca, registrando sua passagem, sua existência nesta terra: Pensou e escreveu inúmeros livros e trabalhos, repercutindo sua experiência de vida e transmitindo conhecimentos para as novas gerações. Viveu seu tempo, quase um século, e nele deixou sua marca. Plantou não uma, mas inúmeras árvores. Deixou uma extensa prole e inúmeros amigos que saberão reproduzir sua obra que haverá de permanecer porque tem um cunho universal.</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">É isso Nonato Marques, você foi um homem e um amigo leal, mas também um Grande Poeta. Você já não é mais do Grupo da Baixinha, pois a partir de agora passou a integrar o Grupo dos Poetas Encantados, como Castro Alves, Drumonnd, Bandeira e muitos outros.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Ao poeta Antonio Nonato Marques, ocupante da cadeira nº 40, dessa ALAS que tem como patrono Guilard Muniz, que foi o grande jardineiro de Salvador, é dedicada esta sessão especial, que com muita propriedade é intitulada Sessão Saudade.</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;&#160; Coube-me a missão de falar sobre o poeta, meu amigo por mais de 35 anos e por quem desenvolvi profunda admiração.</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Conheci Nonato Marques pessoalmente quando, no início da década de 70, editando o suplemento “Jornal de Utilidades”, um dos projetos editoriais que desenvolvi para o Jornal A TARDE, ele comparecia semanalmente para levar sua contribuição para o caderno: o conteúdo de nossa página agrícola. Com uma voz grave e empostada, com os olhos pequenos e faiscantes de inteligência, Nonato me passava os artigos e as notícias com as quais eu deveria editar a página agrícola. Ele sempre manifestava sua opinião e recomendava o que era mais importante a ser destacado na página, com a autoridade de quem havia sido o homem responsável pelo desenvolvimento da agricultura do estado da Bahia.</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Foi a partir destes encontros semanais que surgiu nossa amizade. Mais tarde, a partir de 1985, quando à frente de outros projetos editoriais de A Tarde, os suplementos A Tarde Municípios e<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> A Tarde Rural, dos quais também fui idealizador e editor, Nonato se aproximou mais ainda. Aí já não colaborava apenas no suplemento rural, mas também com seus artigos e crônicas que publicávamos <?xml:namespace prefix = st1 ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags" /?>
em A Tarde Municípios, sempre abordando temas de interesse regionais, fossem eles sobre economia agrícola, ou<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> de resgate da cultura da região sisaleira. Não faltavam, naturalmente, seus poemas e artigos sobre Santo Antônio de Queimadas e muitas outras histórias.</font></font> <font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Ele não se satisfazia apenas com o fato de entregar pessoalmente o artigo em minhas nas mãos. Ele queria ter a certeza de que o editor-amigo iria lê-lo antes de publicá-lo e, para não deixar dúvidas sobre isto, levava-me a um canto da sala da redação, onde com sua voz empolgada, lia o texto em voz alta, dando a ênfase necessária às palavras ou trechos que achava serem os mais importantes. Isso sem contar com os poemas de época. Ele não deixava passar uma data importante (Dia das Mães, Dia dos Pais, da Criança, Natal, Quaresma etc) sem levar um poema com a temática do dia, sempre tentando garantir sua publicação, não importava onde, em que caderno, o importante é que fosse publicado. Se não conseguia espaço no caderno Cultural ou no Caderno 2 de A Tarde, me procurava e quando possível eu publicava suas colaborações tanto em Municípios como em Rural.</font></font> <font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Só no período em que fui editor de A Tarde Municípios e de A Tarde Rural, convivi com a visita semanal de Nonato por mais de 18 anos, entre 1985 a 2003. Esta convivência foi ampliada a partir do ano de 1999, quando começamos, no salão de festas do prédio do acadêmico Rozendo Ferreira, as reuniões semanais que deliberaram a constituição desta ALAS –Academia de Letras e Artes do Salvador, instalada oficialmente em dezembro daquele mesmo ano e da qual tive a honra de ter sido o primeiro presidente. Nonato Marques esteve presente desde os primeiros momentos da constituição desta ALAS, só faltando às reuniões por motivo de força maior.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Nonato Marques era assim, de uma simplicidade sem par e ao mesmo tempo um homem persistente, seguro do que queria e brilhante no que fazia. Era também um excelente orador e crítico literário além de sentir muito orgulho sobre o que escrevia, valorizando ainda mais a publicação dos seus textos.</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;&#160;&#160; Como orador destacou-se na Câmara Federal ao lado de parlamentares e grandes oradores como o velho Mangabeira, Artur Bernardes, Afonso Arinos, Aliomar Baleeiro, Nestor Duarte e Carlos Lacerda, entre outros tão famosos quanto estes.</font></font> <font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Nonato Marques nos contou, com uma dose de ironia e muito humor, em palestra aqui realizada, sob o título de “Pinga Fogo”, apelido dado às sessões do pequeno-expediente da Câmara dos Deputados devido à irreverência parlamentar, como se deu sua estréia na tribuna da Câmara Federal:</font></font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;&#160;&#160;</font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">“Naquele recinto heráldico e cintilante, eu – pobre provinciano egresso das caatingas, sentia-me mais insignificante do que uma ameba. A minha constante e invencível timidez matuta se apoderou de mim com todo o peso de sua contenção insuportável. Mas, era preciso falar, dizer alguma coisa, desembuchar, enfim. A muito custo arranjei uma vaga para falar no grande–expediente. Logo no grande-expediente, onde o orador fica no alto, por conseguinte mais exposto aos aplausos ou aos massacres. Antes, para amansar os nervos rebeldes, eu havia preparado o discurso no melhor estilo de que fui capaz, com todas as vírgulas e acentos no lugar, caprichando no português à moda de Coimbra, mas uma surpresa desagradável me espreitava: na hora aprazada subi à tribuna como quem vai para um patíbulo. Do plenário, os olhares que para mim se dirigiam eram como se fossem farpas a me estraçalharem o coração. Proferi as saudações protocolares: Senhor Presidente, senhores deputados. Puxei do bolso o calhamaço. Procurei os óculos. Onde estavam os óculos? Apalpei os bolsos, nada. Na afobação, havia esquecido em casa os meus protetores visuais. Descer da tribuna seria um fiasco. De repente, não mais que de repente, uma reação raivosa se apoderou de mim e devolvendo ao bolso o papelório, fui forçado a falar sem as muletas escritas que eu havia cuidadosamente preparado. Quando terminei e desci da tribuna estava alagado de suor. Havia saído da maior batalha íntima que travei em toda a minha vida. Isto me fez lembrar Camões, quando o genial caolho adverte: ‘que o outeiro é mais fácil de descer do que de subir’. E a tribuna também.”</font></font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font face="Times New Roman"><font size="3">&#160;&#160; &#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Ainda na Câmara Federal Nonato Marques praticou o que ele mais gostava de fazer: versos, sonetos satíricos ou epigramáticos, mas sem o propósito pejorativo. Durante as longas sessões de discursos na Câmara, para passar ou matar o tempo ele escrevia sonetos e se escondia por trás de um pseudônimo: Marquês das Laranjeiras. Marquês, segundo ele, derivado de Marques, seu nome de família, e Laranjeiras, proveniente do bairro em que residia no Rio de Janeiro. Dentre os muitos sonetos satíricos de Nonato Marques ou Marquês das Laranjeiras destaco dois, escritos em 1956 durante o desenrolar de sessões agitadas:</font></font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Está aberta a sessão. O presidente<br />
toca a sineta. Há número na casa.<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">O secretário lê todo o expediente<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">e a águia do verbo sobre nós abre a asa.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Depois há sururu...o verbo abrasa.<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Há sempre, cada dia, um bom valente<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">que desafia, esbraveja e arrasa<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">a paciência e o humor de toda gente.</font></font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Ninguém briga, afinal. É só arrelia.<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Há uma turma do deixa-disso atenta,<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">que acaba de mansinho a valentia.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Depois se vota. Tudo entra nos trilhos.<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Vai se votando no levanta e senta<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">No vai e vem solene dos fundilhos.</font></font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;&#160;&#160;</font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Um outro soneto satírico do Marquês das Laranjeiras foi inspirado numa intervenção do então deputado Adauto Lúcio Cardoso ao dar um voto favorável a um projeto, recomendando que fosse melhorada sua redação final:</font></font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Diz o Adauto: “Eu espero que o Senado<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">melhore a redação deste projeto.”<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Ele quer português do bom, correto,<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">flor do jardim do Lácio decantado.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Tudo isso para mim parece errado:<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">O que importa, de fato, no projeto,<br /></font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">direto ou não, é apenas o objeto,<br />
é</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">o tal sujeito oculto ou disfarçado.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Que importa na política a gramática,<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">A prosódia, a sintaxe, a sistemática,<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">todos esses troços complicados?</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Que importa, amigo, deixa esses defeitos.<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Valem mais em política os sujeitos<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">E valem muito pouco os predicados.</font></font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;&#160;&#160;</font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Este era o Nonato Marques, inteligente, bem humorado e que nunca deixou de dar oportunidades tanto a jovens como a poetas já estabelecidos como também escrevia sobre os mesmos. Escreveu inúmeros prefácios, orelhas e artigos enaltecendo obras. Eu mesmo tive a felicidade de ser resenhado por ele, que com estilo elegante escreveu sobre dois de meus livros de poemas,<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> “Asas Para Amar” e “Estandarte”.<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> Certa feita, como fui fazer o lançamento destas obras em Queimadas, sua terra natal, ele fez questão de ir para lá para me receber, me<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> saudar<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> e me apresentar aos seus conterrâneos.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Nonato foi um homem marcante e teve uma vida pública marcante. Que o diga sua esposa, dona Maria Angélica Marques, seus filhos, netos e bisnetos. Que o diga seus amigos, pois inimigos não os teve.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">O escritor, político, engenheiro agrônomo e Poeta, com letra maiúscula, Antonio Nonato Marques, autor de “A Poesia era uma festa” (1996) era também um memorialista de mão cheia.</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;&#160; Em resumo, Antonio Nonato Marques nasceu na antiga Vila Bela de Santo Antonio das Queimadas, atual cidade de Queimadas – Bahia, no dia 27 de abril de 1910 e morreu no dia 5 de abril de 2006, ou sejam 22 dias antes de completar<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> 96 anos de idade. Fez seu curso elementar em sua cidade natal e o curso complementar na cidade de Alagoinhas.<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> Em 1924 começou a fazer exames preparatórios no antigo Ginásio da Bahia. Em 1934 prestou exame vestibular para a Escola Agrícola da Bahia, onde se diplomou tendo sido escolhido como orador da turma de Engenheiros Agrônomos de 1937.</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Como agrônomo ocupou muitos cargos inclusive o de Secretário da Agricultura e Comércio da Bahia e Presidente do Instituto Baiano do Fumo entre outros. Foi deputado estadual pela “coligação baiana” (PSD/PTB) eleito em 1950 e deputado federal em 1954 pelo PSD (Partido Social Democrático) tendo se reelegido para mais dois mandatos na Câmara Federal, em 1961 e 1964. Permaneceu na Câmara Federal até 1967, quando se afastou definitivamente da política. Depois passou a se dedicar a funções ligadas à sua profissão de agrônomo.&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt" face="Times New Roman">&#160;&#160;</font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Como escritor e poeta colaborou em diversos jornais e revistas do estado e do País, com artigos técnicos e literários. As suas produções na imprensa diária ou periódica dariam para formar livros sobre assuntos diversos. Durante oito anos consecutivos foi responsável pela seção de agricultura e pecuária do jornal A Tarde, tendo editado boletins técnicos e informativos das entidades autárquicas, fundações e associativas a que serviu. Como jornalista desempenhou ainda as seguintes funções, em 1939,<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> “Chefe do Serviço de Publicidade do Instituto Bahiano do Fumo, tendo sido na oportunidade também o redator-chefe do Boletim Informativo daquela autarquia e diretor da revista “Bahia Rural”. Em 1941 com a criação do departamento de Assistência ao Cooperativismo foi designado como responsável da Seção de Propaganda e Divulgação, tendo sob sua responsabilidade a revista “COOP” que ali era editada. Posteriormente, em 1942 assumiu a diretoria do Departamento de Assistência ao Cooperativismo. Em 1945<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> foi nomeado pela primeira vez Secretário da Agricultura, e logo em seguida Diretor da Escola de Agronomia, em Cruz das Almas. Foi ainda Inspetor Geral do Transito (1947), Presidente do Instituto Baiano do Fumo (1941 a 1951); Presidente da Comissão Estadual de Preço (1951 a 1952), Eleito deputado estadual em 1950 foi nomeado Secretário da Agricultura em 1951. Além destas funções, ele<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> exerceu várias outras, como também integrou várias comissões e conselhos<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> além de ter sido presidente do Conselho Administrativo da Caixa Econômica Federal.</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Na área acadêmica foi diretor da Escola de Agronomia de Cruz das Almas e fundador da Faculdade de Medicina Veterinária da UFBA. Em sua homenagem, a EBDA – Empresa Bahiana de Desenvolvimento Agropecuário, mantém, aqui em Salvador, no bairro da Ondina, um herbário com seu nome e que foi fundado em 1952 com um acervo de 13 mil espécies.</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Nonato Marques integrou ainda as seguintes entidades:<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> Associação dos Engenheiros Agrônomos da Bahia, Sindicato dos Engenheiros da Bahia, Associação Baiana de Imprensa (ABI), Instituto Geográfico e Histórico da Bahia. Foi também membro fundador da Academia de Artes e Letras do Salvador – ALAS, da qual nunca deixou de manifestar orgulho por integrá-la. Esta ALAS também se sente honrada, permito-me a ousadia de falar em nome de todos os seus membros,<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> em ter tido entre seus fundadores um dos mais brilhantes poetas baianos do século XX: Antonio Nonato Marques, o Marquês das Laranjeiras, O poeta da Baixinha, hoje um Nonato Encantado.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt" face="Times New Roman">&#160;&#160;&#160;</font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">A atividade literária, sobretudo na área da criação poética, iniciada na adolescência, o acompanhou<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> por toda a vida. Em poesia publicou:<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> “Poemas de meu enlevo”, “Poemas do Céu e da Terra”, “Tempo de Poesia”, “A poesia era uma festa”, “Os dois últimos poetas da Baixinha”, em parceria com o também poeta Bráulio de Abreu. Na prosa, destacam-se: “O Lado verde da vida”, “Dom Pedro I e seus amores”, “Pinga-Fogo”, “Santo Antonio das Queimadas” e “Uma Porta para Canudos”. Escreveu duas peças para teatro: “A Procura de Marido” e “O Gigante também tem asas”, que foram encenadas em algumas cidades baianas. Deixou inédito o livro “Crônicas Rurais” que a ALAS poderia tomar a iniciativa, fica registrado aqui a proposta, de tentar publicá-lo ou encontrar um patrocínio neste sentido. Outras produções literárias de Nonato Marques foram também publicadas em revistas e jornais do sul do país. E a respeito desses trabalhos existe uma grande fortuna crítica.</font></font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Na área de estudos técnicos vinculados à agronomia destacam-se títulos como: “Geografia do Fumo na Bahia”, “Iniciação Cooperativista” , “Pessoas, Plantas e Animais” e monografias técnicas como “O Sisal na Bahia” e “O Umbuzeiro”.&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt" face="Times New Roman">&#160;&#160;&#160;</font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Falar sobre Nonato Marque é falar sobre uma parte da história da vida literária da Bahia e sendo assim, não podemos deixar de destacar o seu papel<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> como membro do Grupo de Poetas da Baixinha. A denominação de Baixinha, era porque o Café Progresso, onde jovens poetas-boêmios se encontravam,<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> estava situado próximo a um larguinho, de onde despontam as ladeiras do Carmo, do Passo e do Pelourinho, e que liga a Baixa dos Sapateiros ao Taboão.</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">O Grupo da Baixinha, que<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> tinha como mecenas Raimundo Pena Forte, era formado por rapazes de 18 a 21 anos de idade, boêmios talentosos que passavam todo o tempo improvisando e escrevendo literatura em cafés e bares da cidade. O grupo da Baixinha freqüentava o Café Progresso até o horário de saída do último bonde. Fizeram parte do Grupo da Baixinha: Alves Ribeiro, Aníbal Rocha, Amphilophio Britto, Ângelo Brandão Donatti, Bráulio de Abreu, Clodoaldo Milto, Dagmar Pinto, De Souza Aguiar, Epaminondas Pontes, Elpídio Bastos, Egberto de Campos Ribeiro, Honorato Gomes, Leite Filho, Nonato Marques, Otto Bittencourt Sobrinho, Pereira Reis Júnior, Pinheiro Viegas, Raimundo Penna Forte, Samuel de Brito Filho, Wasny Casaes e Zaluar de Carvalho. O Grupo da Baixinha era conservador e seus integrantes cultivavam o verso rigorosamente metrificado, no melhor estilo parnasiano.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman"><font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font><font style="mso-tab-count: 1">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font></font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;&#160;&#160; O Grupo foi responsável pelo lançamento da revista SAMBA que marcou época e presença na história da vida literária baiana dos anos vinte do século passado. Graças ao Conselho de Cultura do Estado da Bahia recentemente saiu publicada uma edição facsimilada da mesma. A revista mensal Samba foi a primeira de feição modernista a ser editada na Bahia, sendo, portanto, precursora da revista<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> Arco &#38; Flexa, liderada pelo poeta e crítico Carlos Chiacchio.</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Segundo depoimento de Nonato Marques, no livro “A poesia era uma festa”, “Samba era uma revista modesta composta em papel jornal. Foram publicados apenas quatro números. A revista teve vida efêmera como os cometas, porém, mesmo assim, deixou um traço luminoso na história da vida literária”.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Nonato Marques registrou, no livro “A poesia era uma festa”, publicado em 1994,<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> o seu tempo poético de vida com as seguintes e precisas<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> palavras:&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt" face="Times New Roman">&#160;&#160;&#160;&#160;</font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">“No meu tempo a poesia fazia parte do cotidiano da vida da província. Vale dizer: habitava a idade dos homens e como eles conviviam no seu dia-a-dia, através da leitura de revistas e jornais que lhe abriam espaços generosos. A poesia se misturava com as pessoas, alegrando-as, divertindo-as, animando-lhes as festas cívicas e particulares, conquistando-as de tal maneira que era muito raro encontrar alguém, ainda que medianamente instruído que não soubesse de cor alguns versos de sua predileção”.</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Nonato nos deixou um legado como obras. Deixou também viúva, dona Maria Angélica Marques, sete filhos, 13 netos e quatros bisnestos, a quem estendo esta homenagem com a palavra de muito obrigado, por ter ajudado na edificação da obra deste poeta encantado. Para finalizar vou recitar<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> alguns poema do POETA NONATO MARQUES:</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><b style="mso-bidi-font-weight: normal"><u><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">DESPEDIDA</font></font></u></b><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman"><font style="mso-spacerun: yes">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Foi bem ali naquela ponte estreita<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">- em tudo a um cromo antigo parecida –<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">que ela tristonha e um tanto contrafeita<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">levou-me seu adeus de despedida.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Entre meus braços tensos envolvida,<br />
ela por entre lágrimas desfeita<br />
maldizia a desdita da partida<br />
que ia forçada a viver insatisfeita.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Era a separação. Era a distância.<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Era a ausência cruel – próxima e expressa –<br />
que violentava um grande amor de infância.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Pelo meu rosto junto a minha fronte<br />
as lágrimas corriam mais depressa<br />
do que a água que corria sob a ponte...</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman"><font style="mso-spacerun: yes">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font></font></font>
<p>&#160;</p>
<b style="mso-bidi-font-weight: normal"><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font></b><b style="mso-bidi-font-weight: normal"><u><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">BONECA</font></font></u></b><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman"><font style="mso-spacerun: yes">&#160;&#160;</font></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Porque ela é tão pequena e tão franzina<br />
até receio quando alguém nos vê<br />
beijar suas mãositas de musmê<br />
ante seus olhos grandes de menina.<br />
<br />
Ela parece assim (não sei porquê)<br />
tendo uma boca rubra e pequenina,<br />
uma boneca original da China<br />
que ri e dança namora e lê.<br style="mso-special-character: line-break" />
<br style="mso-special-character: line-break" /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Tenho receio de tocar de leve<br />
aquela alvinha como a neve,<br />
aquela carne tentadora e louca.<br style="mso-special-character: line-break" />
<br style="mso-special-character: line-break" /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Se beijo-a muito, tenho muita pena<br />
porque ela é tão franzina e tão pequena<br />
que o meu beijo mau cabe em sua boca.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><b style="mso-bidi-font-weight: normal"><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font></b><b style="mso-bidi-font-weight: normal"><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font></b><b style="mso-bidi-font-weight: normal"><font style="FONT-SIZE: 14pt" face="Times New Roman">&#160;&#160;&#160;</font></b> <b style="mso-bidi-font-weight: normal"><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Trecho de um outro poema referindo-se à época em que a poesia era uma festa:</font></font></b><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">“...os rapazes boêmios daqueles<br />
tempos perambulavam a declamar<br />
pelas ruas tortuosas e<br />
enladeiradas de Salvador,<br />
até altas horas da noite,<br />
dentro da qual sibilava ,<br />
a intervalos, o apito do guarda<br />
noturno e se ouvia o grito<br />
dolente e comprido<br />
da negra do acarajé.”</font></font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;&#160;&#160;</font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Salve Nonato Marques, o Marquês das Laranjeiras, o mais novo Poeta Encantado da Bahia!</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Muito obrigado.<br />
&#160;</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Outono de 2006, Salvador, 12/06/2006.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div><b style="mso-bidi-font-weight: normal"><font style="FONT-SIZE: 18pt"><?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /?><br />
<font face="Times New Roman">&#160;</font></font></b><b style="mso-bidi-font-weight: normal"><u><font style="FONT-SIZE: 18pt"><font face="Times New Roman">NONATO MARQUES, O POETA DA BAIXINHA</font></font></u></b><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font size="3"><font face="Times New Roman">(</font><b style="mso-bidi-font-weight: normal"><font face="Times New Roman">Palavras pronunciadas pelo Acadêmico Sérgio Mattos em homenagem a Antonio Nonato Marques, na Sessão Saudade promovida pela ALAS – Academia de Letras e Artes do Salvador, no dia 12 de junho de 2006.)</font></b></font><font size="3"><font face="Times New Roman">&#160;</font><font face="Times New Roman">&#160;&#160;</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Meus confrades, minhas confreiras,</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">meus senhores, minhas senhoras,</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">parentes do homenageado:</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Como epigrafe do resumo de seu curriculum vitae, intitulado por ele mesmo como “Síntese de uma vida”, Nonato Marques escolheu uma citação de Leon Dénis que se aplica e muito bem para a homenagem que lhe prestamos na noite de hoje. Senão vejamos:</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt" face="Times New Roman">&#160;</font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman"><font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font>“Cada um constrói, dia por dia, hora por hora, muitas vezes sem mesmo o saber, seu próprio futuro. A sorte que nos cabe na vida atual foi preparada pelas nossas ações anteriores, da mesma forma edificamos no presente as condições da existência”.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt" face="Times New Roman">&#160;&#160;</font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">É isso mesmo Nonato Marques, você soube, ao longo de 96 anos bem vividos, construir a poesia que foi a sua vida, no dia-a-dia, tecendo, laboriosamente os caminhos e as edificações de sua existência. Ao escolher a poesia como arte para transmitir seus sentimentos e observações, você metrificou suavemente o seu viver diário, com o ritmo e a sonoridade das palavras trabalhadas como se jóias fossem, marcando o seu compasso, suas ações e determinando o futuro que você ainda terá na história da vida literária baiana.</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Ao optar pela carreira agronômica, você fez a escolha pelo meio ambiente, pela natureza, pela preservação da vida, pela ecologia. Não deixou aqui também de ser poeta. Isto porque ao fazer a opção profissional de trabalhar com os quatro elementos – terra, ar, água e fogo – você se aproximou mais ainda do sentido da própria vida, da necessidade do registro, do resgate e da preservação da natureza e do próprio homem.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Ao exercer cargos públicos, inclusive eletivos, você demonstrou sua capacidade de contribuir pela edificação de um mundo melhor, pelo menos aquele sonhado pelo poeta que você foi e continuará sendo, buscando encontrar as alternativas necessárias para a melhoria do nosso povo, sertanejo e sofrido.&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt" face="Times New Roman">&#160;&#160;&#160;</font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Como homem deixou sua marca, registrando sua passagem, sua existência nesta terra: Pensou e escreveu inúmeros livros e trabalhos, repercutindo sua experiência de vida e transmitindo conhecimentos para as novas gerações. Viveu seu tempo, quase um século, e nele deixou sua marca. Plantou não uma, mas inúmeras árvores. Deixou uma extensa prole e inúmeros amigos que saberão reproduzir sua obra que haverá de permanecer porque tem um cunho universal.</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">É isso Nonato Marques, você foi um homem e um amigo leal, mas também um Grande Poeta. Você já não é mais do Grupo da Baixinha, pois a partir de agora passou a integrar o Grupo dos Poetas Encantados, como Castro Alves, Drumonnd, Bandeira e muitos outros.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Ao poeta Antonio Nonato Marques, ocupante da cadeira nº 40, dessa ALAS que tem como patrono Guilard Muniz, que foi o grande jardineiro de Salvador, é dedicada esta sessão especial, que com muita propriedade é intitulada Sessão Saudade.</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;&#160; Coube-me a missão de falar sobre o poeta, meu amigo por mais de 35 anos e por quem desenvolvi profunda admiração.</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Conheci Nonato Marques pessoalmente quando, no início da década de 70, editando o suplemento “Jornal de Utilidades”, um dos projetos editoriais que desenvolvi para o Jornal A TARDE, ele comparecia semanalmente para levar sua contribuição para o caderno: o conteúdo de nossa página agrícola. Com uma voz grave e empostada, com os olhos pequenos e faiscantes de inteligência, Nonato me passava os artigos e as notícias com as quais eu deveria editar a página agrícola. Ele sempre manifestava sua opinião e recomendava o que era mais importante a ser destacado na página, com a autoridade de quem havia sido o homem responsável pelo desenvolvimento da agricultura do estado da Bahia.</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Foi a partir destes encontros semanais que surgiu nossa amizade. Mais tarde, a partir de 1985, quando à frente de outros projetos editoriais de A Tarde, os suplementos A Tarde Municípios e<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> A Tarde Rural, dos quais também fui idealizador e editor, Nonato se aproximou mais ainda. Aí já não colaborava apenas no suplemento rural, mas também com seus artigos e crônicas que publicávamos <?xml:namespace prefix = st1 ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags" /?><br />
em A Tarde Municípios, sempre abordando temas de interesse regionais, fossem eles sobre economia agrícola, ou<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> de resgate da cultura da região sisaleira. Não faltavam, naturalmente, seus poemas e artigos sobre Santo Antônio de Queimadas e muitas outras histórias.</font></font> <font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Ele não se satisfazia apenas com o fato de entregar pessoalmente o artigo em minhas nas mãos. Ele queria ter a certeza de que o editor-amigo iria lê-lo antes de publicá-lo e, para não deixar dúvidas sobre isto, levava-me a um canto da sala da redação, onde com sua voz empolgada, lia o texto em voz alta, dando a ênfase necessária às palavras ou trechos que achava serem os mais importantes. Isso sem contar com os poemas de época. Ele não deixava passar uma data importante (Dia das Mães, Dia dos Pais, da Criança, Natal, Quaresma etc) sem levar um poema com a temática do dia, sempre tentando garantir sua publicação, não importava onde, em que caderno, o importante é que fosse publicado. Se não conseguia espaço no caderno Cultural ou no Caderno 2 de A Tarde, me procurava e quando possível eu publicava suas colaborações tanto em Municípios como em Rural.</font></font> <font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Só no período em que fui editor de A Tarde Municípios e de A Tarde Rural, convivi com a visita semanal de Nonato por mais de 18 anos, entre 1985 a 2003. Esta convivência foi ampliada a partir do ano de 1999, quando começamos, no salão de festas do prédio do acadêmico Rozendo Ferreira, as reuniões semanais que deliberaram a constituição desta ALAS –Academia de Letras e Artes do Salvador, instalada oficialmente em dezembro daquele mesmo ano e da qual tive a honra de ter sido o primeiro presidente. Nonato Marques esteve presente desde os primeiros momentos da constituição desta ALAS, só faltando às reuniões por motivo de força maior.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Nonato Marques era assim, de uma simplicidade sem par e ao mesmo tempo um homem persistente, seguro do que queria e brilhante no que fazia. Era também um excelente orador e crítico literário além de sentir muito orgulho sobre o que escrevia, valorizando ainda mais a publicação dos seus textos.</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;&#160;&#160; Como orador destacou-se na Câmara Federal ao lado de parlamentares e grandes oradores como o velho Mangabeira, Artur Bernardes, Afonso Arinos, Aliomar Baleeiro, Nestor Duarte e Carlos Lacerda, entre outros tão famosos quanto estes.</font></font> <font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Nonato Marques nos contou, com uma dose de ironia e muito humor, em palestra aqui realizada, sob o título de “Pinga Fogo”, apelido dado às sessões do pequeno-expediente da Câmara dos Deputados devido à irreverência parlamentar, como se deu sua estréia na tribuna da Câmara Federal:</font></font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;&#160;&#160;</font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">“Naquele recinto heráldico e cintilante, eu – pobre provinciano egresso das caatingas, sentia-me mais insignificante do que uma ameba. A minha constante e invencível timidez matuta se apoderou de mim com todo o peso de sua contenção insuportável. Mas, era preciso falar, dizer alguma coisa, desembuchar, enfim. A muito custo arranjei uma vaga para falar no grande–expediente. Logo no grande-expediente, onde o orador fica no alto, por conseguinte mais exposto aos aplausos ou aos massacres. Antes, para amansar os nervos rebeldes, eu havia preparado o discurso no melhor estilo de que fui capaz, com todas as vírgulas e acentos no lugar, caprichando no português à moda de Coimbra, mas uma surpresa desagradável me espreitava: na hora aprazada subi à tribuna como quem vai para um patíbulo. Do plenário, os olhares que para mim se dirigiam eram como se fossem farpas a me estraçalharem o coração. Proferi as saudações protocolares: Senhor Presidente, senhores deputados. Puxei do bolso o calhamaço. Procurei os óculos. Onde estavam os óculos? Apalpei os bolsos, nada. Na afobação, havia esquecido em casa os meus protetores visuais. Descer da tribuna seria um fiasco. De repente, não mais que de repente, uma reação raivosa se apoderou de mim e devolvendo ao bolso o papelório, fui forçado a falar sem as muletas escritas que eu havia cuidadosamente preparado. Quando terminei e desci da tribuna estava alagado de suor. Havia saído da maior batalha íntima que travei em toda a minha vida. Isto me fez lembrar Camões, quando o genial caolho adverte: ‘que o outeiro é mais fácil de descer do que de subir’. E a tribuna também.”</font></font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font face="Times New Roman"><font size="3">&#160;&#160; &#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Ainda na Câmara Federal Nonato Marques praticou o que ele mais gostava de fazer: versos, sonetos satíricos ou epigramáticos, mas sem o propósito pejorativo. Durante as longas sessões de discursos na Câmara, para passar ou matar o tempo ele escrevia sonetos e se escondia por trás de um pseudônimo: Marquês das Laranjeiras. Marquês, segundo ele, derivado de Marques, seu nome de família, e Laranjeiras, proveniente do bairro em que residia no Rio de Janeiro. Dentre os muitos sonetos satíricos de Nonato Marques ou Marquês das Laranjeiras destaco dois, escritos em 1956 durante o desenrolar de sessões agitadas:</font></font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Está aberta a sessão. O presidente<br />
toca a sineta. Há número na casa.<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">O secretário lê todo o expediente<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">e a águia do verbo sobre nós abre a asa.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Depois há sururu&#8230;o verbo abrasa.<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Há sempre, cada dia, um bom valente<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">que desafia, esbraveja e arrasa<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">a paciência e o humor de toda gente.</font></font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Ninguém briga, afinal. É só arrelia.<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Há uma turma do deixa-disso atenta,<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">que acaba de mansinho a valentia.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Depois se vota. Tudo entra nos trilhos.<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Vai se votando no levanta e senta<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">No vai e vem solene dos fundilhos.</font></font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;&#160;&#160;</font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Um outro soneto satírico do Marquês das Laranjeiras foi inspirado numa intervenção do então deputado Adauto Lúcio Cardoso ao dar um voto favorável a um projeto, recomendando que fosse melhorada sua redação final:</font></font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Diz o Adauto: “Eu espero que o Senado<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">melhore a redação deste projeto.”<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Ele quer português do bom, correto,<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">flor do jardim do Lácio decantado.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Tudo isso para mim parece errado:<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">O que importa, de fato, no projeto,<br /></font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">direto ou não, é apenas o objeto,<br />
é</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">o tal sujeito oculto ou disfarçado.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Que importa na política a gramática,<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">A prosódia, a sintaxe, a sistemática,<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">todos esses troços complicados?</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Que importa, amigo, deixa esses defeitos.<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Valem mais em política os sujeitos<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">E valem muito pouco os predicados.</font></font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;&#160;&#160;</font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Este era o Nonato Marques, inteligente, bem humorado e que nunca deixou de dar oportunidades tanto a jovens como a poetas já estabelecidos como também escrevia sobre os mesmos. Escreveu inúmeros prefácios, orelhas e artigos enaltecendo obras. Eu mesmo tive a felicidade de ser resenhado por ele, que com estilo elegante escreveu sobre dois de meus livros de poemas,<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> “Asas Para Amar” e “Estandarte”.<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> Certa feita, como fui fazer o lançamento destas obras em Queimadas, sua terra natal, ele fez questão de ir para lá para me receber, me<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> saudar<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> e me apresentar aos seus conterrâneos.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Nonato foi um homem marcante e teve uma vida pública marcante. Que o diga sua esposa, dona Maria Angélica Marques, seus filhos, netos e bisnetos. Que o diga seus amigos, pois inimigos não os teve.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">O escritor, político, engenheiro agrônomo e Poeta, com letra maiúscula, Antonio Nonato Marques, autor de “A Poesia era uma festa” (1996) era também um memorialista de mão cheia.</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;&#160; Em resumo, Antonio Nonato Marques nasceu na antiga Vila Bela de Santo Antonio das Queimadas, atual cidade de Queimadas – Bahia, no dia 27 de abril de 1910 e morreu no dia 5 de abril de 2006, ou sejam 22 dias antes de completar<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> 96 anos de idade. Fez seu curso elementar em sua cidade natal e o curso complementar na cidade de Alagoinhas.<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> Em 1924 começou a fazer exames preparatórios no antigo Ginásio da Bahia. Em 1934 prestou exame vestibular para a Escola Agrícola da Bahia, onde se diplomou tendo sido escolhido como orador da turma de Engenheiros Agrônomos de 1937.</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Como agrônomo ocupou muitos cargos inclusive o de Secretário da Agricultura e Comércio da Bahia e Presidente do Instituto Baiano do Fumo entre outros. Foi deputado estadual pela “coligação baiana” (PSD/PTB) eleito em 1950 e deputado federal em 1954 pelo PSD (Partido Social Democrático) tendo se reelegido para mais dois mandatos na Câmara Federal, em 1961 e 1964. Permaneceu na Câmara Federal até 1967, quando se afastou definitivamente da política. Depois passou a se dedicar a funções ligadas à sua profissão de agrônomo.&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt" face="Times New Roman">&#160;&#160;</font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Como escritor e poeta colaborou em diversos jornais e revistas do estado e do País, com artigos técnicos e literários. As suas produções na imprensa diária ou periódica dariam para formar livros sobre assuntos diversos. Durante oito anos consecutivos foi responsável pela seção de agricultura e pecuária do jornal A Tarde, tendo editado boletins técnicos e informativos das entidades autárquicas, fundações e associativas a que serviu. Como jornalista desempenhou ainda as seguintes funções, em 1939,<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> “Chefe do Serviço de Publicidade do Instituto Bahiano do Fumo, tendo sido na oportunidade também o redator-chefe do Boletim Informativo daquela autarquia e diretor da revista “Bahia Rural”. Em 1941 com a criação do departamento de Assistência ao Cooperativismo foi designado como responsável da Seção de Propaganda e Divulgação, tendo sob sua responsabilidade a revista “COOP” que ali era editada. Posteriormente, em 1942 assumiu a diretoria do Departamento de Assistência ao Cooperativismo. Em 1945<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> foi nomeado pela primeira vez Secretário da Agricultura, e logo em seguida Diretor da Escola de Agronomia, em Cruz das Almas. Foi ainda Inspetor Geral do Transito (1947), Presidente do Instituto Baiano do Fumo (1941 a 1951); Presidente da Comissão Estadual de Preço (1951 a 1952), Eleito deputado estadual em 1950 foi nomeado Secretário da Agricultura em 1951. Além destas funções, ele<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> exerceu várias outras, como também integrou várias comissões e conselhos<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> além de ter sido presidente do Conselho Administrativo da Caixa Econômica Federal.</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Na área acadêmica foi diretor da Escola de Agronomia de Cruz das Almas e fundador da Faculdade de Medicina Veterinária da UFBA. Em sua homenagem, a EBDA – Empresa Bahiana de Desenvolvimento Agropecuário, mantém, aqui em Salvador, no bairro da Ondina, um herbário com seu nome e que foi fundado em 1952 com um acervo de 13 mil espécies.</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Nonato Marques integrou ainda as seguintes entidades:<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> Associação dos Engenheiros Agrônomos da Bahia, Sindicato dos Engenheiros da Bahia, Associação Baiana de Imprensa (ABI), Instituto Geográfico e Histórico da Bahia. Foi também membro fundador da Academia de Artes e Letras do Salvador – ALAS, da qual nunca deixou de manifestar orgulho por integrá-la. Esta ALAS também se sente honrada, permito-me a ousadia de falar em nome de todos os seus membros,<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> em ter tido entre seus fundadores um dos mais brilhantes poetas baianos do século XX: Antonio Nonato Marques, o Marquês das Laranjeiras, O poeta da Baixinha, hoje um Nonato Encantado.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt" face="Times New Roman">&#160;&#160;&#160;</font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">A atividade literária, sobretudo na área da criação poética, iniciada na adolescência, o acompanhou<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> por toda a vida. Em poesia publicou:<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> “Poemas de meu enlevo”, “Poemas do Céu e da Terra”, “Tempo de Poesia”, “A poesia era uma festa”, “Os dois últimos poetas da Baixinha”, em parceria com o também poeta Bráulio de Abreu. Na prosa, destacam-se: “O Lado verde da vida”, “Dom Pedro I e seus amores”, “Pinga-Fogo”, “Santo Antonio das Queimadas” e “Uma Porta para Canudos”. Escreveu duas peças para teatro: “A Procura de Marido” e “O Gigante também tem asas”, que foram encenadas em algumas cidades baianas. Deixou inédito o livro “Crônicas Rurais” que a ALAS poderia tomar a iniciativa, fica registrado aqui a proposta, de tentar publicá-lo ou encontrar um patrocínio neste sentido. Outras produções literárias de Nonato Marques foram também publicadas em revistas e jornais do sul do país. E a respeito desses trabalhos existe uma grande fortuna crítica.</font></font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Na área de estudos técnicos vinculados à agronomia destacam-se títulos como: “Geografia do Fumo na Bahia”, “Iniciação Cooperativista” , “Pessoas, Plantas e Animais” e monografias técnicas como “O Sisal na Bahia” e “O Umbuzeiro”.&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt" face="Times New Roman">&#160;&#160;&#160;</font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Falar sobre Nonato Marque é falar sobre uma parte da história da vida literária da Bahia e sendo assim, não podemos deixar de destacar o seu papel<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> como membro do Grupo de Poetas da Baixinha. A denominação de Baixinha, era porque o Café Progresso, onde jovens poetas-boêmios se encontravam,<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> estava situado próximo a um larguinho, de onde despontam as ladeiras do Carmo, do Passo e do Pelourinho, e que liga a Baixa dos Sapateiros ao Taboão.</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">O Grupo da Baixinha, que<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> tinha como mecenas Raimundo Pena Forte, era formado por rapazes de 18 a 21 anos de idade, boêmios talentosos que passavam todo o tempo improvisando e escrevendo literatura em cafés e bares da cidade. O grupo da Baixinha freqüentava o Café Progresso até o horário de saída do último bonde. Fizeram parte do Grupo da Baixinha: Alves Ribeiro, Aníbal Rocha, Amphilophio Britto, Ângelo Brandão Donatti, Bráulio de Abreu, Clodoaldo Milto, Dagmar Pinto, De Souza Aguiar, Epaminondas Pontes, Elpídio Bastos, Egberto de Campos Ribeiro, Honorato Gomes, Leite Filho, Nonato Marques, Otto Bittencourt Sobrinho, Pereira Reis Júnior, Pinheiro Viegas, Raimundo Penna Forte, Samuel de Brito Filho, Wasny Casaes e Zaluar de Carvalho. O Grupo da Baixinha era conservador e seus integrantes cultivavam o verso rigorosamente metrificado, no melhor estilo parnasiano.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman"><font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font><font style="mso-tab-count: 1">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font></font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;&#160;&#160; O Grupo foi responsável pelo lançamento da revista SAMBA que marcou época e presença na história da vida literária baiana dos anos vinte do século passado. Graças ao Conselho de Cultura do Estado da Bahia recentemente saiu publicada uma edição facsimilada da mesma. A revista mensal Samba foi a primeira de feição modernista a ser editada na Bahia, sendo, portanto, precursora da revista<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> Arco &amp; Flexa, liderada pelo poeta e crítico Carlos Chiacchio.</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Segundo depoimento de Nonato Marques, no livro “A poesia era uma festa”, “Samba era uma revista modesta composta em papel jornal. Foram publicados apenas quatro números. A revista teve vida efêmera como os cometas, porém, mesmo assim, deixou um traço luminoso na história da vida literária”.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Nonato Marques registrou, no livro “A poesia era uma festa”, publicado em 1994,<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> o seu tempo poético de vida com as seguintes e precisas<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> palavras:&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt" face="Times New Roman">&#160;&#160;&#160;&#160;</font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">“No meu tempo a poesia fazia parte do cotidiano da vida da província. Vale dizer: habitava a idade dos homens e como eles conviviam no seu dia-a-dia, através da leitura de revistas e jornais que lhe abriam espaços generosos. A poesia se misturava com as pessoas, alegrando-as, divertindo-as, animando-lhes as festas cívicas e particulares, conquistando-as de tal maneira que era muito raro encontrar alguém, ainda que medianamente instruído que não soubesse de cor alguns versos de sua predileção”.</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Nonato nos deixou um legado como obras. Deixou também viúva, dona Maria Angélica Marques, sete filhos, 13 netos e quatros bisnestos, a quem estendo esta homenagem com a palavra de muito obrigado, por ter ajudado na edificação da obra deste poeta encantado. Para finalizar vou recitar<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> alguns poema do POETA NONATO MARQUES:</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><b style="mso-bidi-font-weight: normal"><u><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">DESPEDIDA</font></font></u></b><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman"><font style="mso-spacerun: yes">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Foi bem ali naquela ponte estreita<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">- em tudo a um cromo antigo parecida –<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">que ela tristonha e um tanto contrafeita<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">levou-me seu adeus de despedida.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Entre meus braços tensos envolvida,<br />
ela por entre lágrimas desfeita<br />
maldizia a desdita da partida<br />
que ia forçada a viver insatisfeita.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Era a separação. Era a distância.<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Era a ausência cruel – próxima e expressa –<br />
que violentava um grande amor de infância.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Pelo meu rosto junto a minha fronte<br />
as lágrimas corriam mais depressa<br />
do que a água que corria sob a ponte&#8230;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman"><font style="mso-spacerun: yes">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font></font></font></p>
<p>&#160;</p>
<p><b style="mso-bidi-font-weight: normal"><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font></b><b style="mso-bidi-font-weight: normal"><u><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">BONECA</font></font></u></b><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman"><font style="mso-spacerun: yes">&#160;&#160;</font></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Porque ela é tão pequena e tão franzina<br />
até receio quando alguém nos vê<br />
beijar suas mãositas de musmê<br />
ante seus olhos grandes de menina.</p>
<p>Ela parece assim (não sei porquê)<br />
tendo uma boca rubra e pequenina,<br />
uma boneca original da China<br />
que ri e dança namora e lê.<br style="mso-special-character: line-break" /><br />
<br style="mso-special-character: line-break" /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Tenho receio de tocar de leve<br />
aquela alvinha como a neve,<br />
aquela carne tentadora e louca.<br style="mso-special-character: line-break" /><br />
<br style="mso-special-character: line-break" /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Se beijo-a muito, tenho muita pena<br />
porque ela é tão franzina e tão pequena<br />
que o meu beijo mau cabe em sua boca.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><b style="mso-bidi-font-weight: normal"><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font></b><b style="mso-bidi-font-weight: normal"><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font></b><b style="mso-bidi-font-weight: normal"><font style="FONT-SIZE: 14pt" face="Times New Roman">&#160;&#160;&#160;</font></b> <b style="mso-bidi-font-weight: normal"><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Trecho de um outro poema referindo-se à época em que a poesia era uma festa:</font></font></b><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">“&#8230;os rapazes boêmios daqueles<br />
tempos perambulavam a declamar<br />
pelas ruas tortuosas e<br />
enladeiradas de Salvador,<br />
até altas horas da noite,<br />
dentro da qual sibilava ,<br />
a intervalos, o apito do guarda<br />
noturno e se ouvia o grito<br />
dolente e comprido<br />
da negra do acarajé.”</font></font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;&#160;&#160;</font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Salve Nonato Marques, o Marquês das Laranjeiras, o mais novo Poeta Encantado da Bahia!</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Muito obrigado.<br />
&#160;</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Outono de 2006, Salvador, 12/06/2006.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font>
</div>
<div></div>
]]></content:encoded>
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		<title>O POETA DA BAIXINHA</title>
		<link>http://smattos.blog.com/2006/08/07/o-poeta-da-baixinha/</link>
		<comments>http://smattos.blog.com/2006/08/07/o-poeta-da-baixinha/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 07 Aug 2006 20:44:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>smattos</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[<p><b style="mso-bidi-font-weight: normal"><u><font style="FONT-SIZE: 18pt"><font face="Times New Roman">NONATO MARQUES, O POETA DA BAIXINHA</font></font></u></b></p>
<b style="mso-bidi-font-weight: normal"><u><font style="FONT-SIZE: 18pt"><font face="Times New Roman"><?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /?>
</font></font></u></b><font face="Times New Roman" size="3">&#160;(</font><b style="mso-bidi-font-weight: normal"><font size="3"><font face="Times New Roman">Palavras pronunciadas pelo Acadêmico Sérgio Mattos em homenagem a Antonio Nonato Marques, na Sessão Saudade promovida pela ALAS – Academia de Letras e Artes do Salvador, no dia 12 de junho de 2006).</font></font></b><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Meus confrades, minhas confreiras,</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">meus senhores, minhas senhoras,</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">parentes do homenageado:</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt" face="Times New Roman">&#160;&#160;&#160;&#160;</font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Como epigrafe do resumo de seu curriculum vitae, intitulado por ele mesmo como “Síntese de uma vida”, Nonato Marques escolheu uma citação de Leon Dénis que se aplica e muito bem para a homenagem que lhe prestamos na noite de hoje. Senão vejamos:</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman"><font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font>“Cada um constrói, dia por dia, hora por hora, muitas vezes sem mesmo o saber, seu próprio futuro. A sorte que nos cabe na vida atual foi preparada pelas nossas ações anteriores, da mesma forma edificamos no presente as condições da existência”.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt" face="Times New Roman">&#160;&#160;&#160;</font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">É isso mesmo Nonato Marques, você soube, ao longo de 96 anos bem vividos, construir a poesia que foi a sua vida, no dia-a-dia, tecendo, laboriosamente os caminhos e as edificações de sua existência. Ao escolher a poesia como arte para transmitir seus sentimentos e observações, você metrificou suavemente o seu viver diário, com o ritmo e a sonoridade das palavras trabalhadas como se jóias fossem, marcando o seu compasso, suas ações e determinando o futuro que você ainda terá na história da vida literária baiana.</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Ao optar pela carreira agronômica, você fez a escolha pelo meio ambiente, pela natureza, pela preservação da vida, pela ecologia. Não deixou aqui também de ser poeta. Isto porque ao fazer a opção profissional de trabalhar com os quatro elementos – terra, ar, água e fogo – você se aproximou mais ainda do sentido da própria vida, da necessidade do registro, do resgate e da preservação da natureza e do próprio homem.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Ao exercer cargos públicos, inclusive eletivos, você demonstrou sua capacidade de contribuir pela edificação de um mundo melhor, pelo menos aquele sonhado pelo poeta que você foi e continuará sendo, buscando encontrar as alternativas necessárias para a melhoria do nosso povo, sertanejo e sofrido.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt">&#160;&#160;&#160;&#160;</font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Como homem deixou sua marca, registrando sua passagem, sua existência nesta terra: Pensou e escreveu inúmeros livros e trabalhos, repercutindo sua experiência de vida e transmitindo conhecimentos para as novas gerações. Viveu seu tempo, quase um século, e nele deixou sua marca. Plantou não uma, mas inúmeras árvores. Deixou uma extensa prole e inúmeros amigos que saberão reproduzir sua obra que haverá de permanecer porque tem um cunho universal.</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">É isso Nonato Marques, você foi um homem e um amigo leal, mas também um Grande Poeta. Você já não é mais do Grupo da Baixinha, pois a partir de agora passou a integrar o Grupo dos Poetas Encantados, como Castro Alves, Drumonnd, Bandeira e muitos outros.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Ao poeta Antonio Nonato Marques, ocupante da cadeira nº 40, dessa ALAS que tem como patrono Guilard Muniz, que foi o grande jardineiro de Salvador, é dedicada esta sessão especial, que com muita propriedade é intitulada Sessão Saudade.</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;&#160;&#160;&#160; Coube-me a missão de falar sobre o poeta, meu amigo por mais de 35 anos e por quem desenvolvi profunda admiração.</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Conheci Nonato Marques pessoalmente quando, no início da década de 70, editando o suplemento “Jornal de Utilidades”, um dos projetos editoriais que desenvolvi para o Jornal A TARDE, ele comparecia semanalmente para levar sua contribuição para o caderno: o conteúdo de nossa página agrícola. Com uma voz grave e empostada, com os olhos pequenos e faiscantes de inteligência, Nonato me passava os artigos e as notícias com as quais eu deveria editar a página agrícola. Ele sempre manifestava sua opinião e recomendava o que era mais importante a ser destacado na página, com a autoridade de quem havia sido o homem responsável pelo desenvolvimento da agricultura do estado da Bahia.</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Foi a partir destes encontros semanais que surgiu nossa amizade. Mais tarde, a partir de 1985, quando à frente de outros projetos editoriais de A Tarde, os suplementos A Tarde Municípios e<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> A Tarde Rural, dos quais também fui idealizador e editor, Nonato se aproximou mais ainda. Aí já não colaborava apenas no suplemento rural, mas também com seus artigos e crônicas que publicávamos <?xml:namespace prefix = st1 ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags" /?>
em A Tarde Municípios, sempre abordando temas de interesse regionais, fossem eles sobre economia agrícola, ou<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> de resgate da cultura da região sisaleira. Não faltavam, naturalmente, seus poemas e artigos sobre Santo Antônio de Queimadas e muitas outras histórias.</font></font> <font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Ele não se satisfazia apenas com o fato de entregar pessoalmente o artigo em minhas nas mãos. Ele queria ter a certeza de que o editor-amigo iria lê-lo antes de publicá-lo e, para não deixar dúvidas sobre isto, levava-me a um canto da sala da redação, onde com sua voz empolgada, lia o texto em voz alta, dando a ênfase necessária às palavras ou trechos que achava serem os mais importantes. Isso sem contar com os poemas de época. Ele não deixava passar uma data importante (Dia das Mães, Dia dos Pais, da Criança, Natal, Quaresma etc) sem levar um poema com a temática do dia, sempre tentando garantir sua publicação, não importava onde, em que caderno, o importante é que fosse publicado. Se não conseguia espaço no caderno Cultural ou no Caderno 2 de A Tarde, me procurava e quando possível eu publicava suas colaborações tanto em Municípios como em Rural.&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;&#160;</font></font> <font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Só no período em que fui editor de A Tarde Municípios e de A Tarde Rural, convivi com a visita semanal de Nonato por mais de 18 anos, entre 1985 a 2003. Esta convivência foi ampliada a partir do ano de 1999, quando começamos, no salão de festas do prédio do acadêmico Rozendo Ferreira, as reuniões semanais que deliberaram a constituição desta ALAS –Academia de Letras e Artes do Salvador, instalada oficialmente em dezembro daquele mesmo ano e da qual tive a honra de ter sido o primeiro presidente. Nonato Marques esteve presente desde os primeiros momentos da constituição desta ALAS, só faltando às reuniões por motivo de força maior.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Nonato Marques era assim, de uma simplicidade sem par e ao mesmo tempo um homem persistente, seguro do que queria e brilhante no que fazia. Era também um excelente orador e crítico literário além de sentir muito orgulho sobre o que escrevia, valorizando ainda mais a publicação dos seus textos.</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;&#160;&#160; Como orador destacou-se na Câmara Federal ao lado de parlamentares e grandes oradores como o velho Mangabeira, Artur Bernardes, Afonso Arinos, Aliomar Baleeiro, Nestor Duarte e Carlos Lacerda, entre outros tão famosos quanto estes.</font></font> <font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Nonato Marques nos contou, com uma dose de ironia e muito humor, em palestra aqui realizada, sob o título de “Pinga Fogo”, apelido dado às sessões do pequeno-expediente da Câmara dos Deputados devido à irreverência parlamentar, como se deu sua estréia na tribuna da Câmara Federal:</font></font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;<br />
&#160;&#160;&#160;&#160;</font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">“Naquele recinto heráldico e cintilante, eu – pobre provinciano egresso das caatingas, sentia-me mais insignificante do que uma ameba. A minha constante e invencível timidez matuta se apoderou de mim com todo o peso de sua contenção insuportável. Mas, era preciso falar, dizer alguma coisa, desembuchar, enfim. A muito custo arranjei uma vaga para falar no grande–expediente. Logo no grande-expediente, onde o orador fica no alto, por conseguinte mais exposto aos aplausos ou aos massacres. Antes, para amansar os nervos rebeldes, eu havia preparado o discurso no melhor estilo de que fui capaz, com todas as vírgulas e acentos no lugar, caprichando no português à moda de Coimbra, mas uma surpresa desagradável me espreitava: na hora aprazada subi à tribuna como quem vai para um patíbulo. Do plenário, os olhares que para mim se dirigiam eram como se fossem farpas a me estraçalharem o coração. Proferi as saudações protocolares: Senhor Presidente, senhores deputados. Puxei do bolso o calhamaço. Procurei os óculos. Onde estavam os óculos? Apalpei os bolsos, nada. Na afobação, havia esquecido em casa os meus protetores visuais. Descer da tribuna seria um fiasco. De repente, não mais que de repente, uma reação raivosa se apoderou de mim e devolvendo ao bolso o papelório, fui forçado a falar sem as muletas escritas que eu havia cuidadosamente preparado. Quando terminei e desci da tribuna estava alagado de suor. Havia saído da maior batalha íntima que travei em toda a minha vida. Isto me fez lembrar Camões, quando o genial caolho adverte: ‘que o outeiro é mais fácil de descer do que de subir’. E a tribuna também.”</font></font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Ainda na Câmara Federal Nonato Marques praticou o que ele mais gostava de fazer: versos, sonetos satíricos ou epigramáticos, mas sem o propósito pejorativo. Durante as longas sessões de discursos na Câmara, para passar ou matar o tempo ele escrevia sonetos e se escondia por trás de um pseudônimo: Marquês das Laranjeiras. Marquês, segundo ele, derivado de Marques, seu nome de família, e Laranjeiras, proveniente do bairro em que residia no Rio de Janeiro. Dentre os muitos sonetos satíricos de Nonato Marques ou Marquês das Laranjeiras destaco dois, escritos em 1956 durante o desenrolar de sessões agitadas:</font></font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Está aberta a sessão. O presidente<br />
toca a sineta. Há número na casa.<br />
O</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">secretário lê todo o expediente<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">e a águia do verbo sobre nós abre a asa.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Depois há sururu...o verbo abrasa.<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Há sempre, cada dia, um bom valente<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">que desafia, esbraveja e arrasa<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">a paciência e o humor de toda gente.</font></font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Ninguém briga, afinal. É só arrelia.<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Há uma turma do deixa-disso atenta,<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">que acaba de mansinho a valentia.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Depois se vota. Tudo entra nos trilhos.<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Vai se votando no levanta e senta<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">No vai e vem solene dos fundilhos.</font></font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Um outro soneto satírico do Marquês das Laranjeiras foi inspirado numa intervenção do então deputado Adauto Lúcio Cardoso ao dar um voto favorável a um projeto, recomendando que fosse melhorada sua redação final:</font></font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Diz o Adauto: “Eu espero que o Senado<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">melhore a redação deste projeto.”<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Ele quer português do bom, correto,<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">flor do jardim do Lácio decantado.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Tudo isso para mim parece errado:<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">O que importa, de fato, no projeto,<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">direto ou não, é apenas o objeto,<br />
é</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">o tal sujeito oculto ou disfarçado.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Que importa na política a gramática,<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">A prosódia, a sintaxe, a sistemática,<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">todos esses troços complicados?</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Que importa, amigo, deixa esses defeitos.<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Valem mais em política os sujeitos<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">E valem muito pouco os predicados.</font></font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Este era o Nonato Marques, inteligente, bem humorado e que nunca deixou de dar oportunidades tanto a jovens como a poetas já estabelecidos como também escrevia sobre os mesmos. Escreveu inúmeros prefácios, orelhas e artigos enaltecendo obras. Eu mesmo tive a felicidade de ser resenhado por ele, que com estilo elegante escreveu sobre dois de meus livros de poemas,<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> “Asas Para Amar” e “Estandarte”.<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> Certa feita, como fui fazer o lançamento destas obras em Queimadas, sua terra natal, ele fez questão de ir para lá para me receber, me<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> saudar<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> e me apresentar aos seus conterrâneos.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Nonato foi um homem marcante e teve uma vida pública marcante. Que o diga sua esposa, dona Maria Angélica Marques, seus filhos, netos e bisnetos. Que o diga seus amigos, pois inimigos não os teve.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">O escritor, político, engenheiro agrônomo e Poeta, com letra maiúscula, Antonio Nonato Marques, autor de “A Poesia era uma festa” (1996) era também um memorialista de mão cheia.</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;&#160;&#160; Em resumo, Antonio Nonato Marques nasceu na antiga Vila Bela de Santo Antonio das Queimadas, atual cidade de Queimadas – Bahia, no dia 27 de abril de 1910 e morreu no dia 5 de abril de 2006, ou sejam 22 dias antes de completar<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> 96 anos de idade. Fez seu curso elementar em sua cidade natal e o curso complementar na cidade de Alagoinhas.<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> Em 1924 começou a fazer exames preparatórios no antigo Ginásio da Bahia. Em 1934 prestou exame vestibular para a Escola Agrícola da Bahia, onde se diplomou tendo sido escolhido como orador da turma de Engenheiros Agrônomos de 1937.</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Como agrônomo ocupou muitos cargos inclusive o de Secretário da Agricultura e Comércio da Bahia e Presidente do Instituto Baiano do Fumo entre outros. Foi deputado estadual pela “coligação baiana” (PSD/PTB) eleito em 1950 e deputado federal em 1954 pelo PSD (Partido Social Democrático) tendo se reelegido para mais dois mandatos na Câmara Federal, em 1961 e 1964. Permaneceu na Câmara Federal até 1967, quando se afastou definitivamente da política. Depois passou a se dedicar a funções ligadas à sua profissão de agrônomo.&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt" face="Times New Roman">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Como escritor e poeta colaborou em diversos jornais e revistas do estado e do País, com artigos técnicos e literários. As suas produções na imprensa diária ou periódica dariam para formar livros sobre assuntos diversos. Durante oito anos consecutivos foi responsável pela seção de agricultura e pecuária do jornal A Tarde, tendo editado boletins técnicos e informativos das entidades autárquicas, fundações e associativas a que serviu. Como jornalista desempenhou ainda as seguintes funções, em 1939,<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> “Chefe do Serviço de Publicidade do Instituto Bahiano do Fumo, tendo sido na oportunidade também o redator-chefe do Boletim Informativo daquela autarquia e diretor da revista “Bahia Rural”. Em 1941 com a criação do departamento de Assistência ao Cooperativismo foi designado como responsável da Seção de Propaganda e Divulgação, tendo sob sua responsabilidade a revista “COOP” que ali era editada. Posteriormente, em 1942 assumiu a diretoria do Departamento de Assistência ao Cooperativismo. Em 1945<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> foi nomeado pela primeira vez Secretário da Agricultura, e logo em seguida Diretor da Escola de Agronomia, em Cruz das Almas. Foi ainda Inspetor Geral do Trânsito (1947), Presidente do Instituto Baiano do Fumo (1941 a 1951); Presidente da Comissão Estadual de Preço (1951 a 1952), Eleito deputado estadual em 1950 foi nomeado Secretário da Agricultura em 1951. Além destas funções, ele<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> exerceu várias outras, como também integrou várias comissões e conselhos<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> além de ter sido presidente do Conselho Administrativo da Caixa Econômica Federal.&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt" face="Times New Roman">&#160;&#160;&#160;</font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Na área acadêmica foi diretor da Escola de Agronomia de Cruz das Almas e fundador da Faculdade de Medicina Veterinária da UFBA. Em sua homenagem, a EBDA – Empresa Bahiana de Desenvolvimento Agropecuário, mantém, aqui em Salvador, no bairro da Ondina, um herbário com seu nome e que foi fundado em 1952 com um acervo de 13 mil espécies.</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Nonato Marques integrou ainda as seguintes entidades:<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> Associação dos Engenheiros Agrônomos da Bahia, Sindicato dos Engenheiros da Bahia, Associação Baiana de Imprensa (ABI), Instituto Geográfico e Histórico da Bahia. Foi também membro fundador da Academia de Artes e Letras do Salvador – ALAS, da qual nunca deixou de manifestar orgulho por integrá-la.</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;&#160;&#160; Esta ALAS também se sente honrada, permito-me a ousadia de falar em nome de todos os seus membros,<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> em ter tido entre seus fundadores um dos mais brilhantes poetas baianos do século XX: Antonio Nonato Marques, o Marquês das Laranjeiras, O poeta da Baixinha, hoje um Nonato Encantado.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">A atividade literária, sobretudo na área da criação poética, iniciada na adolescência, o acompanhou<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> por toda a vida. Em poesia publicou:<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> “Poemas de meu enlevo”, “Poemas do Céu e da Terra”, “Tempo de Poesia”, “A poesia era uma festa”, “Os dois últimos poetas da Baixinha”, em parceria com o também poeta Bráulio de Abreu. Na prosa, destacam-se: “O Lado verde da vida”, “Dom Pedro I e seus amores”, “Pinga-Fogo”, “Santo Antonio das Queimadas” e “Uma Porta para Canudos”. Escreveu duas peças para teatro: “A Procura de Marido” e “O Gigante também tem asas”, que foram encenadas em algumas cidades baianas. Deixou inédito o livro “Crônicas Rurais” que a ALAS poderia tomar a iniciativa, fica registrado aqui a proposta, de tentar publicá-lo ou encontrar um patrocínio neste sentido. Outras produções literárias de Nonato Marques foram também publicadas em revistas e jornais do sul do país. E a respeito desses trabalhos existe uma grande fortuna crítica.</font></font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Na área de estudos técnicos vinculados à agronomia destacam-se títulos como: “Geografia do Fumo na Bahia”, “Iniciação Cooperativista” , “Pessoas, Plantas e Animais” e monografias técnicas como “O Sisal na Bahia” e “O Umbuzeiro”.&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt" face="Times New Roman">&#160;&#160;&#160;</font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Falar sobre Nonato Marque é falar sobre uma parte da história da vida literária da Bahia e sendo assim, não podemos deixar de destacar o seu papel<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> como membro do Grupo de Poetas da Baixinha. A denominação de Baixinha, era porque o Café Progresso, onde jovens poetas-boêmios se encontravam,<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> estava situado próximo a um larguinho, de onde despontam as ladeiras do Carmo, do Passo e do Pelourinho, e que liga a Baixa dos Sapateiros ao Taboão.</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">O Grupo da Baixinha, que<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> tinha como mecenas Raimundo Pena Forte, era formado por rapazes de 18 a 21 anos de idade, boêmios talentosos que passavam todo o tempo improvisando e escrevendo literatura em cafés e bares da cidade. O grupo da Baixinha freqüentava o Café Progresso até o horário de saída do último bonde. Fizeram parte do Grupo da Baixinha: Alves Ribeiro, Aníbal Rocha, Amphilophio Britto, Ângelo Brandão Donatti, Bráulio de Abreu, Clodoaldo Milto, Dagmar Pinto, De Souza Aguiar, Epaminondas Pontes, Elpídio Bastos, Egberto de Campos Ribeiro, Honorato Gomes, Leite Filho, Nonato Marques, Otto Bittencourt Sobrinho, Pereira Reis Júnior, Pinheiro Viegas, Raimundo Penna Forte, Samuel de Brito Filho, Wasny Casaes e Zaluar de Carvalho. O Grupo da Baixinha era conservador e seus integrantes cultivavam o verso rigorosamente metrificado, no melhor estilo parnasiano.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman"><font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font><font style="mso-tab-count: 1">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font></font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; O Grupo foi responsável pelo lançamento da revista SAMBA que marcou época e presença na história da vida literária baiana dos anos vinte do século passado. Graças ao Conselho de Cultura do Estado da Bahia recentemente saiu publicada uma edição facsimilada da mesma. A revista mensal Samba foi a primeira de feição modernista a ser editada na Bahia, sendo, portanto, precursora da revista<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> Arco &#38; Flexa, liderada pelo poeta e crítico Carlos Chiacchio.</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Segundo depoimento de Nonato Marques, no livro “A poesia era uma festa”, “Samba era uma revista modesta composta em papel jornal. Foram publicados apenas quatro números. A revista teve vida efêmera como os cometas, porém, mesmo assim, deixou um traço luminoso na história da vida literária”.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Nonato Marques registrou, no livro “A poesia era uma festa”, publicado em 1994,<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> o seu tempo poético de vida com as seguintes e precisas<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> palavras:&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">“No meu tempo a poesia fazia parte do cotidiano da vida da província. Vale dizer: habitava a idade dos homens e como eles conviviam no seu dia-a-dia, através da leitura de revistas e jornais que lhe abriam espaços generosos. A poesia se misturava com as pessoas, alegrando-as, divertindo-as, animando-lhes as festas cívicas e particulares, conquistando-as de tal maneira que era muito raro encontrar alguém, ainda que medianamente instruído que não soubesse de cor alguns versos de sua predileção”.&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;&#160;&#160;</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Nonato nos deixou um legado como obras. Deixou também viúva, dona Maria Angélica Marques, sete filhos, 13 netos e quatros bisnestos, a quem estendo esta homenagem com a palavra de muito obrigado, por ter ajudado na edificação da obra deste poeta encantado. Para finalizar vou recitar<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> alguns poema do POETA NONATO MARQUES:</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><b style="mso-bidi-font-weight: normal"><u><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">DESPEDIDA</font></font></u></b><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman"><font style="mso-spacerun: yes">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Foi bem ali naquela ponte estreita<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">- em tudo a um cromo antigo parecida –<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">que ela tristonha e um tanto contrafeita<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">levou-me seu adeus de despedida.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Entre meus braços tensos envolvida,<br />
ela por entre lágrimas desfeita<br />
maldizia a desdita da partida<br />
que ia forçada a viver insatisfeita.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Era a separação. Era a distância.<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Era a ausência cruel – próxima e expressa –<br />
que violentava um grande amor de infância.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Pelo meu rosto junto a minha fronte<br />
as lágrimas corriam mais depressa<br />
do que a água que corria sob a ponte...</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman"><font style="mso-spacerun: yes">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font></font></font>
<p>&#160;</p>
<font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><b style="mso-bidi-font-weight: normal"><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font></b><b style="mso-bidi-font-weight: normal"><u><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">BONECA</font></font></u></b><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman"><font style="mso-spacerun: yes">&#160;&#160;&#160;&#160;</font></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Porque ela é tão pequena e tão franzina<br />
até receio quando alguém nos vê<br />
beijar suas mãositas de musmê<br />
ante seus olhos grandes de menina.<br />
<br />
Ela parece assim (não sei porquê)<br />
tendo uma boca rubra e pequenina,<br />
uma boneca original da China<br />
que ri e dança namora e lê.<br style="mso-special-character: line-break" />
<br style="mso-special-character: line-break" /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Tenho receio de tocar de leve<br />
aquela alvinha como a neve,<br />
aquela carne tentadora e louca.<br style="mso-special-character: line-break" />
<br style="mso-special-character: line-break" /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Se beijo-a muito, tenho muita pena<br />
porque ela é tão franzina e tão pequena<br />
que o meu beijo mau cabe em sua boca.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><b style="mso-bidi-font-weight: normal"><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font></b><b style="mso-bidi-font-weight: normal"><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font></b>&#160;<b style="mso-bidi-font-weight: normal"><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Trecho de um outro poema referindo-se à época em que a poesia era uma festa:</font></font></b><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">“...os rapazes boêmios daqueles<br />
tempos perambulavam a declamar<br />
pelas ruas tortuosas e<br />
enladeiradas de Salvador,<br />
até altas horas da noite,<br />
dentro da qual sibilava ,<br />
a intervalos, o apito do guarda<br />
noturno e se ouvia o grito<br />
dolente e comprido<br />
da negra do acarajé.”</font></font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;&#160;&#160;&#160;</font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Salve Nonato Marques, o Marquês das Laranjeiras, o mais novo Poeta Encantado da Bahia!</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Muito obrigado.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Outono de 2006, Salvador, 12/06/2006.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p><b style="mso-bidi-font-weight: normal"><u><font style="FONT-SIZE: 18pt"><font face="Times New Roman">NONATO MARQUES, O POETA DA BAIXINHA</font></font></u></b></p>
<p><b style="mso-bidi-font-weight: normal"><u><font style="FONT-SIZE: 18pt"><font face="Times New Roman"><?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /?><br />
</font></font></u></b><font face="Times New Roman" size="3">&#160;(</font><b style="mso-bidi-font-weight: normal"><font size="3"><font face="Times New Roman">Palavras pronunciadas pelo Acadêmico Sérgio Mattos em homenagem a Antonio Nonato Marques, na Sessão Saudade promovida pela ALAS – Academia de Letras e Artes do Salvador, no dia 12 de junho de 2006).</font></font></b><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Meus confrades, minhas confreiras,</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">meus senhores, minhas senhoras,</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">parentes do homenageado:</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt" face="Times New Roman">&#160;&#160;&#160;&#160;</font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Como epigrafe do resumo de seu curriculum vitae, intitulado por ele mesmo como “Síntese de uma vida”, Nonato Marques escolheu uma citação de Leon Dénis que se aplica e muito bem para a homenagem que lhe prestamos na noite de hoje. Senão vejamos:</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman"><font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font>“Cada um constrói, dia por dia, hora por hora, muitas vezes sem mesmo o saber, seu próprio futuro. A sorte que nos cabe na vida atual foi preparada pelas nossas ações anteriores, da mesma forma edificamos no presente as condições da existência”.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt" face="Times New Roman">&#160;&#160;&#160;</font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">É isso mesmo Nonato Marques, você soube, ao longo de 96 anos bem vividos, construir a poesia que foi a sua vida, no dia-a-dia, tecendo, laboriosamente os caminhos e as edificações de sua existência. Ao escolher a poesia como arte para transmitir seus sentimentos e observações, você metrificou suavemente o seu viver diário, com o ritmo e a sonoridade das palavras trabalhadas como se jóias fossem, marcando o seu compasso, suas ações e determinando o futuro que você ainda terá na história da vida literária baiana.</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Ao optar pela carreira agronômica, você fez a escolha pelo meio ambiente, pela natureza, pela preservação da vida, pela ecologia. Não deixou aqui também de ser poeta. Isto porque ao fazer a opção profissional de trabalhar com os quatro elementos – terra, ar, água e fogo – você se aproximou mais ainda do sentido da própria vida, da necessidade do registro, do resgate e da preservação da natureza e do próprio homem.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Ao exercer cargos públicos, inclusive eletivos, você demonstrou sua capacidade de contribuir pela edificação de um mundo melhor, pelo menos aquele sonhado pelo poeta que você foi e continuará sendo, buscando encontrar as alternativas necessárias para a melhoria do nosso povo, sertanejo e sofrido.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt">&#160;&#160;&#160;&#160;</font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Como homem deixou sua marca, registrando sua passagem, sua existência nesta terra: Pensou e escreveu inúmeros livros e trabalhos, repercutindo sua experiência de vida e transmitindo conhecimentos para as novas gerações. Viveu seu tempo, quase um século, e nele deixou sua marca. Plantou não uma, mas inúmeras árvores. Deixou uma extensa prole e inúmeros amigos que saberão reproduzir sua obra que haverá de permanecer porque tem um cunho universal.</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">É isso Nonato Marques, você foi um homem e um amigo leal, mas também um Grande Poeta. Você já não é mais do Grupo da Baixinha, pois a partir de agora passou a integrar o Grupo dos Poetas Encantados, como Castro Alves, Drumonnd, Bandeira e muitos outros.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Ao poeta Antonio Nonato Marques, ocupante da cadeira nº 40, dessa ALAS que tem como patrono Guilard Muniz, que foi o grande jardineiro de Salvador, é dedicada esta sessão especial, que com muita propriedade é intitulada Sessão Saudade.</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;&#160;&#160;&#160; Coube-me a missão de falar sobre o poeta, meu amigo por mais de 35 anos e por quem desenvolvi profunda admiração.</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Conheci Nonato Marques pessoalmente quando, no início da década de 70, editando o suplemento “Jornal de Utilidades”, um dos projetos editoriais que desenvolvi para o Jornal A TARDE, ele comparecia semanalmente para levar sua contribuição para o caderno: o conteúdo de nossa página agrícola. Com uma voz grave e empostada, com os olhos pequenos e faiscantes de inteligência, Nonato me passava os artigos e as notícias com as quais eu deveria editar a página agrícola. Ele sempre manifestava sua opinião e recomendava o que era mais importante a ser destacado na página, com a autoridade de quem havia sido o homem responsável pelo desenvolvimento da agricultura do estado da Bahia.</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Foi a partir destes encontros semanais que surgiu nossa amizade. Mais tarde, a partir de 1985, quando à frente de outros projetos editoriais de A Tarde, os suplementos A Tarde Municípios e<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> A Tarde Rural, dos quais também fui idealizador e editor, Nonato se aproximou mais ainda. Aí já não colaborava apenas no suplemento rural, mas também com seus artigos e crônicas que publicávamos <?xml:namespace prefix = st1 ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags" /?><br />
em A Tarde Municípios, sempre abordando temas de interesse regionais, fossem eles sobre economia agrícola, ou<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> de resgate da cultura da região sisaleira. Não faltavam, naturalmente, seus poemas e artigos sobre Santo Antônio de Queimadas e muitas outras histórias.</font></font> <font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Ele não se satisfazia apenas com o fato de entregar pessoalmente o artigo em minhas nas mãos. Ele queria ter a certeza de que o editor-amigo iria lê-lo antes de publicá-lo e, para não deixar dúvidas sobre isto, levava-me a um canto da sala da redação, onde com sua voz empolgada, lia o texto em voz alta, dando a ênfase necessária às palavras ou trechos que achava serem os mais importantes. Isso sem contar com os poemas de época. Ele não deixava passar uma data importante (Dia das Mães, Dia dos Pais, da Criança, Natal, Quaresma etc) sem levar um poema com a temática do dia, sempre tentando garantir sua publicação, não importava onde, em que caderno, o importante é que fosse publicado. Se não conseguia espaço no caderno Cultural ou no Caderno 2 de A Tarde, me procurava e quando possível eu publicava suas colaborações tanto em Municípios como em Rural.&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;&#160;</font></font> <font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Só no período em que fui editor de A Tarde Municípios e de A Tarde Rural, convivi com a visita semanal de Nonato por mais de 18 anos, entre 1985 a 2003. Esta convivência foi ampliada a partir do ano de 1999, quando começamos, no salão de festas do prédio do acadêmico Rozendo Ferreira, as reuniões semanais que deliberaram a constituição desta ALAS –Academia de Letras e Artes do Salvador, instalada oficialmente em dezembro daquele mesmo ano e da qual tive a honra de ter sido o primeiro presidente. Nonato Marques esteve presente desde os primeiros momentos da constituição desta ALAS, só faltando às reuniões por motivo de força maior.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Nonato Marques era assim, de uma simplicidade sem par e ao mesmo tempo um homem persistente, seguro do que queria e brilhante no que fazia. Era também um excelente orador e crítico literário além de sentir muito orgulho sobre o que escrevia, valorizando ainda mais a publicação dos seus textos.</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;&#160;&#160; Como orador destacou-se na Câmara Federal ao lado de parlamentares e grandes oradores como o velho Mangabeira, Artur Bernardes, Afonso Arinos, Aliomar Baleeiro, Nestor Duarte e Carlos Lacerda, entre outros tão famosos quanto estes.</font></font> <font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Nonato Marques nos contou, com uma dose de ironia e muito humor, em palestra aqui realizada, sob o título de “Pinga Fogo”, apelido dado às sessões do pequeno-expediente da Câmara dos Deputados devido à irreverência parlamentar, como se deu sua estréia na tribuna da Câmara Federal:</font></font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;<br />
&#160;&#160;&#160;&#160;</font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">“Naquele recinto heráldico e cintilante, eu – pobre provinciano egresso das caatingas, sentia-me mais insignificante do que uma ameba. A minha constante e invencível timidez matuta se apoderou de mim com todo o peso de sua contenção insuportável. Mas, era preciso falar, dizer alguma coisa, desembuchar, enfim. A muito custo arranjei uma vaga para falar no grande–expediente. Logo no grande-expediente, onde o orador fica no alto, por conseguinte mais exposto aos aplausos ou aos massacres. Antes, para amansar os nervos rebeldes, eu havia preparado o discurso no melhor estilo de que fui capaz, com todas as vírgulas e acentos no lugar, caprichando no português à moda de Coimbra, mas uma surpresa desagradável me espreitava: na hora aprazada subi à tribuna como quem vai para um patíbulo. Do plenário, os olhares que para mim se dirigiam eram como se fossem farpas a me estraçalharem o coração. Proferi as saudações protocolares: Senhor Presidente, senhores deputados. Puxei do bolso o calhamaço. Procurei os óculos. Onde estavam os óculos? Apalpei os bolsos, nada. Na afobação, havia esquecido em casa os meus protetores visuais. Descer da tribuna seria um fiasco. De repente, não mais que de repente, uma reação raivosa se apoderou de mim e devolvendo ao bolso o papelório, fui forçado a falar sem as muletas escritas que eu havia cuidadosamente preparado. Quando terminei e desci da tribuna estava alagado de suor. Havia saído da maior batalha íntima que travei em toda a minha vida. Isto me fez lembrar Camões, quando o genial caolho adverte: ‘que o outeiro é mais fácil de descer do que de subir’. E a tribuna também.”</font></font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Ainda na Câmara Federal Nonato Marques praticou o que ele mais gostava de fazer: versos, sonetos satíricos ou epigramáticos, mas sem o propósito pejorativo. Durante as longas sessões de discursos na Câmara, para passar ou matar o tempo ele escrevia sonetos e se escondia por trás de um pseudônimo: Marquês das Laranjeiras. Marquês, segundo ele, derivado de Marques, seu nome de família, e Laranjeiras, proveniente do bairro em que residia no Rio de Janeiro. Dentre os muitos sonetos satíricos de Nonato Marques ou Marquês das Laranjeiras destaco dois, escritos em 1956 durante o desenrolar de sessões agitadas:</font></font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Está aberta a sessão. O presidente<br />
toca a sineta. Há número na casa.<br />
O</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">secretário lê todo o expediente<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">e a águia do verbo sobre nós abre a asa.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Depois há sururu&#8230;o verbo abrasa.<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Há sempre, cada dia, um bom valente<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">que desafia, esbraveja e arrasa<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">a paciência e o humor de toda gente.</font></font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Ninguém briga, afinal. É só arrelia.<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Há uma turma do deixa-disso atenta,<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">que acaba de mansinho a valentia.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Depois se vota. Tudo entra nos trilhos.<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Vai se votando no levanta e senta<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">No vai e vem solene dos fundilhos.</font></font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Um outro soneto satírico do Marquês das Laranjeiras foi inspirado numa intervenção do então deputado Adauto Lúcio Cardoso ao dar um voto favorável a um projeto, recomendando que fosse melhorada sua redação final:</font></font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Diz o Adauto: “Eu espero que o Senado<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">melhore a redação deste projeto.”<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Ele quer português do bom, correto,<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">flor do jardim do Lácio decantado.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Tudo isso para mim parece errado:<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">O que importa, de fato, no projeto,<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">direto ou não, é apenas o objeto,<br />
é</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">o tal sujeito oculto ou disfarçado.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Que importa na política a gramática,<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">A prosódia, a sintaxe, a sistemática,<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">todos esses troços complicados?</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Que importa, amigo, deixa esses defeitos.<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Valem mais em política os sujeitos<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">E valem muito pouco os predicados.</font></font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Este era o Nonato Marques, inteligente, bem humorado e que nunca deixou de dar oportunidades tanto a jovens como a poetas já estabelecidos como também escrevia sobre os mesmos. Escreveu inúmeros prefácios, orelhas e artigos enaltecendo obras. Eu mesmo tive a felicidade de ser resenhado por ele, que com estilo elegante escreveu sobre dois de meus livros de poemas,<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> “Asas Para Amar” e “Estandarte”.<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> Certa feita, como fui fazer o lançamento destas obras em Queimadas, sua terra natal, ele fez questão de ir para lá para me receber, me<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> saudar<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> e me apresentar aos seus conterrâneos.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Nonato foi um homem marcante e teve uma vida pública marcante. Que o diga sua esposa, dona Maria Angélica Marques, seus filhos, netos e bisnetos. Que o diga seus amigos, pois inimigos não os teve.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">O escritor, político, engenheiro agrônomo e Poeta, com letra maiúscula, Antonio Nonato Marques, autor de “A Poesia era uma festa” (1996) era também um memorialista de mão cheia.</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;&#160;&#160; Em resumo, Antonio Nonato Marques nasceu na antiga Vila Bela de Santo Antonio das Queimadas, atual cidade de Queimadas – Bahia, no dia 27 de abril de 1910 e morreu no dia 5 de abril de 2006, ou sejam 22 dias antes de completar<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> 96 anos de idade. Fez seu curso elementar em sua cidade natal e o curso complementar na cidade de Alagoinhas.<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> Em 1924 começou a fazer exames preparatórios no antigo Ginásio da Bahia. Em 1934 prestou exame vestibular para a Escola Agrícola da Bahia, onde se diplomou tendo sido escolhido como orador da turma de Engenheiros Agrônomos de 1937.</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Como agrônomo ocupou muitos cargos inclusive o de Secretário da Agricultura e Comércio da Bahia e Presidente do Instituto Baiano do Fumo entre outros. Foi deputado estadual pela “coligação baiana” (PSD/PTB) eleito em 1950 e deputado federal em 1954 pelo PSD (Partido Social Democrático) tendo se reelegido para mais dois mandatos na Câmara Federal, em 1961 e 1964. Permaneceu na Câmara Federal até 1967, quando se afastou definitivamente da política. Depois passou a se dedicar a funções ligadas à sua profissão de agrônomo.&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt" face="Times New Roman">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Como escritor e poeta colaborou em diversos jornais e revistas do estado e do País, com artigos técnicos e literários. As suas produções na imprensa diária ou periódica dariam para formar livros sobre assuntos diversos. Durante oito anos consecutivos foi responsável pela seção de agricultura e pecuária do jornal A Tarde, tendo editado boletins técnicos e informativos das entidades autárquicas, fundações e associativas a que serviu. Como jornalista desempenhou ainda as seguintes funções, em 1939,<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> “Chefe do Serviço de Publicidade do Instituto Bahiano do Fumo, tendo sido na oportunidade também o redator-chefe do Boletim Informativo daquela autarquia e diretor da revista “Bahia Rural”. Em 1941 com a criação do departamento de Assistência ao Cooperativismo foi designado como responsável da Seção de Propaganda e Divulgação, tendo sob sua responsabilidade a revista “COOP” que ali era editada. Posteriormente, em 1942 assumiu a diretoria do Departamento de Assistência ao Cooperativismo. Em 1945<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> foi nomeado pela primeira vez Secretário da Agricultura, e logo em seguida Diretor da Escola de Agronomia, em Cruz das Almas. Foi ainda Inspetor Geral do Trânsito (1947), Presidente do Instituto Baiano do Fumo (1941 a 1951); Presidente da Comissão Estadual de Preço (1951 a 1952), Eleito deputado estadual em 1950 foi nomeado Secretário da Agricultura em 1951. Além destas funções, ele<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> exerceu várias outras, como também integrou várias comissões e conselhos<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> além de ter sido presidente do Conselho Administrativo da Caixa Econômica Federal.&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt" face="Times New Roman">&#160;&#160;&#160;</font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Na área acadêmica foi diretor da Escola de Agronomia de Cruz das Almas e fundador da Faculdade de Medicina Veterinária da UFBA. Em sua homenagem, a EBDA – Empresa Bahiana de Desenvolvimento Agropecuário, mantém, aqui em Salvador, no bairro da Ondina, um herbário com seu nome e que foi fundado em 1952 com um acervo de 13 mil espécies.</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Nonato Marques integrou ainda as seguintes entidades:<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> Associação dos Engenheiros Agrônomos da Bahia, Sindicato dos Engenheiros da Bahia, Associação Baiana de Imprensa (ABI), Instituto Geográfico e Histórico da Bahia. Foi também membro fundador da Academia de Artes e Letras do Salvador – ALAS, da qual nunca deixou de manifestar orgulho por integrá-la.</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;&#160;&#160; Esta ALAS também se sente honrada, permito-me a ousadia de falar em nome de todos os seus membros,<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> em ter tido entre seus fundadores um dos mais brilhantes poetas baianos do século XX: Antonio Nonato Marques, o Marquês das Laranjeiras, O poeta da Baixinha, hoje um Nonato Encantado.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">A atividade literária, sobretudo na área da criação poética, iniciada na adolescência, o acompanhou<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> por toda a vida. Em poesia publicou:<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> “Poemas de meu enlevo”, “Poemas do Céu e da Terra”, “Tempo de Poesia”, “A poesia era uma festa”, “Os dois últimos poetas da Baixinha”, em parceria com o também poeta Bráulio de Abreu. Na prosa, destacam-se: “O Lado verde da vida”, “Dom Pedro I e seus amores”, “Pinga-Fogo”, “Santo Antonio das Queimadas” e “Uma Porta para Canudos”. Escreveu duas peças para teatro: “A Procura de Marido” e “O Gigante também tem asas”, que foram encenadas em algumas cidades baianas. Deixou inédito o livro “Crônicas Rurais” que a ALAS poderia tomar a iniciativa, fica registrado aqui a proposta, de tentar publicá-lo ou encontrar um patrocínio neste sentido. Outras produções literárias de Nonato Marques foram também publicadas em revistas e jornais do sul do país. E a respeito desses trabalhos existe uma grande fortuna crítica.</font></font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Na área de estudos técnicos vinculados à agronomia destacam-se títulos como: “Geografia do Fumo na Bahia”, “Iniciação Cooperativista” , “Pessoas, Plantas e Animais” e monografias técnicas como “O Sisal na Bahia” e “O Umbuzeiro”.&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt" face="Times New Roman">&#160;&#160;&#160;</font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Falar sobre Nonato Marque é falar sobre uma parte da história da vida literária da Bahia e sendo assim, não podemos deixar de destacar o seu papel<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> como membro do Grupo de Poetas da Baixinha. A denominação de Baixinha, era porque o Café Progresso, onde jovens poetas-boêmios se encontravam,<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> estava situado próximo a um larguinho, de onde despontam as ladeiras do Carmo, do Passo e do Pelourinho, e que liga a Baixa dos Sapateiros ao Taboão.</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">O Grupo da Baixinha, que<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> tinha como mecenas Raimundo Pena Forte, era formado por rapazes de 18 a 21 anos de idade, boêmios talentosos que passavam todo o tempo improvisando e escrevendo literatura em cafés e bares da cidade. O grupo da Baixinha freqüentava o Café Progresso até o horário de saída do último bonde. Fizeram parte do Grupo da Baixinha: Alves Ribeiro, Aníbal Rocha, Amphilophio Britto, Ângelo Brandão Donatti, Bráulio de Abreu, Clodoaldo Milto, Dagmar Pinto, De Souza Aguiar, Epaminondas Pontes, Elpídio Bastos, Egberto de Campos Ribeiro, Honorato Gomes, Leite Filho, Nonato Marques, Otto Bittencourt Sobrinho, Pereira Reis Júnior, Pinheiro Viegas, Raimundo Penna Forte, Samuel de Brito Filho, Wasny Casaes e Zaluar de Carvalho. O Grupo da Baixinha era conservador e seus integrantes cultivavam o verso rigorosamente metrificado, no melhor estilo parnasiano.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman"><font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font><font style="mso-tab-count: 1">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font></font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; O Grupo foi responsável pelo lançamento da revista SAMBA que marcou época e presença na história da vida literária baiana dos anos vinte do século passado. Graças ao Conselho de Cultura do Estado da Bahia recentemente saiu publicada uma edição facsimilada da mesma. A revista mensal Samba foi a primeira de feição modernista a ser editada na Bahia, sendo, portanto, precursora da revista<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> Arco &amp; Flexa, liderada pelo poeta e crítico Carlos Chiacchio.</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Segundo depoimento de Nonato Marques, no livro “A poesia era uma festa”, “Samba era uma revista modesta composta em papel jornal. Foram publicados apenas quatro números. A revista teve vida efêmera como os cometas, porém, mesmo assim, deixou um traço luminoso na história da vida literária”.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Nonato Marques registrou, no livro “A poesia era uma festa”, publicado em 1994,<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> o seu tempo poético de vida com as seguintes e precisas<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> palavras:&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">“No meu tempo a poesia fazia parte do cotidiano da vida da província. Vale dizer: habitava a idade dos homens e como eles conviviam no seu dia-a-dia, através da leitura de revistas e jornais que lhe abriam espaços generosos. A poesia se misturava com as pessoas, alegrando-as, divertindo-as, animando-lhes as festas cívicas e particulares, conquistando-as de tal maneira que era muito raro encontrar alguém, ainda que medianamente instruído que não soubesse de cor alguns versos de sua predileção”.&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;&#160;&#160;</font></font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Nonato nos deixou um legado como obras. Deixou também viúva, dona Maria Angélica Marques, sete filhos, 13 netos e quatros bisnestos, a quem estendo esta homenagem com a palavra de muito obrigado, por ter ajudado na edificação da obra deste poeta encantado. Para finalizar vou recitar<font style="mso-spacerun: yes">&#160;</font> alguns poema do POETA NONATO MARQUES:</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><b style="mso-bidi-font-weight: normal"><u><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">DESPEDIDA</font></font></u></b><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman"><font style="mso-spacerun: yes">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Foi bem ali naquela ponte estreita<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">- em tudo a um cromo antigo parecida –<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">que ela tristonha e um tanto contrafeita<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">levou-me seu adeus de despedida.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Entre meus braços tensos envolvida,<br />
ela por entre lágrimas desfeita<br />
maldizia a desdita da partida<br />
que ia forçada a viver insatisfeita.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Era a separação. Era a distância.<br /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Era a ausência cruel – próxima e expressa –<br />
que violentava um grande amor de infância.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Pelo meu rosto junto a minha fronte<br />
as lágrimas corriam mais depressa<br />
do que a água que corria sob a ponte&#8230;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman"><font style="mso-spacerun: yes">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;</font></font></font></p>
<p>&#160;</p>
<p><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><b style="mso-bidi-font-weight: normal"><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font></b><b style="mso-bidi-font-weight: normal"><u><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">BONECA</font></font></u></b><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman"><font style="mso-spacerun: yes">&#160;&#160;&#160;&#160;</font></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Porque ela é tão pequena e tão franzina<br />
até receio quando alguém nos vê<br />
beijar suas mãositas de musmê<br />
ante seus olhos grandes de menina.</p>
<p>Ela parece assim (não sei porquê)<br />
tendo uma boca rubra e pequenina,<br />
uma boneca original da China<br />
que ri e dança namora e lê.<br style="mso-special-character: line-break" /><br />
<br style="mso-special-character: line-break" /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Tenho receio de tocar de leve<br />
aquela alvinha como a neve,<br />
aquela carne tentadora e louca.<br style="mso-special-character: line-break" /><br />
<br style="mso-special-character: line-break" /></font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Se beijo-a muito, tenho muita pena<br />
porque ela é tão franzina e tão pequena<br />
que o meu beijo mau cabe em sua boca.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><b style="mso-bidi-font-weight: normal"><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font></b><b style="mso-bidi-font-weight: normal"><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font></b>&#160;<b style="mso-bidi-font-weight: normal"><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Trecho de um outro poema referindo-se à época em que a poesia era uma festa:</font></font></b><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">“&#8230;os rapazes boêmios daqueles<br />
tempos perambulavam a declamar<br />
pelas ruas tortuosas e<br />
enladeiradas de Salvador,<br />
até altas horas da noite,<br />
dentro da qual sibilava ,<br />
a intervalos, o apito do guarda<br />
noturno e se ouvia o grito<br />
dolente e comprido<br />
da negra do acarajé.”</font></font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;</font><font face="Times New Roman" size="3">&#160;&#160;&#160;&#160;</font> <font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Salve Nonato Marques, o Marquês das Laranjeiras, o mais novo Poeta Encantado da Bahia!</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Muito obrigado.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">Outono de 2006, Salvador, 12/06/2006.</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font><font style="FONT-SIZE: 14pt"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font>
</div>
<div></div>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>FOLHA DE S.PAULO COMENTA MIDIA CONTROLADA</title>
		<link>http://smattos.blog.com/2006/01/19/folha-de-spaulo-comenta-midia-controlada/</link>
		<comments>http://smattos.blog.com/2006/01/19/folha-de-spaulo-comenta-midia-controlada/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 19 Jan 2006 09:34:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>smattos</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">&#160;</span></p>
<p><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">&#160;</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">&#160;</span></p>
<p><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">&#160;</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">&#160;</span></p>
<p><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">&#160;</span></p>
<h1 style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-WEIGHT: normal; FONT-SIZE: 13.5pt; COLOR: navy">CRÍTICA/LITERATURA</span> <span style="COLOR: black"><br /></span><font size="2">&#160;Publicado no Caderno Folha Ilustrada, pág. 02, no dia 02/01/2006.</font></h1>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="COLOR: black"><br /></span><font face="Times New Roman"><b><span style="FONT-SIZE: 18pt; COLOR: black">Livro acende o necessário debate em torno da censura</span></b> </font></p>
<p><font face="Times New Roman"><span style="COLOR: black">&#160;</span></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><b><span style="COLOR: black"><font face="Times New Roman" size="3">CARLOS EDUARDO LINS DA SILVA</font></span></b> <span style="COLOR: black"><br /></span><font face="Times New Roman"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: black">ESPECIAL PARA A <b>FOLHA</b></span></font></p>
<p><font face="Times New Roman"><span style="COLOR: black"><font size="3">&#160;</font></span></font></p>
<p class="MsoBodyText" style="MARGIN: auto 0cm" align="justify"><font face="Times New Roman" size="3">A liberdade de expressão é uma das mais importantes conquistas democráticas da história. Todos os países do mundo passaram a maior parte de sua história sem desfrutar desse bem, atualmente considerado indispensável para o convívio social construtivo.<br />
Os brasileiros conquistaram esse direito há muito pouco tempo. Mesmo assim, ele ainda sofre ameaças graves, como se percebe em diversas iniciativas de poderes políticos diversos com o objetivo de restringi-lo ou mesmo eliminá-lo simplesmente.<br />
O jornalista e professor Sérgio Mattos acaba de lançar um livro de extrema utilidade para a preservação dessa prerrogativa. Com extraordinário poder de concisão, ele traça em "Mídia Controlada" um histórico abrangente da censura no Brasil e no mundo.<br />
Para demonstrar como é atual e necessário esse tipo de debate, Mattos abre o seu trabalho com exemplos muito recentes de tentativas de atentar contra a liberdade de expressão neste país por parte de instrumentos de Estado.<br />
Para não se ater ao Poder Executivo, origem das três situações citadas, Mattos talvez devesse ter incluído a ação de juízes, que têm determinado apreensão de livros e proibido a veiculação de informações sobre determinados temas em veículos jornalísticos.<br />
Mas isso, de modo algum, diminui a importância e a abrangência do estudo de Mattos, que analisa diversos países, inclusive os Estados Unidos, sociedade onde a liberdade de expressão talvez esteja mais enraizada e, mesmo assim, como mostra o autor, ainda sofre intimidações, como se observa desde o 11 de Setembro de 2001.<br />
No Brasil, apesar do artigo 220 da Constituição de 1988, formalmente continua a viger a Lei de Imprensa (a 5.520, de 1967) do regime militar.<br />
Embora tenha sido relegada à irrelevância, ela sobrevive e pode ser usada se alguém desejar fazer assim -como o presidente Fernando Collor de Mello (1990-1992) no processo que moveu contra Otavio Frias Filho, diretor de Redação da Folha, em 1991.<br />
Essa é uma das inúmeras demonstrações absurdas de como o emaranhado de leis cria obstáculos para a consolidação das instituições no país. É essa rede de conflitos e inoperância que permite a ocorrência de abusos desmedidos contra a liberdade de expressão, apesar do claro desejo dos constitucionalistas para que isso não acontecesse.<br />
Mattos discute se deve haver uma nova lei de imprensa. Cita os que alertam para o perigo de criar uma "indústria das indenizações" se o anteprojeto em debate no Congresso vier a ser aprovado com o texto atual.<br />
Talvez o mais recomendável seja simplesmente não haver nenhuma lei de imprensa. Que os excessos do usufruto da liberdade de expressão sejam punidos pela lei penal comum, que já prevê sanções a quem cometa calúnia, injúria e difamação.<br />
A experiência nacional é que a fartura de instrumentos legais, longe de auxiliar a sociedade, com freqüência a prejudica. Mattos se restringe em seu livro à ação do Estado no cerceamento (ou tentativa de) à liberdade de expressão.<br />
Poderia, se o quisesse, ampliar o espectro e analisar como a criação de oligopólios econômicos da iniciativa privada também coloca em risco esse direito.<br />
A convergência de meios de comunicação e a concentração setorial na economia se constituem em poderosos instrumentos capazes de ferir aos interesses da cidadania, como se tem visto em diversos incidentes nos EUA e em outros países.<br />
É legítimo, porém, o objetivo do autor de se ater apenas à relação entre Estado e meios de comunicação. Afinal, é ele quem tem o monopólio do poder de censura formal e é dele que, com freqüência, emanam os principais atentados à liberdade de expressão.<br />
O problema principal desse tema deriva do fato constatável e bastante humano de que todos são a favor da liberdade de expressão quando fazem o papel de estilingue, mas se sentem tentados a impedi-la quando passam à condição de vidraça.<br />
Raros são os que mantêm a coerência de princípios quando se sentem prejudicados pelo uso da liberdade de expressão. Esses, especialmente quando chegam à condição de governantes, são os grandes heróis desse direito.<br />
Felizmente, a sociedade brasileira teve a sorte e o engenho de ter contado com pessoas capazes desse prodígio no período em que os alicerces da democracia foram erguidos no fim da década de 80.<br />
Ainda há muito a ser feito para que todo o edifício democrático se consolide. Manter, expandir e garantir a liberdade de expressão é uma das tarefas mais fundamentais para tanto.<br />
Livros como o de Sérgio Mattos, capazes de motivar e ampliar o debate sobre esse tema, são instrumentos importantes para que isso ocorra.</font></p>
<div class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center" align="justify">
<hr align="center" width="100%" noshade="noshade" size="1" /></div>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: black"><font face="Times New Roman">Carlos Eduardo Lins da Silva é jornalista e diretor da Patri Relações Governamentais e Políticas Públicas</font></span></p>
<p><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: black"><font face="Times New Roman">&#160;</font></span></p>
<div class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center" align="center">
<hr align="center" width="100%" noshade="noshade" size="1" /></div>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: black"><font face="Times New Roman">Mídia Controlada - A História da Censura no Brasil e no Mundo<br /></font></span></b><font face="Times New Roman"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: black">&#160; &#160;&#160;<br />
<b>Autor:</b> Sérgio Mattos<br />
<b>Editora:</b> Paulus<br />
<b>Quanto:</b> R$ 30 (232 págs.)</span></font></p>
<p><font face="Times New Roman"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">&#160;</span></font></p>
<h1 style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font size="2">&#160;Publicado no Caderno Folha Ilustrada, pág. 02, no dia 02/01/2006.</font></h1>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font size="3"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font></p>
<p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt">&#160;</p>
<p><b><span style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial">&#160;</span></b></p>

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">&nbsp;</span></p>
<p><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">&nbsp;</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">&nbsp;</span></p>
<p><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">&nbsp;</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">&nbsp;</span></p>
<p><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">&nbsp;</span></p>
<h1 style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-WEIGHT: normal; FONT-SIZE: 13.5pt; COLOR: navy">CRÍTICA/LITERATURA</span> <span style="COLOR: black"><br /></span><font size="2">&nbsp;Publicado no Caderno Folha Ilustrada, pág. 02, no dia 02/01/2006.</font></h1>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="COLOR: black"><br /></span><font face="Times New Roman"><b><span style="FONT-SIZE: 18pt; COLOR: black">Livro acende o necessário debate em torno da censura</span></b> </font></p>
<p><font face="Times New Roman"><span style="COLOR: black">&nbsp;</span></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><b><span style="COLOR: black"><font face="Times New Roman" size="3">CARLOS EDUARDO LINS DA SILVA</font></span></b> <span style="COLOR: black"><br /></span><font face="Times New Roman"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: black">ESPECIAL PARA A <b>FOLHA</b></span></font></p>
<p><font face="Times New Roman"><span style="COLOR: black"><font size="3">&nbsp;</font></span></font></p>
<p class="MsoBodyText" style="MARGIN: auto 0cm" align="justify"><font face="Times New Roman" size="3">A liberdade de expressão é uma das mais importantes conquistas democráticas da história. Todos os países do mundo passaram a maior parte de sua história sem desfrutar desse bem, atualmente considerado indispensável para o convívio social construtivo.<br />
Os brasileiros conquistaram esse direito há muito pouco tempo. Mesmo assim, ele ainda sofre ameaças graves, como se percebe em diversas iniciativas de poderes políticos diversos com o objetivo de restringi-lo ou mesmo eliminá-lo simplesmente.<br />
O jornalista e professor Sérgio Mattos acaba de lançar um livro de extrema utilidade para a preservação dessa prerrogativa. Com extraordinário poder de concisão, ele traça em &#8220;Mídia Controlada&#8221; um histórico abrangente da censura no Brasil e no mundo.<br />
Para demonstrar como é atual e necessário esse tipo de debate, Mattos abre o seu trabalho com exemplos muito recentes de tentativas de atentar contra a liberdade de expressão neste país por parte de instrumentos de Estado.<br />
Para não se ater ao Poder Executivo, origem das três situações citadas, Mattos talvez devesse ter incluído a ação de juízes, que têm determinado apreensão de livros e proibido a veiculação de informações sobre determinados temas em veículos jornalísticos.<br />
Mas isso, de modo algum, diminui a importância e a abrangência do estudo de Mattos, que analisa diversos países, inclusive os Estados Unidos, sociedade onde a liberdade de expressão talvez esteja mais enraizada e, mesmo assim, como mostra o autor, ainda sofre intimidações, como se observa desde o 11 de Setembro de 2001.<br />
No Brasil, apesar do artigo 220 da Constituição de 1988, formalmente continua a viger a Lei de Imprensa (a 5.520, de 1967) do regime militar.<br />
Embora tenha sido relegada à irrelevância, ela sobrevive e pode ser usada se alguém desejar fazer assim -como o presidente Fernando Collor de Mello (1990-1992) no processo que moveu contra Otavio Frias Filho, diretor de Redação da Folha, em 1991.<br />
Essa é uma das inúmeras demonstrações absurdas de como o emaranhado de leis cria obstáculos para a consolidação das instituições no país. É essa rede de conflitos e inoperância que permite a ocorrência de abusos desmedidos contra a liberdade de expressão, apesar do claro desejo dos constitucionalistas para que isso não acontecesse.<br />
Mattos discute se deve haver uma nova lei de imprensa. Cita os que alertam para o perigo de criar uma &#8220;indústria das indenizações&#8221; se o anteprojeto em debate no Congresso vier a ser aprovado com o texto atual.<br />
Talvez o mais recomendável seja simplesmente não haver nenhuma lei de imprensa. Que os excessos do usufruto da liberdade de expressão sejam punidos pela lei penal comum, que já prevê sanções a quem cometa calúnia, injúria e difamação.<br />
A experiência nacional é que a fartura de instrumentos legais, longe de auxiliar a sociedade, com freqüência a prejudica. Mattos se restringe em seu livro à ação do Estado no cerceamento (ou tentativa de) à liberdade de expressão.<br />
Poderia, se o quisesse, ampliar o espectro e analisar como a criação de oligopólios econômicos da iniciativa privada também coloca em risco esse direito.<br />
A convergência de meios de comunicação e a concentração setorial na economia se constituem em poderosos instrumentos capazes de ferir aos interesses da cidadania, como se tem visto em diversos incidentes nos EUA e em outros países.<br />
É legítimo, porém, o objetivo do autor de se ater apenas à relação entre Estado e meios de comunicação. Afinal, é ele quem tem o monopólio do poder de censura formal e é dele que, com freqüência, emanam os principais atentados à liberdade de expressão.<br />
O problema principal desse tema deriva do fato constatável e bastante humano de que todos são a favor da liberdade de expressão quando fazem o papel de estilingue, mas se sentem tentados a impedi-la quando passam à condição de vidraça.<br />
Raros são os que mantêm a coerência de princípios quando se sentem prejudicados pelo uso da liberdade de expressão. Esses, especialmente quando chegam à condição de governantes, são os grandes heróis desse direito.<br />
Felizmente, a sociedade brasileira teve a sorte e o engenho de ter contado com pessoas capazes desse prodígio no período em que os alicerces da democracia foram erguidos no fim da década de 80.<br />
Ainda há muito a ser feito para que todo o edifício democrático se consolide. Manter, expandir e garantir a liberdade de expressão é uma das tarefas mais fundamentais para tanto.<br />
Livros como o de Sérgio Mattos, capazes de motivar e ampliar o debate sobre esse tema, são instrumentos importantes para que isso ocorra.</font></p>
<div class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center" align="justify">
<hr align="center" width="100%" noshade="noshade" size="1" /></div>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: black"><font face="Times New Roman">Carlos Eduardo Lins da Silva é jornalista e diretor da Patri Relações Governamentais e Políticas Públicas</font></span></p>
<p><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: black"><font face="Times New Roman">&nbsp;</font></span></p>
<div class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center" align="center">
<hr align="center" width="100%" noshade="noshade" size="1" /></div>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: black"><font face="Times New Roman">Mídia Controlada - A História da Censura no Brasil e no Mundo<br /></font></span></b><font face="Times New Roman"><span style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: black">&nbsp; &nbsp;&nbsp;<br />
<b>Autor:</b> Sérgio Mattos<br />
<b>Editora:</b> Paulus<br />
<b>Quanto:</b> R$ 30 (232 págs.)</span></font></p>
<p><font face="Times New Roman"><span style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">&nbsp;</span></font></p>
<h1 style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font size="2">&nbsp;Publicado no Caderno Folha Ilustrada, pág. 02, no dia 02/01/2006.</font></h1>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font size="3"><font face="Times New Roman">&nbsp;</font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">&nbsp;</font></font></p>
<p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt">&nbsp;</p>
<p><b><span style="FONT-SIZE: 11pt; FONT-FAMILY: Arial">&nbsp;</span></b></p>
</div>
<div></div>
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		</item>
		<item>
		<title>MIDIA CONTROLADA - uma resenha</title>
		<link>http://smattos.blog.com/2005/11/11/midia-controlada-uma-resenha/</link>
		<comments>http://smattos.blog.com/2005/11/11/midia-controlada-uma-resenha/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 11 Nov 2005 11:41:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>smattos</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[<h1 style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><a name="OLE_LINK1" id="OLE_LINK1"><font size="5"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font></a></h1>
<p>&#160;</p>
<h1 style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><font face="Times New Roman" size="5">LIVRO DENÚNCIA SOBRE A CENSURA</font></span></h1>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><b><font size="3"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font></b></span></p>
<p><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><b><font size="3"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font></b></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><b><font size="3"><font face="Times New Roman">Consuelo Ponde de Sema</font></font></b></span></p>
<p><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><b><font size="3"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font></b></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><font face="Times New Roman" size="3">(Presidente do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia e membro da Academia de Letras da Bahia. Artigo publicado no jornal <u>TRIBUNA DA BAHIA</u>, no dia 09/11/2005, p. 5, do primeiro caderno).</font></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><font size="3"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font></span></p>
<p><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><font size="3"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font></span></p>
<p class="MsoBodyTextIndent" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><strong><font face="Times New Roman" size="3">Com a publicação do livro “Mídia Controlada – a história da censura no Brasil e no mundo”, o escritor e jornalista Sérgio Mattos reafirma a sua condição de especialista da Comunicação, caminho que já vem trilhando há algum tempo, com rara competência.</font></strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><strong><font size="3"><font face="Times New Roman">Senhor de um estilo fluente e agradável, seus livros são sempre um convite à reflexão e ao debate, razão pela qual têm sido adotados nos cursos de jornalismo de todo o país, quiçá de outras nações de tradição ibérica.</font></font></strong></span></p>
<p><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><strong><font size="3"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font></strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><b><font size="3"><font face="Times New Roman">Na obra em questão, o autor se debruça sobre pontos fundamentais da censura no Brasil, sem deixar de percorrer aspectos da censura no mundo, cujo conhecimento domina.</font></font></b></span></p>
<p><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><b><font size="3"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font></b></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><b><font size="3"><font face="Times New Roman">Com efeito, ao assenhorear-se da ampla bibliografia pertinente ao tema e dela abastecer-se para sustentar seus argumentos, assegura a familiaridade que possui com as idéias de autores nacionais e estrangeiros.</font></font></b></span></p>
<p><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><b><font size="3"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font></b></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><b><font size="3"><font face="Times New Roman">Este é um livro que se impõe como necessário a todo e qualquer profissional da imprensa. Afora isso, interessa aos advogados, juízes, promotores, a todos enfim que se envolvem com estas questões. Nele estão contidos todos os passos que permeiam a questão, a exemplo dos projetos restritivos à liberdade de imprensa, tais como a Lei Mordaça, que passaram a tramitar no Congresso Nacional com grande desenvoltura. Assim, as duas versões da Lei Mordaça, uma da Câmara e outra do Senado “atenta contra a liberdade de pensamento e de imprensa porquanto atenta contra prerrogativas de magistrados, membros do Ministério Público, do Tribunal de Contas, bem assim das autoridades policial e a administrativa, estes últimos impedidos de revelar aos meios de comunicação tudo quanto têm conhecimento em função dos cargos que ocupam, esta absurda Lei tem por objetivo, também, impossibilitar os meios de comunicação de ter acesso às informações dos processos em curso, que se encontram em tramitação. Estes e outros “expedientes” utilizados pelo poder em nosso país são detalhadamente relacionados por Sérgio Mattos e servem de alerta a todos os brasileiros.</font></font></b></span></p>
<p><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><b><font size="3"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font></b></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><b><font size="3"><font face="Times New Roman">Notícia veiculada pela Folha Online, em abril de 2004, revela que o ministro da Justiça denunciou uma ‘conspiração”contra o atual governo do país além de defender a Lei Mordaça para juízes, membros do Ministério Público e autoridades policiais, visando “evitar excessos” nas investigações que pudessem comprometer o governo. Defendeu ainda o absurdo e anti-democrático controle do Ministério Publico e do Judiciário.</font></font></b></span></p>
<p><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><b><font size="3"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font></b></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><b><font size="3"><font face="Times New Roman">Analisando, inicialmente os instrumentos de controle dos meios de comunicação no Brasil, Sérgio Mattos traz à baila as tentativas do estado no sentido de controlar os veículos de comunicação, utilizando-se de vários expedientes, desde o<span style="mso-spacerun: yes">&#160;</span> uso da legislação específica às ações judiciais, as ameaças oficiais, pressões políticas e<span style="mso-spacerun: yes">&#160;</span> econômicas, até a censura policial.</font></font></b></span></p>
<p><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><b>&#160;</b></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><b><font size="3"><font face="Times New Roman">Tive o privilégio de ser professora de Sérgio no Curso de Jornalismo, há muitos anos e, por isso mesmo, tenho acompanhado sua trajetória vitoriosa como profissional e professor de Comunicação.</font></font></b></span></p>
<p><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><b><font size="3"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font></b></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><b><font size="3"><font face="Times New Roman">Segundo Leon Daudet: “Não há profissão mais bela, mais interessante que a do jornalista; nenhuma exige mais talento, tato e vivacidade...cidadania...e de prática consciente dos deveres de cidadão”.</font></font></b></span></p>
<p><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><b><font size="3"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font></b></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><b><font size="3"><font face="Times New Roman">E, por ser jornalista por vocação, por escolha consciente e deliberada do caminho a ser trilhado, Sergio Augusto Soares Mattos faz da profissão um exercício permanente de cidadania, de prática consciente dos<span style="mso-spacerun: yes">&#160;</span> deveres inerentes ao seu oficio.</font></font></b></span></p>
<p><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><b><font size="3">&#160;</font></b></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><b><font size="3"><font face="Times New Roman">Neste livro, que ora é colocado à disposição do publico, o Doutor em Comunicação pela Universidade do Texas revela seus elevados conhecimentos da matéria que expõe com segurança, valendo-se das informações sobre o que domina “as forma sutis de censura que estão sendo impostas aos veículos de comunicação em particular e à sociedade em geral”.</font></font></b></span></p>
<p><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><b><font size="3"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font></b></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><b><font size="3"><font face="Times New Roman">Para o autor, o estado brasileiro sempre atuou ativamente no “desenvolvimento e regulamentação dos meios de massa”. De tal circunstância relaciona tudo quanto existiu, e ainda persiste, no campo da política de comunicação que passou a existir de forma sistemática a partir das ultimas quatro décadas no país. Lembra que durante os anos de 1964 a 1988 foram criadas várias agências reguladoras, destacando-se o Ministério das Comunicações, cujo surgimento e implantação promoveu significativas mudanças de natureza estrutural no setor das telecomunicações, contribuindo para “a redução da interferência de organizações privadas sobre agências reguladoras e crescimento oficial no setor”.</font></font></b></span></p>
<p><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><b><font size="3"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font></b></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><b><font size="3"><font face="Times New Roman">O pleno domínio da utilização dos meios de comunicação de massa no Brasil confere-lhe autoridade para versar sobre os instrumentos de controle empregados pelo poder público do País durante “período de exceção” em que esteve mergulhado. Com efeito, no curso do período militar os atos institucionais exerceram ação repressiva nos meios de comunicação de massa. De tais controles resultaram o domínio do governo central sobre as empresas de transmissão, dele dependentes, de cuja ação decorria o direito de conceder e cassar<span style="mso-spacerun: yes">&#160;</span> licença de funcionamento.</font></font></b></span></p>
<p><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><b><font size="3">&#160;</font></b></span></p>
<p class="MsoBodyTextIndent" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><strong><font face="Times New Roman" size="3">Somente com a Constituição de 1988 foram estabelecidas normas coerentes, que impediam os critérios casuísticos adotados anteriormente.</font></strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><strong><font size="3"><font face="Times New Roman">Antevejo a adoção desta obra, como livro de referência obrigatória em todos os cursos de Comunicação de todo o país.</font></font></strong></span></p>
<p><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><strong><font size="3"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font></strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><b><font size="3"><font face="Times New Roman">Por último, parabenizo o autor, a Editora Paulus, e outros tantos que estiveram envolvidos com a publicação deste importante volume da Coleção Comunicação, aos quais formulo pleno sucesso editorial.</font></font></b></span></p>
<p><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><b><font size="3"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font></b></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><b><font size="3"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font></b></span></p>
<p><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><b><font size="3"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font></b></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b><font size="3"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font></b></p>
<p><b><font size="3"><font face="Times New Roman">&#160;</font></font></b></p>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<h1 style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><a name="OLE_LINK1" id="OLE_LINK1"><font size="5"><font face="Times New Roman">&nbsp;</font></font></a></h1>
<p>&nbsp;</p>
<h1 style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><font face="Times New Roman" size="5">LIVRO DENÚNCIA SOBRE A CENSURA</font></span></h1>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><b><font size="3"><font face="Times New Roman">&nbsp;</font></font></b></span></p>
<p><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><b><font size="3"><font face="Times New Roman">&nbsp;</font></font></b></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><b><font size="3"><font face="Times New Roman">Consuelo Ponde de Sema</font></font></b></span></p>
<p><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><b><font size="3"><font face="Times New Roman">&nbsp;</font></font></b></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><font face="Times New Roman" size="3">(Presidente do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia e membro da Academia de Letras da Bahia. Artigo publicado no jornal <u>TRIBUNA DA BAHIA</u>, no dia 09/11/2005, p. 5, do primeiro caderno).</font></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><font size="3"><font face="Times New Roman">&nbsp;</font></font></span></p>
<p><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><font size="3"><font face="Times New Roman">&nbsp;</font></font></span></p>
<p class="MsoBodyTextIndent" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><strong><font face="Times New Roman" size="3">Com a publicação do livro “Mídia Controlada – a história da censura no Brasil e no mundo”, o escritor e jornalista Sérgio Mattos reafirma a sua condição de especialista da Comunicação, caminho que já vem trilhando há algum tempo, com rara competência.</font></strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><strong><font size="3"><font face="Times New Roman">Senhor de um estilo fluente e agradável, seus livros são sempre um convite à reflexão e ao debate, razão pela qual têm sido adotados nos cursos de jornalismo de todo o país, quiçá de outras nações de tradição ibérica.</font></font></strong></span></p>
<p><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><strong><font size="3"><font face="Times New Roman">&nbsp;</font></font></strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><b><font size="3"><font face="Times New Roman">Na obra em questão, o autor se debruça sobre pontos fundamentais da censura no Brasil, sem deixar de percorrer aspectos da censura no mundo, cujo conhecimento domina.</font></font></b></span></p>
<p><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><b><font size="3"><font face="Times New Roman">&nbsp;</font></font></b></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><b><font size="3"><font face="Times New Roman">Com efeito, ao assenhorear-se da ampla bibliografia pertinente ao tema e dela abastecer-se para sustentar seus argumentos, assegura a familiaridade que possui com as idéias de autores nacionais e estrangeiros.</font></font></b></span></p>
<p><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><b><font size="3"><font face="Times New Roman">&nbsp;</font></font></b></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><b><font size="3"><font face="Times New Roman">Este é um livro que se impõe como necessário a todo e qualquer profissional da imprensa. Afora isso, interessa aos advogados, juízes, promotores, a todos enfim que se envolvem com estas questões. Nele estão contidos todos os passos que permeiam a questão, a exemplo dos projetos restritivos à liberdade de imprensa, tais como a Lei Mordaça, que passaram a tramitar no Congresso Nacional com grande desenvoltura. Assim, as duas versões da Lei Mordaça, uma da Câmara e outra do Senado “atenta contra a liberdade de pensamento e de imprensa porquanto atenta contra prerrogativas de magistrados, membros do Ministério Público, do Tribunal de Contas, bem assim das autoridades policial e a administrativa, estes últimos impedidos de revelar aos meios de comunicação tudo quanto têm conhecimento em função dos cargos que ocupam, esta absurda Lei tem por objetivo, também, impossibilitar os meios de comunicação de ter acesso às informações dos processos em curso, que se encontram em tramitação. Estes e outros “expedientes” utilizados pelo poder em nosso país são detalhadamente relacionados por Sérgio Mattos e servem de alerta a todos os brasileiros.</font></font></b></span></p>
<p><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><b><font size="3"><font face="Times New Roman">&nbsp;</font></font></b></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><b><font size="3"><font face="Times New Roman">Notícia veiculada pela Folha Online, em abril de 2004, revela que o ministro da Justiça denunciou uma ‘conspiração”contra o atual governo do país além de defender a Lei Mordaça para juízes, membros do Ministério Público e autoridades policiais, visando “evitar excessos” nas investigações que pudessem comprometer o governo. Defendeu ainda o absurdo e anti-democrático controle do Ministério Publico e do Judiciário.</font></font></b></span></p>
<p><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><b><font size="3"><font face="Times New Roman">&nbsp;</font></font></b></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><b><font size="3"><font face="Times New Roman">Analisando, inicialmente os instrumentos de controle dos meios de comunicação no Brasil, Sérgio Mattos traz à baila as tentativas do estado no sentido de controlar os veículos de comunicação, utilizando-se de vários expedientes, desde o<span style="mso-spacerun: yes">&nbsp;</span> uso da legislação específica às ações judiciais, as ameaças oficiais, pressões políticas e<span style="mso-spacerun: yes">&nbsp;</span> econômicas, até a censura policial.</font></font></b></span></p>
<p><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><b>&nbsp;</b></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><b><font size="3"><font face="Times New Roman">Tive o privilégio de ser professora de Sérgio no Curso de Jornalismo, há muitos anos e, por isso mesmo, tenho acompanhado sua trajetória vitoriosa como profissional e professor de Comunicação.</font></font></b></span></p>
<p><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><b><font size="3"><font face="Times New Roman">&nbsp;</font></font></b></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><b><font size="3"><font face="Times New Roman">Segundo Leon Daudet: “Não há profissão mais bela, mais interessante que a do jornalista; nenhuma exige mais talento, tato e vivacidade&#8230;cidadania&#8230;e de prática consciente dos deveres de cidadão”.</font></font></b></span></p>
<p><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><b><font size="3"><font face="Times New Roman">&nbsp;</font></font></b></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><b><font size="3"><font face="Times New Roman">E, por ser jornalista por vocação, por escolha consciente e deliberada do caminho a ser trilhado, Sergio Augusto Soares Mattos faz da profissão um exercício permanente de cidadania, de prática consciente dos<span style="mso-spacerun: yes">&nbsp;</span> deveres inerentes ao seu oficio.</font></font></b></span></p>
<p><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><b><font size="3">&nbsp;</font></b></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><b><font size="3"><font face="Times New Roman">Neste livro, que ora é colocado à disposição do publico, o Doutor em Comunicação pela Universidade do Texas revela seus elevados conhecimentos da matéria que expõe com segurança, valendo-se das informações sobre o que domina “as forma sutis de censura que estão sendo impostas aos veículos de comunicação em particular e à sociedade em geral”.</font></font></b></span></p>
<p><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><b><font size="3"><font face="Times New Roman">&nbsp;</font></font></b></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><b><font size="3"><font face="Times New Roman">Para o autor, o estado brasileiro sempre atuou ativamente no “desenvolvimento e regulamentação dos meios de massa”. De tal circunstância relaciona tudo quanto existiu, e ainda persiste, no campo da política de comunicação que passou a existir de forma sistemática a partir das ultimas quatro décadas no país. Lembra que durante os anos de 1964 a 1988 foram criadas várias agências reguladoras, destacando-se o Ministério das Comunicações, cujo surgimento e implantação promoveu significativas mudanças de natureza estrutural no setor das telecomunicações, contribuindo para “a redução da interferência de organizações privadas sobre agências reguladoras e crescimento oficial no setor”.</font></font></b></span></p>
<p><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><b><font size="3"><font face="Times New Roman">&nbsp;</font></font></b></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><b><font size="3"><font face="Times New Roman">O pleno domínio da utilização dos meios de comunicação de massa no Brasil confere-lhe autoridade para versar sobre os instrumentos de controle empregados pelo poder público do País durante “período de exceção” em que esteve mergulhado. Com efeito, no curso do período militar os atos institucionais exerceram ação repressiva nos meios de comunicação de massa. De tais controles resultaram o domínio do governo central sobre as empresas de transmissão, dele dependentes, de cuja ação decorria o direito de conceder e cassar<span style="mso-spacerun: yes">&nbsp;</span> licença de funcionamento.</font></font></b></span></p>
<p><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><b><font size="3">&nbsp;</font></b></span></p>
<p class="MsoBodyTextIndent" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><strong><font face="Times New Roman" size="3">Somente com a Constituição de 1988 foram estabelecidas normas coerentes, que impediam os critérios casuísticos adotados anteriormente.</font></strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><strong><font size="3"><font face="Times New Roman">Antevejo a adoção desta obra, como livro de referência obrigatória em todos os cursos de Comunicação de todo o país.</font></font></strong></span></p>
<p><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><strong><font size="3"><font face="Times New Roman">&nbsp;</font></font></strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><b><font size="3"><font face="Times New Roman">Por último, parabenizo o autor, a Editora Paulus, e outros tantos que estiveram envolvidos com a publicação deste importante volume da Coleção Comunicação, aos quais formulo pleno sucesso editorial.</font></font></b></span></p>
<p><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><b><font size="3"><font face="Times New Roman">&nbsp;</font></font></b></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><b><font size="3"><font face="Times New Roman">&nbsp;</font></font></b></span></p>
<p><span style="mso-bookmark: OLE_LINK1"><b><font size="3"><font face="Times New Roman">&nbsp;</font></font></b></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b><font size="3"><font face="Times New Roman">&nbsp;</font></font></b></p>
<p><b><font size="3"><font face="Times New Roman">&nbsp;</font></font></b></p>
</div>
<div></div>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>ÉTICA NA MÍDIA E NA SAÚDE</title>
		<link>http://smattos.blog.com/2005/10/04/etica-na-midia-e-na-saude/</link>
		<comments>http://smattos.blog.com/2005/10/04/etica-na-midia-e-na-saude/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 04 Oct 2005 09:17:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>smattos</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"> <?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /?>
</p>
<h1 style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font size="5">ÉTICA NA MÍDIA E NA SAÚDE</font></h1>
<h1 style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font size="5">Sérgio Mattos</font></h1>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b>Professor Doutor em Comunicação</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b> </b></p>
<p class="MsoBodyText3" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><strong><font color="#333399">(Texto preparado para o I Ciclo de Mídia e Saúde Pública no Brasil realizado em Salvador, no período de 20 a 21 de<span style="mso-spacerun: yes"> </span> setembro de 2005, no auditório do Ministério Publico)</font></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 16pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><strong> </strong></span></p>
<p class="MsoBodyText2" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><strong><span style="mso-spacerun: yes">   </span> O objetivo deste trabalho é refletir a situação ética que envolve o papel do jornalista e da mídia na divulgação da saúde e do seu relacionamento com a área médica. Não pretendemos ser conclusivos, mas apresentar algumas reflexões críticas.<span style="mso-spacerun: yes"> </span> Vamos contextualizar o problema e discutir as questões que envolvem os dois segmentos, mídia e saúde, refletindo sobre os direitos e deveres do jornalista na prática profissional e apresentar sugestões que possam contribuir para resolver alguns dos problemas de relacionamento entre os profissionais das duas áreas.</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><strong> </strong></p>
<h2 style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="FONT-SIZE: 12pt"><u>O Problema</u></span></h2>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b> </b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>Segundo Wilson da Costa Bueno, um estudioso do setor, a cobertura de saúde na mídia padece de uma doença difícil de ser tratada: a chamada patologia da fonte, cujos sintomas são a desqualificação da informação e o domínio dos interesses comerciais. A cura pressupõe um tratamento longo e doloroso, que inclui uma postura ética e política frente às pressões das fontes e uma capacitação dos comunicadores de saúde (Bueno, 2001).</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><b> </b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>Por sua vez, José de Sá afirma que a imprensa quando divulga informações do setor da saúde não trata da doença e, sim, da cura (Sá, 2001). E que, por causa desta abordagem, o jornalismo passa uma idéia de superficialidade e descartabilidade, levando o paciente (leitor/telespectador/ radiouvinte) que acreditou na informação, a uma total frustração, pois quando<span style="mso-spacerun: yes"> </span> procura um hospital ou um profissional para se utilizar daquele avanço da medicina acaba percebendo que o que a mídia anunciou é<span style="mso-spacerun: yes"> </span> algo que ainda está em fase de estudo ou que aquele serviço está restrito em apenas um hospital e, ainda por cima, num país que não é o seu.</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><b> </b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>Completando este quadro surge ainda um outro aspecto que é mais um fator complicador da situação e que foi constatado por Paula Renata Camargo de Jesus ao realizar um estudo sobre a propaganda de medicamentos e as questões éticas, concluindo que apesar de existirem leis, estas não são cumpridas.<span style="mso-spacerun: yes"> </span> Para ela, a verdade é que o governo finge que o consumidor não se automedica, e farmacêuticos, quase sempre substituídos pelo balconista, finge vender medicamentos tarjados só com receita médica e o consumidor finge estar tudo bem. Prova disso é que a maior parte da população ainda não tem acesso a médico e portanto acesso à receita médica e dois dos principais medicamentos éticos estão na lista dos mais vendidos<span style="mso-spacerun: yes"> </span> no país: Cataflan e Voltaren. E certamente, são comprados sem receita médica nas farmácias (Jesus, 2001).</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><b> </b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>Na prática, as acusações, críticas e falhas são de todos os setores envolvidos: os cientistas e médicos desconfiam dos profissionais de imprensa além de criticarem as matérias divulgadas, acusando-as de serem incorretas, simplificadas em demasia e divulgadas em clima de sensacionalismo e precipitação. Os jornalistas por sua vez apresentam a tendência de culpar as fontes especializadas ou por não fornecerem todas as informações necessárias, ou por apresentarem dados demasiadamente complicados e inadequados para que possam ser transmitidos de maneira clara e objetiva aos leitores (Epstein, 2001). Os jornalistas criticam a forma como os veículos de comunicação apresentam suas matérias, principalmente no caso da televisão, onde são muito fragmentadas. Eles também se queixam que os profissionais de saúde não respeitam os jornalistas e que enquanto este respeito não passar a existir dificilmente haverá um bom relacionamento entre as duas categorias.</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>O público consumidor de informações da área de saúde, por sua vez, acusa a mídia de ser inconveniente por divulgar informações incompletas<span style="mso-spacerun: yes"> </span> e que muitas vezes não passam de experiências cujos resultados são muito incipientes e que se encontram ainda em fase de testes laboratoriais. Acusam também os profissionais de saúde de revelarem situações da saúde individual de cada paciente, principalmente quando famosos, sem prévia autorização, indo de encontro ao art. 102 do Código de Ética Médica, do Conselho Federal de Medicina que diz: É vedado ao médico revelar fato de que tenha conhecimento em virtude do exercício de sua profissão, salvo por justa causa, dever legal ou autorização expressa do paciente.</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>Sobre a divulgação de casos de pacientes por médicos, referindo-se especificamente à cobertura do caso do ex-governador de São Paulo, Mário Covas,<span style="mso-spacerun: yes"> </span> a jornalista Conceição Lemes, especializada em saúde e ganhadora de dois prêmios Esso de Informações Científicas, diz:</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 35.4pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>Entrevistas coletivas, só as indispensáveis. A freqüência exagerada banaliza esse instrumento de divulgação e predispõe os médicos a escorregões. Boletins diários, com eventuais esclarecimentos do diretor clínico da instituição, cumprem plenamente o papel de garantir a informação à sociedade.</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 35.4pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>Desde que autorizados, divulgar só o que o bom senso determina. Na dúvida, este exercício ajuda: substituir o paciente famoso por um parente querido, tentando pensar o quanto sofreria se descobrisse pela imprensa algo terrível que desconhecia sobre a sua saúde.</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 35.4pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>Comissões de ética dos hospitais precisam refletir sobre o assunto, buscando definir estratégias futuras. Isso vale para todos, principalmente para os hospitais universitários, que, afinal, têm o papel de formar os médicos do futuro.</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 35.4pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>Em outras palavras: o nosso compromisso de jornalistas é com a informação ética. O do médico é única e exclusivamente com o seu paciente, famoso ou anônimo. Hospital não é palco, doença não é espetáculo midiático nem paciente, escada. O show<span style="mso-spacerun: yes"> </span> tem que parar (Lemes, 2001).</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b> </b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>Em síntese, baseado na simples observação e acompanhamento dos noticiários específicos, podemos afirmar que apesar do tema saúde ocupar hoje grandes espaços na mídia, a cobertura jornalística ainda é muito deficiente, pois acaba mascarando a realidade do setor. O jornalismo minimiza os problemas de saúde da população, limitando-se muitas vezes a cobrar soluções paliativas tais como atendimentos médicos, redução de filas no INSS, aumento do número de leitos e de internações hospitalares, como se esta fosse a saída.</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>Na verdade, a mídia brasileira e, principalmente a da Bahia, tem dado pouca ênfase à dramática situação da saúde da população. Exatamente por conta disso, as matérias jornalísticas veiculadas não podem mais se limitar apenas a noticiar eventos e descobertas de novos medicamentos, divulgar campanhas de vacinação entre outras, denunciar a precariedade dos serviços de saúde, além de estimular a prática de padrões de comportamento saudáveis. Para desenvolver bem suas funções sociais, o jornalismo e os jornalistas devem assumir uma postura crítica em relação às definições de políticas públicas de saúde, cobrando a melhoria da qualidade de vida da população, abordando temas correlatos e responsáveis pela saúde do cidadão tais como moradia, saneamento, transporte, qualidade do ar e da alimentação, além de debaterem os grandes temas de saúde, sem esquecer que a doença não pode ser assunto tratado isoladamente dos aspectos da prevenção da mesma e de sua cura.</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>A mídia precisa também denunciar os apelos mercadológicos da indústria da saúde que não estão atendendo as necessidades da população, principalmente se levarmos em consideração que a Constituição Brasileira de 1988, em seu art. 196 estabelece que:</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 35.4pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b> </b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 35.4pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>A saúde é um direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco à doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação.</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b> </b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>Com diz<span style="mso-spacerun: yes"> </span> Bernardo Kucinski:</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 35.4pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>A Concepção desse novo direito de cidadania ativa, no campo da saúde, confere à informação jornalística sobre saúde, sobre políticas públicas e terapias de saúde, um valor político na esfera da cidadania, além, de seus valores pedagógicos tradicionais em campanhas sanitárias e na medicina preventiva, ou de seu entendimento como jornalismo de serviço. Por extensão, tornam-se objetos privilegiados de cobertura jornalística, vigilância e crítica, as políticas publicas de saúde dirigidas a grupos populacionais, como as campanhas de prevenção da aids ou de detecção do câncer de mama (Kucinski, 2000, p. 183).</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b> </b></p>
<h2 style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="FONT-SIZE: 12pt"><u>A ÉTICA NA SAÚDE</u></span></h2>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b> </b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>Durante toda a última década do século passado, a ética esteve sempre na berlinda e foi tão debatida e exigida, em todas as situações, que aquela foi considerada como a Década da Ética, principalmente pelos profissionais ligados, direta e indiretamente, aos meios de comunicação de massa.</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>Durante os últimos 15 anos, mais intensamente, principalmente os jornalistas, buscaram a todo custo desvendar a verdade, revelar e denunciar o lado obscuro, a corrupção política, a corrupção econômica e os desvios de verbas e escândalos envolvendo a previdência e a saúde pública.<span style="mso-spacerun: yes"> </span> Durante este período, quando predominou o espírito do denuncismo, a imprensa cometeu alguns erros e exageros. Pecamos, podemos reconhecer, mas não nos omitimos.</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>Hoje, estamos aqui reunidos, no I Ciclo de Mídia e Saúde Pública no Brasil, discutindo a Ética na Mídia e na Saúde, buscando encontrar o caminho ético a ser percorrido. Particularmente, devemos esclarecer, <u>Não Acreditamos</u> que deva existir uma ética própria para cada profissão. Ética é ética e vale para todos, apesar de termos particularidades para cada setor profissional, que adota códigos de ética e linhas ou normas de conduta para aqueles que exercem, por exemplo, o jornalismo, as Relações Públicas, a Publicidade, a Medicina, a odontologia, a advocacia e todas as demais profissões.</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>Por isso, acreditamos que a integridade é a base fundamental da credibilidade de todo e qualquer profissional independente do campo de atuação. Acreditamos que o profissional deve defender sempre a regra fundamental da democracia e do respeito individual, conforme estabelecida pela Declaração Universal dos Direitos Humanos.</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>Devemos, pois, examinar nossos próprios valores, evitando impor os nossos valores nos outros. Devemos evitar estereótipos étnicos e sociais de raças, gênero, idade ou religião.</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>Acima de tudo devemos ter em mente que um profissional ético trata suas fontes, seus clientes e colegas como seres humanos merecedores de respeito. Vamos, pois, exercer a nossa cidadania de maneira ética e profissional para que possamos, juntos, independente de profissão ou setor de atuação na sociedade, construir um Brasil melhor.</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>Assim sendo, o que trazemos hoje para vocês, a título de reflexão e sugestão, resume-se em uma mensagem comum a todos os profissionais de comunicação e trata sobre a Ética e a Responsabilidade Social com que devemos exercer nosso papel na sociedade na qual estamos inseridos.</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>A responsabilidade social é um tema que vem sendo analisado e debatido por estudiosos e profissionais de comunicação, jornalistas, Relações Públicas e Publicitários. Se uma empresa socialmente responsável é aquela que está empenhada em construir uma relação ética, transparente e solidária com os mais diversos públicos, o profissional de Comunicação Social é aquele que incorpora práticas responsáveis na elaboração de suas tarefas diárias. É aquele profissional que busca divulgar e estabelecer condições para a sustentabilidade da sociedade, estimulando o exercício da cidadania e lutando sempre pela melhoria da qualidade de vida da população e de sua saúde e em defesa do<span style="mso-spacerun: yes"> </span> meio ambiente.</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>Por isso, a cidadania que devemos defender é aquela da integração e do respeito pleno do homem para com a natureza. Para conseguirmos isto alguns princípios e objetivos devem ser cumpridos:</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>Devemos valorizar e abrir espaços para iniciativas pró-ativas. Devemos nos comportar como profissionais pró-ativos, impulsionando e contribuindo para construir uma sociedade melhor. E só conseguiremos isto se aumentarmos o nosso vínculo pessoal com a comunidade na qual atuamos. Para tanto, devemos nos engajar e estimular o engajamento empresarial nas questões de saúde pública, nas questões ambientais e promover campanhas de sensibilização para estes problemas.</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>Devemos informar sem preconceitos, permitindo a construção de uma consciência mais crítica sobre os temas estereotipados.</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>Devemos denunciar as agressões contra os direitos do homem e contra o meio ambiente, mas é bom que se diga, não basta divulgar, é preciso faze-lo com responsabilidade.</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>Devemos divulgar denúncias e soluções, pois assim contribuiremos para erradicar os problemas quando detectados. Disseminar campanhas de saúde e de prevenção às doenças, contra a fome, contra a violência doméstica, contra a criança, é um procedimento que demonstra a maturidade do profissional de comunicação social.</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>Devemos atuar como verdadeiros agentes fomentadores e fortalecedores de ações sociais, descobrindo novos caminhos e trilhar sempre aqueles que nos conduzem a uma prática de comunicação social voltada para o Cidadão.</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>Devemos estar conscientes de que divulgar os nomes de empresas socialmente comprometidas com o desenvolvimento sustentável é um ato de valorização da iniciativa e que, ao fazermos isto, tanto os profissionais como a mídia, estaremos dando visibilidade e estímulo para as empresas comprometidas com a prática social. Se isto é feito, tanto as empresas de comunicação como os profissionais<span style="mso-spacerun: yes"> </span> tomam consciência de seu papel e percebem que investir nesta área gera credibilidade para ambos. Destacar ações individuais ou empresariais na área social, é sensibilizar a sociedade para a importância deste tipo de atitude e de participação.</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>Para que possamos<span style="mso-spacerun: yes"> </span> exercer estes deveres sociais precisamos desenvolver uma forte consciência ética nas práticas da comunicação social em suas diferentes modalidades. Precisamos aproximar cada vez mais a mídia e as empresas nas quais exercemos nossas funções com outros segmentos da comunidade, tendo em vista que a Responsabilidade Social tem que estar na pauta do dia e mover todas as nossas ações.</b></p>
<p class="MsoBodyTextIndent" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="FONT-SIZE: 12pt"><strong>Precisamos ter sempre em mente que a qualidade da comunicação envolve princípios e compromissos com a Verdade, justiça, Liberdade e Responsabilidade. <u>A Verdade</u> envolve o rigor informativo (clareza, precisão e exatidão), a neutralidade valorativa (separar o que é informação de opinião), bem como os procedimentos discursivos que devemos praticar. <u>A justiça</u> envolve a imparcialidade com qu</strong></span><span style="FONT-WEIGHT: normal; FONT-SIZE: 12pt">e</span> <span style="FONT-SIZE: 12pt"><strong>informamos o cidadão e a maneira como tratamos os grupos sociais desfavorecidos. <u>A Liberdade</u>, por sua vez, envolve o nosso posicionamento e independência perante os condicionamentos externos, tais como os controles políticos, comerciais, as relações com as fontes e os conflitos de interesses entre empresas, profissionais e a maneira como lutamos pela preservação dos direitos do cidadão e do meio ambiente. A <u>Responsabilidade</u> é um princípio que está relacionado diretamente com a segurança das pessoas, com a privacidade e a sustentabilidade social, que devemos respeitar (Alsius, 2003).</strong></span></p>
<p class="MsoBodyTextIndent" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="FONT-SIZE: 12pt"><strong>Compete ainda ao profissional de imprensa diversificar as fontes ouvidas; preservar as informações que são protegidas por lei; levantar informações extra-oficiais que sirvam para ilustrar e esclarecer melhor os fatos a serem divulgados; ressaltar a importância dos fatos sem barreiras e preconceitos; indicar estratégias e soluções e não se limitar apenas a realizar denúncias; dar visibilidade aos fatos e realizações que sejam positivas; atuar como agente fortalecedor das ações; assumir uma postura crítica para refletir sobre a importância dos programas sociais e de saúde; acompanhar as ações governamentais e não-governamentais no setor da saúde pública; e, praticar um jornalismo sério comprometido com a ética e com a busca da verdade.</strong></span></p>
<p class="MsoBodyTextIndent" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><strong><span style="FONT-SIZE: 12pt">Em síntese, precisamos, como profissionais de Comunicação Social , estar preparados para lidar com assuntos delicados tais como: corrupção, pública ou privada, exploração do trabalho infantil, trabalho escravo, violência contra a mulher, abuso sexual de crianças e adolescentes, saúde pública e principalmente dos direitos do cidadão. A prática jornalística tem um compromisso ético com a busca da objetividade e da verdade visando a construção e preservação da cidadania.</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><strong>Por outro lado, compete ao profissional da saúde saber aproveitar os espaços que lhe são oferecidos na mídia para apresentar, de forma transparente, a questão das enfermidades, visto que, muitas vezes os discursos se fecham no nicho da competência de uma pretensa cientificidade, dificultando, ou até mesmo impossibilitando, que o leitor tenha uma compreensão clara sobre o tema (Epstein, 2005).</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>Sendo assim é importante que o profissional da área de saúde entenda e aceite o fato de que não se pode entender a saúde divorciada da mídia e dos jornalistas,<span style="mso-spacerun: yes"> </span> responsáveis pela interface entre a ciência e a sociedade. Os profissionais da saúde não podem esquecer que os veículos especializados em temas científicos relacionados com a saúde e a medicina não circulam junto ao grande público que só toma conhecimento do que ocorre no setor por meio dos veículos de massa que fazem o papel de propagar as novidades e exatamente por causa disso devem colaborar com a imprensa no sentido de que esta possa reproduzir e desenvolver uma visão mais ampla sobre a saúde que, segundo a Organização Mundial de Saúde, envolve também o bem estar físico, social e espiritual dos indivíduos.</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b> </b></p>
<p class="MsoBodyTextIndent" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="FONT-SIZE: 12pt"><strong>Sejam, portanto, éticos e socialmente responsáveis no exercício de suas funções profissionais exercendo e defendo a cidadania.</strong></span></p>
<p class="MsoBodyTextIndent" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><strong><font size="5"> </font></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 16pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><strong> </strong></span></p>
<h3 style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 0cm"><u><font size="5">REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</font></u></h3>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><b><span style="FONT-SIZE: 16pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> </span></b></p>
<p class="MsoBodyText" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><strong>ALSIUS, Salvador. Ética? Invoque-se a qualidade. Conferência do XXVI Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, 2 a 6 de setembro de 2003, Belo Horizonte.</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><strong> </strong></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b>BUENO, Wilson da Costa. A cobertura de saúde na mídia brasileira: os sintomas de uma doença anunciada. In <u>Mídia e Saúde.</u> Issac Epstein [et al.] organizador. Adamantina: UNESCO/UMESP/FAI, 2001,pp.671-685. <span style="mso-spacerun: yes">         </span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><b> </b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b>EPSTEIN, Isaac. Introdução, in <u>Mídia e Saúde</u>.</b> <b><span lang="ES-TRAD" style="mso-ansi-language: ES-TRAD" xml:lang="ES-TRAD">Isaac Epstein...[et al.], organizador.</span> Adamantina: UNESCO/UMESP/FIA, 2001, pp. 25-29.</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><b> </b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b>EPSTEIN, Isaac.<span style="mso-spacerun: yes"> </span> Prefácio, in <u>Comunicação e Loucura: a representatividade da lei antimanicomial nos jornais O Estado de S. Paulo e A Tribuna</u>. Eliana Martins MARCOLINO. São Bernardo do Campo: UMESP, 2005, pp. 13-16.</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><b> </b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b>JESUS, Paula Renata Camargo de. Propaganda de Medicamentos,<span style="mso-spacerun: yes"> </span> in <u>Mídia e Saúde</u>. Isaac Epstein, José Marques de Melo, et al, organizadores. Adamantina: UNESCO/UMESP/FAI, 2001, pp.311-316.</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b> </b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b>LEMES, Conceição. Lições do Caso Covas  O show tem que parar. <u>Observatório da Imprensa</u>, 21 mar.2001. Disponível em <a href="http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos/jd210320001lp.htm">http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos/jd210320001lp.htm</a></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b>Acesso em 15 agosto 2005.</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b> </b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b>KUCINSKI, Bernardo. Jornalismo, saúde e cidadania, in <u>Interface  Comunicação, Saúde e Educação</u>, n° 6, fevereiro 2000, pp. 181-186.</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b> </b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b>SÁ, José de. Ética, informação e saúde, in <u>Mídia e Saúde</u>.</b> <b><span lang="ES-TRAD" style="mso-ansi-language: ES-TRAD" xml:lang="ES-TRAD">Isaac Epstein [et al.] organizador.</span> Adamantina: UNESCO/UMESP/FAI, 2001, pp. 307-310.</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b> </b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b> </b></p>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"> <?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /?>
</p>
<h1 style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font size="5">ÉTICA NA MÍDIA E NA SAÚDE</font></h1>
<h1 style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font size="5">Sérgio Mattos</font></h1>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b>Professor Doutor em Comunicação</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b> </b></p>
<p class="MsoBodyText3" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><strong><font color="#333399">(Texto preparado para o I Ciclo de Mídia e Saúde Pública no Brasil realizado em Salvador, no período de 20 a 21 de<span style="mso-spacerun: yes"> </span> setembro de 2005, no auditório do Ministério Publico)</font></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><span style="FONT-SIZE: 16pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><strong> </strong></span></p>
<p class="MsoBodyText2" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><strong><span style="mso-spacerun: yes">   </span> O objetivo deste trabalho é refletir a situação ética que envolve o papel do jornalista e da mídia na divulgação da saúde e do seu relacionamento com a área médica. Não pretendemos ser conclusivos, mas apresentar algumas reflexões críticas.<span style="mso-spacerun: yes"> </span> Vamos contextualizar o problema e discutir as questões que envolvem os dois segmentos, mídia e saúde, refletindo sobre os direitos e deveres do jornalista na prática profissional e apresentar sugestões que possam contribuir para resolver alguns dos problemas de relacionamento entre os profissionais das duas áreas.</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><strong> </strong></p>
<h2 style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="FONT-SIZE: 12pt"><u>O Problema</u></span></h2>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b> </b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>Segundo Wilson da Costa Bueno, um estudioso do setor, a cobertura de saúde na mídia padece de uma doença difícil de ser tratada: a chamada patologia da fonte, cujos sintomas são a desqualificação da informação e o domínio dos interesses comerciais. A cura pressupõe um tratamento longo e doloroso, que inclui uma postura ética e política frente às pressões das fontes e uma capacitação dos comunicadores de saúde (Bueno, 2001).</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><b> </b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>Por sua vez, José de Sá afirma que a imprensa quando divulga informações do setor da saúde não trata da doença e, sim, da cura (Sá, 2001). E que, por causa desta abordagem, o jornalismo passa uma idéia de superficialidade e descartabilidade, levando o paciente (leitor/telespectador/ radiouvinte) que acreditou na informação, a uma total frustração, pois quando<span style="mso-spacerun: yes"> </span> procura um hospital ou um profissional para se utilizar daquele avanço da medicina acaba percebendo que o que a mídia anunciou é<span style="mso-spacerun: yes"> </span> algo que ainda está em fase de estudo ou que aquele serviço está restrito em apenas um hospital e, ainda por cima, num país que não é o seu.</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><b> </b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>Completando este quadro surge ainda um outro aspecto que é mais um fator complicador da situação e que foi constatado por Paula Renata Camargo de Jesus ao realizar um estudo sobre a propaganda de medicamentos e as questões éticas, concluindo que apesar de existirem leis, estas não são cumpridas.<span style="mso-spacerun: yes"> </span> Para ela, a verdade é que o governo finge que o consumidor não se automedica, e farmacêuticos, quase sempre substituídos pelo balconista, finge vender medicamentos tarjados só com receita médica e o consumidor finge estar tudo bem. Prova disso é que a maior parte da população ainda não tem acesso a médico e portanto acesso à receita médica e dois dos principais medicamentos éticos estão na lista dos mais vendidos<span style="mso-spacerun: yes"> </span> no país: Cataflan e Voltaren. E certamente, são comprados sem receita médica nas farmácias (Jesus, 2001).</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><b> </b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>Na prática, as acusações, críticas e falhas são de todos os setores envolvidos: os cientistas e médicos desconfiam dos profissionais de imprensa além de criticarem as matérias divulgadas, acusando-as de serem incorretas, simplificadas em demasia e divulgadas em clima de sensacionalismo e precipitação. Os jornalistas por sua vez apresentam a tendência de culpar as fontes especializadas ou por não fornecerem todas as informações necessárias, ou por apresentarem dados demasiadamente complicados e inadequados para que possam ser transmitidos de maneira clara e objetiva aos leitores (Epstein, 2001). Os jornalistas criticam a forma como os veículos de comunicação apresentam suas matérias, principalmente no caso da televisão, onde são muito fragmentadas. Eles também se queixam que os profissionais de saúde não respeitam os jornalistas e que enquanto este respeito não passar a existir dificilmente haverá um bom relacionamento entre as duas categorias.</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>O público consumidor de informações da área de saúde, por sua vez, acusa a mídia de ser inconveniente por divulgar informações incompletas<span style="mso-spacerun: yes"> </span> e que muitas vezes não passam de experiências cujos resultados são muito incipientes e que se encontram ainda em fase de testes laboratoriais. Acusam também os profissionais de saúde de revelarem situações da saúde individual de cada paciente, principalmente quando famosos, sem prévia autorização, indo de encontro ao art. 102 do Código de Ética Médica, do Conselho Federal de Medicina que diz: É vedado ao médico revelar fato de que tenha conhecimento em virtude do exercício de sua profissão, salvo por justa causa, dever legal ou autorização expressa do paciente.</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>Sobre a divulgação de casos de pacientes por médicos, referindo-se especificamente à cobertura do caso do ex-governador de São Paulo, Mário Covas,<span style="mso-spacerun: yes"> </span> a jornalista Conceição Lemes, especializada em saúde e ganhadora de dois prêmios Esso de Informações Científicas, diz:</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 35.4pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>Entrevistas coletivas, só as indispensáveis. A freqüência exagerada banaliza esse instrumento de divulgação e predispõe os médicos a escorregões. Boletins diários, com eventuais esclarecimentos do diretor clínico da instituição, cumprem plenamente o papel de garantir a informação à sociedade.</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 35.4pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>Desde que autorizados, divulgar só o que o bom senso determina. Na dúvida, este exercício ajuda: substituir o paciente famoso por um parente querido, tentando pensar o quanto sofreria se descobrisse pela imprensa algo terrível que desconhecia sobre a sua saúde.</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 35.4pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>Comissões de ética dos hospitais precisam refletir sobre o assunto, buscando definir estratégias futuras. Isso vale para todos, principalmente para os hospitais universitários, que, afinal, têm o papel de formar os médicos do futuro.</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 35.4pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>Em outras palavras: o nosso compromisso de jornalistas é com a informação ética. O do médico é única e exclusivamente com o seu paciente, famoso ou anônimo. Hospital não é palco, doença não é espetáculo midiático nem paciente, escada. O show<span style="mso-spacerun: yes"> </span> tem que parar (Lemes, 2001).</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b> </b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>Em síntese, baseado na simples observação e acompanhamento dos noticiários específicos, podemos afirmar que apesar do tema saúde ocupar hoje grandes espaços na mídia, a cobertura jornalística ainda é muito deficiente, pois acaba mascarando a realidade do setor. O jornalismo minimiza os problemas de saúde da população, limitando-se muitas vezes a cobrar soluções paliativas tais como atendimentos médicos, redução de filas no INSS, aumento do número de leitos e de internações hospitalares, como se esta fosse a saída.</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>Na verdade, a mídia brasileira e, principalmente a da Bahia, tem dado pouca ênfase à dramática situação da saúde da população. Exatamente por conta disso, as matérias jornalísticas veiculadas não podem mais se limitar apenas a noticiar eventos e descobertas de novos medicamentos, divulgar campanhas de vacinação entre outras, denunciar a precariedade dos serviços de saúde, além de estimular a prática de padrões de comportamento saudáveis. Para desenvolver bem suas funções sociais, o jornalismo e os jornalistas devem assumir uma postura crítica em relação às definições de políticas públicas de saúde, cobrando a melhoria da qualidade de vida da população, abordando temas correlatos e responsáveis pela saúde do cidadão tais como moradia, saneamento, transporte, qualidade do ar e da alimentação, além de debaterem os grandes temas de saúde, sem esquecer que a doença não pode ser assunto tratado isoladamente dos aspectos da prevenção da mesma e de sua cura.</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>A mídia precisa também denunciar os apelos mercadológicos da indústria da saúde que não estão atendendo as necessidades da população, principalmente se levarmos em consideração que a Constituição Brasileira de 1988, em seu art. 196 estabelece que:</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 35.4pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b> </b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 35.4pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>A saúde é um direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco à doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação.</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b> </b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>Com diz<span style="mso-spacerun: yes"> </span> Bernardo Kucinski:</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 35.4pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>A Concepção desse novo direito de cidadania ativa, no campo da saúde, confere à informação jornalística sobre saúde, sobre políticas públicas e terapias de saúde, um valor político na esfera da cidadania, além, de seus valores pedagógicos tradicionais em campanhas sanitárias e na medicina preventiva, ou de seu entendimento como jornalismo de serviço. Por extensão, tornam-se objetos privilegiados de cobertura jornalística, vigilância e crítica, as políticas publicas de saúde dirigidas a grupos populacionais, como as campanhas de prevenção da aids ou de detecção do câncer de mama (Kucinski, 2000, p. 183).</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b> </b></p>
<h2 style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="FONT-SIZE: 12pt"><u>A ÉTICA NA SAÚDE</u></span></h2>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b> </b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>Durante toda a última década do século passado, a ética esteve sempre na berlinda e foi tão debatida e exigida, em todas as situações, que aquela foi considerada como a Década da Ética, principalmente pelos profissionais ligados, direta e indiretamente, aos meios de comunicação de massa.</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>Durante os últimos 15 anos, mais intensamente, principalmente os jornalistas, buscaram a todo custo desvendar a verdade, revelar e denunciar o lado obscuro, a corrupção política, a corrupção econômica e os desvios de verbas e escândalos envolvendo a previdência e a saúde pública.<span style="mso-spacerun: yes"> </span> Durante este período, quando predominou o espírito do denuncismo, a imprensa cometeu alguns erros e exageros. Pecamos, podemos reconhecer, mas não nos omitimos.</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>Hoje, estamos aqui reunidos, no I Ciclo de Mídia e Saúde Pública no Brasil, discutindo a Ética na Mídia e na Saúde, buscando encontrar o caminho ético a ser percorrido. Particularmente, devemos esclarecer, <u>Não Acreditamos</u> que deva existir uma ética própria para cada profissão. Ética é ética e vale para todos, apesar de termos particularidades para cada setor profissional, que adota códigos de ética e linhas ou normas de conduta para aqueles que exercem, por exemplo, o jornalismo, as Relações Públicas, a Publicidade, a Medicina, a odontologia, a advocacia e todas as demais profissões.</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>Por isso, acreditamos que a integridade é a base fundamental da credibilidade de todo e qualquer profissional independente do campo de atuação. Acreditamos que o profissional deve defender sempre a regra fundamental da democracia e do respeito individual, conforme estabelecida pela Declaração Universal dos Direitos Humanos.</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>Devemos, pois, examinar nossos próprios valores, evitando impor os nossos valores nos outros. Devemos evitar estereótipos étnicos e sociais de raças, gênero, idade ou religião.</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>Acima de tudo devemos ter em mente que um profissional ético trata suas fontes, seus clientes e colegas como seres humanos merecedores de respeito. Vamos, pois, exercer a nossa cidadania de maneira ética e profissional para que possamos, juntos, independente de profissão ou setor de atuação na sociedade, construir um Brasil melhor.</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>Assim sendo, o que trazemos hoje para vocês, a título de reflexão e sugestão, resume-se em uma mensagem comum a todos os profissionais de comunicação e trata sobre a Ética e a Responsabilidade Social com que devemos exercer nosso papel na sociedade na qual estamos inseridos.</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>A responsabilidade social é um tema que vem sendo analisado e debatido por estudiosos e profissionais de comunicação, jornalistas, Relações Públicas e Publicitários. Se uma empresa socialmente responsável é aquela que está empenhada em construir uma relação ética, transparente e solidária com os mais diversos públicos, o profissional de Comunicação Social é aquele que incorpora práticas responsáveis na elaboração de suas tarefas diárias. É aquele profissional que busca divulgar e estabelecer condições para a sustentabilidade da sociedade, estimulando o exercício da cidadania e lutando sempre pela melhoria da qualidade de vida da população e de sua saúde e em defesa do<span style="mso-spacerun: yes"> </span> meio ambiente.</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>Por isso, a cidadania que devemos defender é aquela da integração e do respeito pleno do homem para com a natureza. Para conseguirmos isto alguns princípios e objetivos devem ser cumpridos:</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>Devemos valorizar e abrir espaços para iniciativas pró-ativas. Devemos nos comportar como profissionais pró-ativos, impulsionando e contribuindo para construir uma sociedade melhor. E só conseguiremos isto se aumentarmos o nosso vínculo pessoal com a comunidade na qual atuamos. Para tanto, devemos nos engajar e estimular o engajamento empresarial nas questões de saúde pública, nas questões ambientais e promover campanhas de sensibilização para estes problemas.</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>Devemos informar sem preconceitos, permitindo a construção de uma consciência mais crítica sobre os temas estereotipados.</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>Devemos denunciar as agressões contra os direitos do homem e contra o meio ambiente, mas é bom que se diga, não basta divulgar, é preciso faze-lo com responsabilidade.</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>Devemos divulgar denúncias e soluções, pois assim contribuiremos para erradicar os problemas quando detectados. Disseminar campanhas de saúde e de prevenção às doenças, contra a fome, contra a violência doméstica, contra a criança, é um procedimento que demonstra a maturidade do profissional de comunicação social.</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>Devemos atuar como verdadeiros agentes fomentadores e fortalecedores de ações sociais, descobrindo novos caminhos e trilhar sempre aqueles que nos conduzem a uma prática de comunicação social voltada para o Cidadão.</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>Devemos estar conscientes de que divulgar os nomes de empresas socialmente comprometidas com o desenvolvimento sustentável é um ato de valorização da iniciativa e que, ao fazermos isto, tanto os profissionais como a mídia, estaremos dando visibilidade e estímulo para as empresas comprometidas com a prática social. Se isto é feito, tanto as empresas de comunicação como os profissionais<span style="mso-spacerun: yes"> </span> tomam consciência de seu papel e percebem que investir nesta área gera credibilidade para ambos. Destacar ações individuais ou empresariais na área social, é sensibilizar a sociedade para a importância deste tipo de atitude e de participação.</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>Para que possamos<span style="mso-spacerun: yes"> </span> exercer estes deveres sociais precisamos desenvolver uma forte consciência ética nas práticas da comunicação social em suas diferentes modalidades. Precisamos aproximar cada vez mais a mídia e as empresas nas quais exercemos nossas funções com outros segmentos da comunidade, tendo em vista que a Responsabilidade Social tem que estar na pauta do dia e mover todas as nossas ações.</b></p>
<p class="MsoBodyTextIndent" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="FONT-SIZE: 12pt"><strong>Precisamos ter sempre em mente que a qualidade da comunicação envolve princípios e compromissos com a Verdade, justiça, Liberdade e Responsabilidade. <u>A Verdade</u> envolve o rigor informativo (clareza, precisão e exatidão), a neutralidade valorativa (separar o que é informação de opinião), bem como os procedimentos discursivos que devemos praticar. <u>A justiça</u> envolve a imparcialidade com qu</strong></span><span style="FONT-WEIGHT: normal; FONT-SIZE: 12pt">e</span> <span style="FONT-SIZE: 12pt"><strong>informamos o cidadão e a maneira como tratamos os grupos sociais desfavorecidos. <u>A Liberdade</u>, por sua vez, envolve o nosso posicionamento e independência perante os condicionamentos externos, tais como os controles políticos, comerciais, as relações com as fontes e os conflitos de interesses entre empresas, profissionais e a maneira como lutamos pela preservação dos direitos do cidadão e do meio ambiente. A <u>Responsabilidade</u> é um princípio que está relacionado diretamente com a segurança das pessoas, com a privacidade e a sustentabilidade social, que devemos respeitar (Alsius, 2003).</strong></span></p>
<p class="MsoBodyTextIndent" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="FONT-SIZE: 12pt"><strong>Compete ainda ao profissional de imprensa diversificar as fontes ouvidas; preservar as informações que são protegidas por lei; levantar informações extra-oficiais que sirvam para ilustrar e esclarecer melhor os fatos a serem divulgados; ressaltar a importância dos fatos sem barreiras e preconceitos; indicar estratégias e soluções e não se limitar apenas a realizar denúncias; dar visibilidade aos fatos e realizações que sejam positivas; atuar como agente fortalecedor das ações; assumir uma postura crítica para refletir sobre a importância dos programas sociais e de saúde; acompanhar as ações governamentais e não-governamentais no setor da saúde pública; e, praticar um jornalismo sério comprometido com a ética e com a busca da verdade.</strong></span></p>
<p class="MsoBodyTextIndent" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><strong><span style="FONT-SIZE: 12pt">Em síntese, precisamos, como profissionais de Comunicação Social , estar preparados para lidar com assuntos delicados tais como: corrupção, pública ou privada, exploração do trabalho infantil, trabalho escravo, violência contra a mulher, abuso sexual de crianças e adolescentes, saúde pública e principalmente dos direitos do cidadão. A prática jornalística tem um compromisso ético com a busca da objetividade e da verdade visando a construção e preservação da cidadania.</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><strong>Por outro lado, compete ao profissional da saúde saber aproveitar os espaços que lhe são oferecidos na mídia para apresentar, de forma transparente, a questão das enfermidades, visto que, muitas vezes os discursos se fecham no nicho da competência de uma pretensa cientificidade, dificultando, ou até mesmo impossibilitando, que o leitor tenha uma compreensão clara sobre o tema (Epstein, 2005).</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b>Sendo assim é importante que o profissional da área de saúde entenda e aceite o fato de que não se pode entender a saúde divorciada da mídia e dos jornalistas,<span style="mso-spacerun: yes"> </span> responsáveis pela interface entre a ciência e a sociedade. Os profissionais da saúde não podem esquecer que os veículos especializados em temas científicos relacionados com a saúde e a medicina não circulam junto ao grande público que só toma conhecimento do que ocorre no setor por meio dos veículos de massa que fazem o papel de propagar as novidades e exatamente por causa disso devem colaborar com a imprensa no sentido de que esta possa reproduzir e desenvolver uma visão mais ampla sobre a saúde que, segundo a Organização Mundial de Saúde, envolve também o bem estar físico, social e espiritual dos indivíduos.</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><b> </b></p>
<p class="MsoBodyTextIndent" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="FONT-SIZE: 12pt"><strong>Sejam, portanto, éticos e socialmente responsáveis no exercício de suas funções profissionais exercendo e defendo a cidadania.</strong></span></p>
<p class="MsoBodyTextIndent" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><strong><font size="5"> </font></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><span style="FONT-SIZE: 16pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><strong> </strong></span></p>
<h3 style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 0cm"><u><font size="5">REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</font></u></h3>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><b><span style="FONT-SIZE: 16pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> </span></b></p>
<p class="MsoBodyText" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><strong>ALSIUS, Salvador. Ética? Invoque-se a qualidade. Conferência do XXVI Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, 2 a 6 de setembro de 2003, Belo Horizonte.</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><strong> </strong></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b>BUENO, Wilson da Costa. A cobertura de saúde na mídia brasileira: os sintomas de uma doença anunciada. In <u>Mídia e Saúde.</u> Issac Epstein [et al.] organizador. Adamantina: UNESCO/UMESP/FAI, 2001,pp.671-685. <span style="mso-spacerun: yes">         </span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><b> </b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b>EPSTEIN, Isaac. Introdução, in <u>Mídia e Saúde</u>.</b> <b><span lang="ES-TRAD" style="mso-ansi-language: ES-TRAD" xml:lang="ES-TRAD">Isaac Epstein&#8230;[et al.], organizador.</span> Adamantina: UNESCO/UMESP/FIA, 2001, pp. 25-29.</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><b> </b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b>EPSTEIN, Isaac.<span style="mso-spacerun: yes"> </span> Prefácio, in <u>Comunicação e Loucura: a representatividade da lei antimanicomial nos jornais O Estado de S. Paulo e A Tribuna</u>. Eliana Martins MARCOLINO. São Bernardo do Campo: UMESP, 2005, pp. 13-16.</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><b> </b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b>JESUS, Paula Renata Camargo de. Propaganda de Medicamentos,<span style="mso-spacerun: yes"> </span> in <u>Mídia e Saúde</u>. Isaac Epstein, José Marques de Melo, et al, organizadores. Adamantina: UNESCO/UMESP/FAI, 2001, pp.311-316.</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b> </b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b>LEMES, Conceição. Lições do Caso Covas  O show tem que parar. <u>Observatório da Imprensa</u>, 21 mar.2001. Disponível em <a href="http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos/jd210320001lp.htm">http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos/jd210320001lp.htm</a></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b>Acesso em 15 agosto 2005.</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b> </b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b>KUCINSKI, Bernardo. Jornalismo, saúde e cidadania, in <u>Interface  Comunicação, Saúde e Educação</u>, n° 6, fevereiro 2000, pp. 181-186.</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b> </b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b>SÁ, José de. Ética, informação e saúde, in <u>Mídia e Saúde</u>.</b> <b><span lang="ES-TRAD" style="mso-ansi-language: ES-TRAD" xml:lang="ES-TRAD">Isaac Epstein [et al.] organizador.</span> Adamantina: UNESCO/UMESP/FAI, 2001, pp. 307-310.</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b> </b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b> </b></p>
</div>
<div></div>
]]></content:encoded>
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		<title>ÉTICA E RESPONSABILIDADE SOCIAL (mensagem)</title>
		<link>http://smattos.blog.com/2005/08/23/etica-e-responsabilidade-social-mensagem/</link>
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		<pubDate>Tue, 23 Aug 2005 11:48:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>smattos</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> <?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /?>
</span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> </span></b></p>
<h1 style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 18pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><font color="#FF0000">ÉTICA E RESPONSABILIDADE SOCIAL</font></span></b></h1>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> </span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt">SÉRGIO MATTOS</span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt">(Mensagem do coordenador do curso de Comunicação Social das Faculdades Integradas Ipitanga/UNIBAHIA, dirigida aos formandos de 2005.1, com habilitação em Jornalismo e Relações Públicas, dia 19 de agosto de 2005)</span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> </span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt">Meus senhores, Minhas senhoras</span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt">Meus caros formandos de Jornalismo e Relações Públicas</span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> </span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> </span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><span style="mso-spacerun: yes">    </span> Em uma sociedade como a nossa, em que as informações se disseminam com maior velocidade e cresce a suscetibilidade às crises, tanto do ponto de vista público como privado, político ou organizacional, ampliam-se as funções e as responsabilidades dos profissionais que atuam na área da comunicação social, seja como Jornalista, como Relações Públicas ou como publicitário. Nossa atividade tem uma função estratégica na sociedade. As ações comunicacionais que desempenhamos têm uma importância fundamental no desenvolvimento auto-sustentável, na soberania do país, e na preservação dos direitos e da valorização da cidadania.</span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> </span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><span style="mso-spacerun: yes">  </span> Esta é a primeira vez que fazemos uma formatura conjunta dos cursos de Jornalismo e Relações Públicas das Faculdades Integradas Ipitanga, mantidas pela UNIBAHIA. Trata-se de uma oportunidade impar e que serve de base para consolidar o que venho tentando repassar aos alunos dos dois cursos: tanto os<span style="mso-spacerun: yes"> </span> Jornalistas como os<span style="mso-spacerun: yes"> </span> Relações Públicas são profissionais de Comunicação Social.<span style="mso-spacerun: yes"> </span> Assim sendo, a mensagem que trago hoje para vocês, é uma mensagem comum a todos os profissionais de comunicação e trata sobre a Ética e a Responsabilidade Social com que devemos exercer nosso papel na sociedade na qual estamos inseridos.</span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> </span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><span style="mso-spacerun: yes">  </span> A Responsabilidade Social é um tema que vem sendo analisado e debatido por estudiosos e profissionais de comunicação, Jornalistas,<span style="mso-spacerun: yes"> </span> Relações Públicas e Publicitários. Se uma empresa socialmente responsável é aquela que<span style="mso-spacerun: yes"> </span> está empenhada em construir uma relação ética, transparente e solidária com os mais diversos públicos, o profissional de Comunicação Social<span style="mso-spacerun: yes"> </span> é aquele que incorpora práticas responsáveis na elaboração de suas tarefas diárias. É aquele profissional que<span style="mso-spacerun: yes"> </span> busca divulgar e estabelecer condições para a sustentabilidade da sociedade, estimulando o exercício da cidadania e lutando sempre em defesa do meio ambiente.</span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> </span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><span style="mso-spacerun: yes">   </span> Por isso, a cidadania que devemos defender é aquela da integração e do respeito pleno do homem para com a natureza. Para conseguirmos isto, alguns<span style="mso-spacerun: yes"> </span> princípios e objetivos devem ser cumpridos:</span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> </span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><span style="mso-spacerun: yes">    </span> Devemos valorizar e abrir espaços para iniciativas pró-ativas.<span style="mso-spacerun: yes"> </span> Devemos nos comportar como profissionais pró-ativos, impulsionando e contribuindo para construir uma sociedade melhor. E só conseguiremos isto se aumentarmos o nosso vínculo pessoal com a comunidade na qual atuamos. Para tanto, devemos nos engajar e estimular o engajamento empresarial nas questões ambientais e promover campanhas de sensibilização para esses problemas.</span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> </span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><span style="mso-spacerun: yes">     </span> Devemos informar sem preconceitos, permitindo a construção de uma consciência mais crítica sobre os temas estereotipados.</span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> </span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><span style="mso-spacerun: yes">     </span> Devemos denunciar as agressões contra os direitos do homem e contra o meio ambiente,<span style="mso-spacerun: yes"> </span> mas, é bom que se diga, não basta divulgar, é preciso fazê-lo com responsabilidade.</span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> </span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><span style="mso-spacerun: yes">    </span> Devemos divulgar denuncias e soluções, pois assim contribuiremos para erradicar os problemas quando detectados. Disseminar campanhas contra a violência doméstica, contra a criança, contra a fome, é um procedimento que demonstra a maturidade do profissional de comunicação social.</span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> </span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><span style="mso-spacerun: yes">   </span> Devemos atuar como verdadeiros agentes fomentadores e fortalecedores de ações sociais, descobrindo novos caminhos e trilhar sempre aqueles que nos conduzam a uma prática de comunicação social voltada para o Cidadão;</span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> </span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><span style="mso-spacerun: yes">     </span> Devemos estar conscientes de que divulgar o nome de empresas socialmente comprometidas com o desenvolvimento sustentável é um ato de valorização da iniciativa e que, ao fazermos isto, tanto os profissionais como a mídia, estaremos dando visibilidade e estímulo para as empresas comprometidas com a prática social. Se isto é feito, tanto as empresas de comunicação como os profissionais tomam consciência de seu papel e percebem que investir nesta área gera credibilidade para ambos. Destacar ações individuais ou empresariais na área social,<span style="mso-spacerun: yes"> </span> é sensibilizar a sociedade para a importância deste tipo de atitude e de participação.</span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> </span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><span style="mso-spacerun: yes">   </span> Para que possamos exercer estes deveres sociais precisamos desenvolver uma forte consciência ética nas práticas da comunicação social em suas diferentes modalidades. Precisamos aproximar cada vez mais a mídia e as empresas nas quais exercemos nossas funções com<span style="mso-spacerun: yes"> </span> outros segmentos da comunidade, tendo em vista que a Responsabilidade Social tem que estar na pauta do dia e mover todas as nossas ações.</span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> </span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><span style="mso-spacerun: yes">  </span> Precisamos ter sempre em mente que a qualidade da comunicação envolve os princípios e os compromissos com a Verdade, Justiça, Liberdade e Responsabilidade. A <u>Verdade</u> envolve o rigor informativo (clareza, precisão e exatidão), a neutralidade valorativa (separar o que é informação de opinião), bem como os procedimentos discursivos que devemos praticar. A<span style="mso-spacerun: yes"> </span> <u>Justiça</u> envolve a<span style="mso-spacerun: yes"> </span> imparcialidade com que informamos o cidadão e a maneira como tratamos os grupos sociais desfavorecidos. A <u>Liberdade</u>, por sua vez, envolve o nosso posicionamento e independência perante os condicionamentos externos, tais como os controles políticos, comerciais, as relações com as fontes e os conflitos de interesses entre empresas, profissionais e a maneira como lutamos pela preservação dos direitos do cidadão e do meio ambiente. A <u>Responsabilidade</u> é um princípio que está relacionado diretamente com a segurança das pessoas, com a privacidade<span style="mso-spacerun: yes"> </span> e a sustentabilidade social, que devemos respeitar.</span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> </span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><span style="mso-spacerun: yes">  </span> Em síntese, precisamos, como profissionais de Comunicação Social, estar preparados para lidar com assuntos delicados tais como: corrupção, pública ou privada,<span style="mso-spacerun: yes"> </span> exploração do trabalho infantil,<span style="mso-spacerun: yes"> </span> trabalho escravo,<span style="mso-spacerun: yes"> </span> violência contra a mulher e o abuso sexual de crianças e adolescentes. Enquanto a prática jornalística tem um compromisso ético com a busca da objetividade e da verdade, o profissional de Relações Públicas tem uma importância estratégica na promoção do relacionamento das empresas com seus públicos alvos visando a construção e preservação da cidadania.<span style="mso-spacerun: yes">  </span></span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> </span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><span style="mso-spacerun: yes">   </span> Sejam,<span style="mso-spacerun: yes"> </span> portanto, éticos e socialmente responsáveis no exercício de suas funções profissionais e que Deus nos ajude a construir um Brasil melhor.</span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><span style="mso-spacerun: yes">    </span> Boa sorte!</span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> </span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> </span></b></p>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> <?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /?><br />
</span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> </span></b></p>
<h1 style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 18pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><font color="#FF0000">ÉTICA E RESPONSABILIDADE SOCIAL</font></span></b></h1>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> </span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt">SÉRGIO MATTOS</span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt">(Mensagem do coordenador do curso de Comunicação Social das Faculdades Integradas Ipitanga/UNIBAHIA, dirigida aos formandos de 2005.1, com habilitação em Jornalismo e Relações Públicas, dia 19 de agosto de 2005)</span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> </span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt">Meus senhores, Minhas senhoras</span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt">Meus caros formandos de Jornalismo e Relações Públicas</span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> </span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> </span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><span style="mso-spacerun: yes">    </span> Em uma sociedade como a nossa, em que as informações se disseminam com maior velocidade e cresce a suscetibilidade às crises, tanto do ponto de vista público como privado, político ou organizacional, ampliam-se as funções e as responsabilidades dos profissionais que atuam na área da comunicação social, seja como Jornalista, como Relações Públicas ou como publicitário. Nossa atividade tem uma função estratégica na sociedade. As ações comunicacionais que desempenhamos têm uma importância fundamental no desenvolvimento auto-sustentável, na soberania do país, e na preservação dos direitos e da valorização da cidadania.</span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> </span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><span style="mso-spacerun: yes">  </span> Esta é a primeira vez que fazemos uma formatura conjunta dos cursos de Jornalismo e Relações Públicas das Faculdades Integradas Ipitanga, mantidas pela UNIBAHIA. Trata-se de uma oportunidade impar e que serve de base para consolidar o que venho tentando repassar aos alunos dos dois cursos: tanto os<span style="mso-spacerun: yes"> </span> Jornalistas como os<span style="mso-spacerun: yes"> </span> Relações Públicas são profissionais de Comunicação Social.<span style="mso-spacerun: yes"> </span> Assim sendo, a mensagem que trago hoje para vocês, é uma mensagem comum a todos os profissionais de comunicação e trata sobre a Ética e a Responsabilidade Social com que devemos exercer nosso papel na sociedade na qual estamos inseridos.</span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> </span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><span style="mso-spacerun: yes">  </span> A Responsabilidade Social é um tema que vem sendo analisado e debatido por estudiosos e profissionais de comunicação, Jornalistas,<span style="mso-spacerun: yes"> </span> Relações Públicas e Publicitários. Se uma empresa socialmente responsável é aquela que<span style="mso-spacerun: yes"> </span> está empenhada em construir uma relação ética, transparente e solidária com os mais diversos públicos, o profissional de Comunicação Social<span style="mso-spacerun: yes"> </span> é aquele que incorpora práticas responsáveis na elaboração de suas tarefas diárias. É aquele profissional que<span style="mso-spacerun: yes"> </span> busca divulgar e estabelecer condições para a sustentabilidade da sociedade, estimulando o exercício da cidadania e lutando sempre em defesa do meio ambiente.</span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> </span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><span style="mso-spacerun: yes">   </span> Por isso, a cidadania que devemos defender é aquela da integração e do respeito pleno do homem para com a natureza. Para conseguirmos isto, alguns<span style="mso-spacerun: yes"> </span> princípios e objetivos devem ser cumpridos:</span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> </span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><span style="mso-spacerun: yes">    </span> Devemos valorizar e abrir espaços para iniciativas pró-ativas.<span style="mso-spacerun: yes"> </span> Devemos nos comportar como profissionais pró-ativos, impulsionando e contribuindo para construir uma sociedade melhor. E só conseguiremos isto se aumentarmos o nosso vínculo pessoal com a comunidade na qual atuamos. Para tanto, devemos nos engajar e estimular o engajamento empresarial nas questões ambientais e promover campanhas de sensibilização para esses problemas.</span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> </span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><span style="mso-spacerun: yes">     </span> Devemos informar sem preconceitos, permitindo a construção de uma consciência mais crítica sobre os temas estereotipados.</span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> </span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><span style="mso-spacerun: yes">     </span> Devemos denunciar as agressões contra os direitos do homem e contra o meio ambiente,<span style="mso-spacerun: yes"> </span> mas, é bom que se diga, não basta divulgar, é preciso fazê-lo com responsabilidade.</span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> </span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><span style="mso-spacerun: yes">    </span> Devemos divulgar denuncias e soluções, pois assim contribuiremos para erradicar os problemas quando detectados. Disseminar campanhas contra a violência doméstica, contra a criança, contra a fome, é um procedimento que demonstra a maturidade do profissional de comunicação social.</span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> </span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><span style="mso-spacerun: yes">   </span> Devemos atuar como verdadeiros agentes fomentadores e fortalecedores de ações sociais, descobrindo novos caminhos e trilhar sempre aqueles que nos conduzam a uma prática de comunicação social voltada para o Cidadão;</span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> </span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><span style="mso-spacerun: yes">     </span> Devemos estar conscientes de que divulgar o nome de empresas socialmente comprometidas com o desenvolvimento sustentável é um ato de valorização da iniciativa e que, ao fazermos isto, tanto os profissionais como a mídia, estaremos dando visibilidade e estímulo para as empresas comprometidas com a prática social. Se isto é feito, tanto as empresas de comunicação como os profissionais tomam consciência de seu papel e percebem que investir nesta área gera credibilidade para ambos. Destacar ações individuais ou empresariais na área social,<span style="mso-spacerun: yes"> </span> é sensibilizar a sociedade para a importância deste tipo de atitude e de participação.</span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> </span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><span style="mso-spacerun: yes">   </span> Para que possamos exercer estes deveres sociais precisamos desenvolver uma forte consciência ética nas práticas da comunicação social em suas diferentes modalidades. Precisamos aproximar cada vez mais a mídia e as empresas nas quais exercemos nossas funções com<span style="mso-spacerun: yes"> </span> outros segmentos da comunidade, tendo em vista que a Responsabilidade Social tem que estar na pauta do dia e mover todas as nossas ações.</span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> </span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><span style="mso-spacerun: yes">  </span> Precisamos ter sempre em mente que a qualidade da comunicação envolve os princípios e os compromissos com a Verdade, Justiça, Liberdade e Responsabilidade. A <u>Verdade</u> envolve o rigor informativo (clareza, precisão e exatidão), a neutralidade valorativa (separar o que é informação de opinião), bem como os procedimentos discursivos que devemos praticar. A<span style="mso-spacerun: yes"> </span> <u>Justiça</u> envolve a<span style="mso-spacerun: yes"> </span> imparcialidade com que informamos o cidadão e a maneira como tratamos os grupos sociais desfavorecidos. A <u>Liberdade</u>, por sua vez, envolve o nosso posicionamento e independência perante os condicionamentos externos, tais como os controles políticos, comerciais, as relações com as fontes e os conflitos de interesses entre empresas, profissionais e a maneira como lutamos pela preservação dos direitos do cidadão e do meio ambiente. A <u>Responsabilidade</u> é um princípio que está relacionado diretamente com a segurança das pessoas, com a privacidade<span style="mso-spacerun: yes"> </span> e a sustentabilidade social, que devemos respeitar.</span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> </span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><span style="mso-spacerun: yes">  </span> Em síntese, precisamos, como profissionais de Comunicação Social, estar preparados para lidar com assuntos delicados tais como: corrupção, pública ou privada,<span style="mso-spacerun: yes"> </span> exploração do trabalho infantil,<span style="mso-spacerun: yes"> </span> trabalho escravo,<span style="mso-spacerun: yes"> </span> violência contra a mulher e o abuso sexual de crianças e adolescentes. Enquanto a prática jornalística tem um compromisso ético com a busca da objetividade e da verdade, o profissional de Relações Públicas tem uma importância estratégica na promoção do relacionamento das empresas com seus públicos alvos visando a construção e preservação da cidadania.<span style="mso-spacerun: yes">  </span></span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> </span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><span style="mso-spacerun: yes">   </span> Sejam,<span style="mso-spacerun: yes"> </span> portanto, éticos e socialmente responsáveis no exercício de suas funções profissionais e que Deus nos ajude a construir um Brasil melhor.</span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><span style="mso-spacerun: yes">    </span> Boa sorte!</span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> </span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><b><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> </span></b></p>
</div>
<div></div>
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		<title>CENSURA NA IMPRENSA BAIANA - Entrevista</title>
		<link>http://smattos.blog.com/2005/07/04/censura-na-imprensa-baiana-entrevista/</link>
		<comments>http://smattos.blog.com/2005/07/04/censura-na-imprensa-baiana-entrevista/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 04 Jul 2005 11:45:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>smattos</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"> <?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /?>
</p>
<h1 style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font size="5">CENSURA NA IMPRENSA BAIANA</font></h1>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"> </p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"> </p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><strong>Entrevista concedida a Isabela Nery </strong><strong> </strong></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><strong>(Em 30 de Abril de 2005, para Trabalho de Conclusão de Curso em Jornalismo na FTC -Salvador).<br /></strong><br />
<br style="mso-special-character: line-break" />
<br style="mso-special-character: line-break" /></p>
<ol style="MARGIN-TOP: 0cm" type="1">
<li class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; COLOR: red; TEXT-ALIGN: justify; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 36.0pt"><b>O senhor poderia dizer alguns dados de sua carreira: nome completo, idade, naturalidade, formação e vinculação partidária (na época)?</b></li>
</ol>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-ALIGN: justify"><b><span style="COLOR: navy">Sérgio Mattos</span></b> -<span style="mso-spacerun: yes"> </span> Nome completo: Sérgio Augusto Soares Mattos, 56 anos, natural de Fortaleza, Ceará, e baiano por opção e por papel passado (tenho o Titulo de Cidadão Baiano concedido pela Assembléia Legislativa do Estado da Bahia. Minha graduação é em <b>Jornalismo</b> (1971), pela Universidade Federal da Bahia, <b>Mestre em Comunicação</b> (1980), pela Universidade do Texas, em Austin, Estados Unidos, e <b>Doutor em Comunicação</b>(1982), também pela Universidade do Texas, Austin, Estados Unidos.<br />
Nunca me inscrevi em nenhum partido político, mas sempre defendi idéias liberais e democráticas.<br style="mso-special-character: line-break" />
<br style="mso-special-character: line-break" /></p>
<ol style="MARGIN-TOP: 0cm" type="1" start="2">
<li class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; COLOR: red; TEXT-ALIGN: justify; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 36.0pt"><b>Em quais jornais o senhor trabalhou e em que período?</b></li>
</ol>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-ALIGN: justify"><b><span style="COLOR: navy">Sérgio Mattos</span></b>  Comecei minhas atividades como jornalista com a idade de 16 anos no jornal <b><span style="COLOR: black">A Semana</span></b>  um jornal semanário da Arquidiocese do Salvador. Foi lá onde fiz e publiquei a minha primeira reportagem especial e que teve boa repercussão: uma entrevista com D. Helder Câmera, então arcebispo de Olinda, Pernambuco. O então chefe da Policia Federal na Bahia, Coronel Luis Arthur, tentou apreender a edição, mas após ameaça do então Administrador Apostólico da Arquidiocese, D. Eugênio Sales de que mandaria ler os textos nas igrejas, o semanário foi liberado e vendido normalmente nas portas das Igrejas. Trabalhei, com, carteira assinada como jornalista profissional nos jornais locais <b>Tribuna da Bahia</b> e <b>A Tarde</b>, além de ter prestado serviços free-lancer para<span style="mso-spacerun: yes"> </span> jornais e revistas do sul tais como <b>Correio da Manhã, Jornal do Brasil, O Globo, Manchete e Veja.</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-ALIGN: justify"><br style="mso-special-character: line-break" />
<br style="mso-special-character: line-break" /></p>
<ol style="MARGIN-TOP: 0cm" type="1" start="3">
<li class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; COLOR: red; TEXT-ALIGN: justify; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 36.0pt"><b>O que fazia durante a Ditadura Militar?</b></li>
</ol>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-ALIGN: justify"><b><span style="COLOR: navy">Sérgio Mattos</span></b>  Quando o golpe de 1964 foi instalado eu estava concluindo o ginásio, no Colégio São Bento. Participava da JEC  Juventude Estudantil Católica, tendo dirigido o grupo de base do Colégio Estadual da Bahia  Central, muito visado pelas autoridades policiais e militares, onde fiz o colegial (2º grau nos anos de 1965, 1966 e 1967) e participei dos movimentos estudantis da época. É sabido que D. Eugênio Sales encerrou as atividades da JEC em Salvador devido ao meu grupo, no Colégio Central da Bahia, que foi acusado de se envolver mais em política estudantil do que nas atividades de ação católica. O resultado foi que várias pessoas, antes membros da Ação Católica (JEC, JOC e JUC) passaram a exercer efetivamente atividades e militância políticas, principalmente,<span style="mso-spacerun: yes"> </span> por meio do grupo denominado<span style="mso-spacerun: yes"> </span> "AP  Ação Popular". Em 1968 ingressei na UFBA,<span style="mso-spacerun: yes"> </span> onde obtive o diploma de Bacharel em Jornalismo no ano de 1971. Enquanto fazia faculdade integrei em 1968 e 1969 a redação da revista <b>Liderança</b> e o Grupo da Escolinha TB (da <b>Tribuna da Bahia</b>) que estava preparando os repórteres que iriam integrar a turma de fundadores no jornal que começou a circular no dia 21 de outubro de 1969, a partir de quando passei a ter carteira assinada como jornalista profissional, antes mesmo de concluir o curso. Na<span style="mso-spacerun: yes"> </span> <b>Tribuna da Bahia</b> fui repórter da geral, repórter de setor, repórter político, repórter especial e Chefe de Reportagem. Saí da TB a convite de <b>A Tarde</b>, onde a partir de fevereiro de 1971 exerci funções de editor até fevereiro de 2003, período este interrompido apenas para a obtenção dos títulos de pós-graduação nos Estados Unidos. No período em que trabalhei no <b>A Tarde</b><span style="mso-spacerun: yes"> </span> criei e editei produtos pioneiros e inovadores na história da imprensa baiana tais como: O Jornal de Utilidades, A Tarde Municípios e A Tarde Rural. Vale lembrar que no período de 1973 a 1997 exerci também as funções de professor da FACOM/UFBA.</p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-ALIGN: justify"><b> </b></p>
<ol style="MARGIN-TOP: 0cm" type="1" start="4">
<li class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; COLOR: red; TEXT-ALIGN: justify; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 36.0pt"><b>O jornal onde trabalhava sofreu censura prévia? De que forma?</b></li>
</ol>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-ALIGN: justify"><b><span style="COLOR: navy">Sérgio Mattos</span></b>  Sim. Todos os jornais, inclusive estes, nos quais trabalhei, eram censurados e recebiam constantemente os avisos dos assuntos, temas e pessoas sobre os quais<span style="mso-spacerun: yes"> </span> não poderíamos publicar nem comentar absolutamente nada. Isto ocorreu no período de 1964 a 1979, quando o presidente Ernesto Geisel extinguiu, no mês de março, o Ato Institucional nº 5. As formas de censura utilizadas eram comunicados por escrito de maneira lacônica que eram entregues por agentes federais nas redações dos jornais. Os papéis, geralmente em formato de uma folha de oficio cortada pela metade traziam secamente a ordem: "Por ordem expressa do ministro da justiça...tal assunto está proibido de ser veiculado na imprensa escrita ou falada"; "Por ordem do Chefe da Policia Federal ...( tal assunto) está proibido". Muitas vezes, as proibições também eram feitas via telefone e a pessoa que o recebia, como também quem recebia o papelucho, ficava responsável perante as autoridades policiais pelo cumprimento da "ordem proibitiva" independente do grau de responsabilidade hierárquica que tivesse dentro da redação. Quem recebia o comunicado tinha que avisar a todo mundo principalmente aos chefes imediatos, editores e redator chefe.<span style="mso-spacerun: yes"> </span> Exemplos destas proibições você pode localizar no livro "O Controle dos Meios de Comunicação", de minha autoria, que está disponível no meu sítio pessoal (<a href="http://www.sergiomattos.com.br/">www.sergiomattos.com.br</a>).<span style="mso-spacerun: yes"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-ALIGN: justify"> </p>
<ol style="MARGIN-TOP: 0cm" type="1" start="5">
<li class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; COLOR: red; TEXT-ALIGN: justify; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 36.0pt"><b>Existia a presença do censor na redação onde o senhor trabalhava?</b></li>
</ol>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-ALIGN: justify"><b><span style="COLOR: navy">Sérgio Mattos</span></b> - Nem na <b>Tribuna da Bahia</b> nem em <b>A Tarde</b> tinha censura prévia, com censor instalado na redação, pelo menos no período em que trabalhei nestes nos dois jornais. Tenho conhecimento de censura prévia, com a presença de censor em <b>A Tarde</b> durante a ditadura de Getulio Vargas, mas esta é uma outra história. Durante o período em que trabalhei neste dois jornais, se houve presença de "censor/vigia" infiltrado para fazer denúncia contra jornalistas, eu não soube nem nunca ouvi falar nada a respeito. Mas, nos jornais e revistas do sul do país, submetidos à censura prévia, dentro das redações se podia encontrar mais de um censor.</p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-ALIGN: justify"> </p>
<ol style="MARGIN-TOP: 0cm" type="1" start="6">
<li class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; COLOR: red; TEXT-ALIGN: justify; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 36.0pt"><b>Como o jornal reagia às decisões dos censores? Como o jornal ocupava os espaços deixados em branco, após os cortes dos censores?</b></li>
</ol>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-ALIGN: justify"><b><span style="COLOR: navy">Sérgio Mattos</span></b>  Aqui não tivemos censura interna nas redações e como sabíamos antecipadamente quais os assuntos proibidos tratávamos de publicar outras matérias ou de tentar dizer para o público leitor o assunto proibido de outras formas.O caso mais sensacional que existe de preenchimento de espaços censurados ocorreu no <b>Estado de S. Paulo</b>, onde os textos censurados eram substituídos por poemas de Camões, por receitas de bolo ou instruções de como cultivar rosas. Esta história também você encontra com vários exemplos no livro "O Controle dos Meios de Comunicação".<br style="mso-special-character: line-break" />
<br style="mso-special-character: line-break" /></p>
<ol style="MARGIN-TOP: 0cm" type="1" start="7">
<li class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; COLOR: red; TEXT-ALIGN: justify; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 36.0pt"><b>Qual o comportamento dos colegas da imprensa?</b></li>
</ol>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-ALIGN: justify"><b><span style="COLOR: navy">Sérgio Mattos</span></b>  Todos os jornalistas sempre foram contra a censura e devemos continuar defendendo o direito de informação e de liberdade de expressão acima de tudo. Os jornalistas baianos reagiam à censura da mesma forma, com indignação, que outros colegas do norte ou do sul também reagiam. E não podia nem pode ser de outra forma. Durante os 21 anos do Golpe de 1964 vários jornalistas foram presos, espancados e impedidos de exercer a profissão.</p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-ALIGN: justify"> </p>
<ol style="MARGIN-TOP: 0cm" type="1" start="8">
<li class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; COLOR: red; TEXT-ALIGN: justify; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 36.0pt"><b>Qual a linha editorial dos jornais baianos da época? O senhor pode me citar o nome dos jornais que atuavam em Salvador na época?</b></li>
</ol>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-ALIGN: justify"><b><span style="COLOR: navy">Sérgio Mattos</span></b>  No período da revolução de 64 os jornais que circulavam em Salvador eram: <b>A Tarde</b>, <b>Tribuna da Bahia</b>, <b>Jornal da Bahia</b>, <b>Diário de Notícias</b>, <b>Estado da Bahia</b>, <b>A Semana</b> e o <b>Jornal IC</b>.<span style="mso-spacerun: yes"> </span> Todos os jornais tinham ou apresentavam uma linha editorial de jornal informativo e independente.</p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-ALIGN: justify"> </p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-ALIGN: justify"><b><span style="COLOR: red">9. Existe um arquivo das matérias censuradas no jornal em que o senhor<br />
<span style="mso-spacerun: yes">      </span> trabalhou?<br /></span><span style="COLOR: navy">Sérgio Mattos</span></b>  Paolo Marconi, um colega de turma da Faculdade e colega também na <b>Tribuna da Bahia</b> escreveu um livro, intitulado "Censura 1968-1978", que virou um clássico. Ele colecionou vários papéis, ordens de censura. Não posso afirmar se ele ainda os conserva, mas atualmente ele é conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios, que fica no Centro Administrativo da Bahia, e talvez você possa<span style="mso-spacerun: yes"> </span> falar com ele e tirar esta dúvida ou quem sabe até ver e sentir com as próprias mãos, se ele ainda conservar os papeluchos da censura. Vale a pena tentar... Pelo que sei apenas de Paolo colecionou estes papeizinhos de censura. Desconheço que algum outro jornal ou profissional baiano tenha guardado estas proibições. Procure saber da ABI  Associação Baiana de Imprensa,<span style="mso-spacerun: yes"> </span> para ver se no museu da imprensa, que fica lá, existem alguns arquivados.</p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 18pt; TEXT-ALIGN: justify"> </p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 18pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: red">10.<span style="mso-spacerun: yes"> </span> <b>O senhor conhece algum censor, para eu entrevistar?</b></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-ALIGN: justify"><b><span style="COLOR: navy">Sérgio Mattos</span></b>  Não, Não conheço. Mas você pode procurar na Policia Federal e saber o nome de algum que tenha exercido esta função aqui na Bahia.</p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"> </p>
<ol style="MARGIN-TOP: 0cm" type="1" start="11">
<li class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; COLOR: red; TEXT-ALIGN: justify; mso-list: l1 level1 lfo2; tab-stops: list 36.0pt"><b>Na opinião do senhor, qual foi o período mais duro, dentro dos anos do governo militar? Qual o período em que a imprensa sofreu mais com a</b> <b>censura?</b></li>
</ol>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-ALIGN: justify"><b><span style="COLOR: navy">Sérgio Mattos</span></b>  O período do governo Médici, de 1969 a 1974. Este foi o período no qual o regime militar mais fez propaganda e usou os veículos de comunicação para manter o <i><u>status quo.</u></i> O governo Médici coincide também com o período no qual a censura se fez mais presente e atuante e a repressão foi uma das mais duras, com a prisão de vários intelectuais, professores, políticos e jornalistas. Foi o período da guerrilha urbana e quando a censura se fez exercer, não apenas com bilhetes e telefonemas, mas com ameaças, torturas e prisões.</p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-ALIGN: justify"> </p>
<p class="MsoBodyText" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 21pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: red"><strong>12. Quero saber se, apesar dos jornalistas estarem contra a censura, existia o<br />
<span style="mso-spacerun: yes">      </span> medo de ser preso, se o clima na redação era tenso por causa disso?</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 21pt; TEXT-ALIGN: justify"><strong><span style="COLOR: navy">Sérgio Mattos</span> -</strong> O medo é uma característica individual, não dá para dizer se havia o medo de ser preso, ou não, em cada indivíduo que naquela época atuava como jornalista, salvo se cada um deles venha a revelar. É certo, porém, afirmar que muitos eram mais afoitos e outros mais covardes e, apenas nestes, os covardes sim, podíamos constatar o medo das conseqüências. Mas, observe por outro ângulo: se considerarmos que no pior período de censura (1978-1978) houve muita autocensura, tanto por parte dos veículos como por parte dos profissionais, poderíamos dizer que houve, de certa maneira, muito medo das conseqüências, pois quem não as teme ou temia, é ou era destemido e enfrentava a realidade como ocorreu com vários jornais, apreendidos, empastelados e perseguidos, além de sofrerem também cortes de possíveis anúncios oficiais ou de empresas dependentes do governo. Por parte dos jornalistas diria também que ocorreu o mesmo. Muitos se auto censuravam ou se omitiam cumprindo apenas as obrigações e tarefas mandadas a fazer pelos seus superiores, por medo das conseqüências que podiam se abater sobre eles mesmos e/ou sobre suas respectivas famílias. Não devemos, portanto, condenar estas atitudes de sobrevivência adotadas pelos seres humanos, pois, só quando nos encontramos em situações semelhantes é que temos a idéia exata da tensão sofrida por cada um. Na época,<span style="mso-spacerun: yes"> </span> tivemos também muitos que passaram a adotar uma atitude destemida e acabaram presos, torturados e desempregados. E teve aquele grupo que apesar de não se expor abertamente, atuava nos bastidores procurando e encontrando sempre brechas para denunciar os fatos que estavam sendo censurados e outros mais. E este trabalho de bastidor foi o exercido pela maioria dos jornalistas conscientes da realidade e do perigo que o regime representava para as liberdades individuais e em especial para a liberdade de imprensa. Na verdade existem vários heróis anônimos na história da imprensa brasileira e na história da imprensa da Bahia. A<span style="mso-spacerun: yes"> </span> história daqueles jornalistas que lutaram contra o regime sem aparecer, sem dar testa, quase como se estivessem fazendo uma guerrilha underground no sentido de prevenir a população de que o regime estava proibindo a divulgação de certas notícias; que<span style="mso-spacerun: yes"> </span> estava limitando as liberdades individuais e que representava uma grande ameaça para a liberdade de imprensa. Os veículos de comunicação eram muito visados e todos os jornalistas eram vigiados, pois representavam um perigo para o regime, até porque a imprensa sempre foi de vanguarda e os intelectuais da esquerda, principalmente, eram encontrados com facilidade nas redações dos jornais como profissionais ou colaboradores. Na época do regime quem trabalhava em jornal possuía uma pasta (dossiê) com seu nome na Polícia Federal, na 2ª Secção do Exército e outros órgãos de "inteligência" do poder constituído. Nestas pastas era colecionado tudo sobre cada profissional que estivesse no exercício do jornalismo. Tudo o que o jornalista escrevia ou o que diziam sobre ele, fossem fatos concretos ou apenas boatos, eram arquivados. E assim, os órgãos de informação do governo possuíam verdadeiros dossiês sobre cada jornalista em atividade.</p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"> </p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"> </p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"> </p>
]]></description>
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<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"> <?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /?>
</p>
<h1 style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><font size="5">CENSURA NA IMPRENSA BAIANA</font></h1>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"> </p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"> </p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><strong>Entrevista concedida a Isabela Nery </strong><strong> </strong></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><strong>(Em 30 de Abril de 2005, para Trabalho de Conclusão de Curso em Jornalismo na FTC -Salvador).<br /></strong><br />
<br style="mso-special-character: line-break" /><br />
<br style="mso-special-character: line-break" /></p>
<ol style="MARGIN-TOP: 0cm" type="1">
<li class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; COLOR: red; TEXT-ALIGN: justify; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 36.0pt"><b>O senhor poderia dizer alguns dados de sua carreira: nome completo, idade, naturalidade, formação e vinculação partidária (na época)?</b></li>
</ol>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-ALIGN: justify"><b><span style="COLOR: navy">Sérgio Mattos</span></b> -<span style="mso-spacerun: yes"> </span> Nome completo: Sérgio Augusto Soares Mattos, 56 anos, natural de Fortaleza, Ceará, e baiano por opção e por papel passado (tenho o Titulo de Cidadão Baiano concedido pela Assembléia Legislativa do Estado da Bahia. Minha graduação é em <b>Jornalismo</b> (1971), pela Universidade Federal da Bahia, <b>Mestre em Comunicação</b> (1980), pela Universidade do Texas, em Austin, Estados Unidos, e <b>Doutor em Comunicação</b>(1982), também pela Universidade do Texas, Austin, Estados Unidos.<br />
Nunca me inscrevi em nenhum partido político, mas sempre defendi idéias liberais e democráticas.<br style="mso-special-character: line-break" /><br />
<br style="mso-special-character: line-break" /></p>
<ol style="MARGIN-TOP: 0cm" type="1" start="2">
<li class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; COLOR: red; TEXT-ALIGN: justify; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 36.0pt"><b>Em quais jornais o senhor trabalhou e em que período?</b></li>
</ol>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-ALIGN: justify"><b><span style="COLOR: navy">Sérgio Mattos</span></b>  Comecei minhas atividades como jornalista com a idade de 16 anos no jornal <b><span style="COLOR: black">A Semana</span></b>  um jornal semanário da Arquidiocese do Salvador. Foi lá onde fiz e publiquei a minha primeira reportagem especial e que teve boa repercussão: uma entrevista com D. Helder Câmera, então arcebispo de Olinda, Pernambuco. O então chefe da Policia Federal na Bahia, Coronel Luis Arthur, tentou apreender a edição, mas após ameaça do então Administrador Apostólico da Arquidiocese, D. Eugênio Sales de que mandaria ler os textos nas igrejas, o semanário foi liberado e vendido normalmente nas portas das Igrejas. Trabalhei, com, carteira assinada como jornalista profissional nos jornais locais <b>Tribuna da Bahia</b> e <b>A Tarde</b>, além de ter prestado serviços free-lancer para<span style="mso-spacerun: yes"> </span> jornais e revistas do sul tais como <b>Correio da Manhã, Jornal do Brasil, O Globo, Manchete e Veja.</b></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-ALIGN: justify"><br style="mso-special-character: line-break" /><br />
<br style="mso-special-character: line-break" /></p>
<ol style="MARGIN-TOP: 0cm" type="1" start="3">
<li class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; COLOR: red; TEXT-ALIGN: justify; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 36.0pt"><b>O que fazia durante a Ditadura Militar?</b></li>
</ol>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-ALIGN: justify"><b><span style="COLOR: navy">Sérgio Mattos</span></b>  Quando o golpe de 1964 foi instalado eu estava concluindo o ginásio, no Colégio São Bento. Participava da JEC  Juventude Estudantil Católica, tendo dirigido o grupo de base do Colégio Estadual da Bahia  Central, muito visado pelas autoridades policiais e militares, onde fiz o colegial (2º grau nos anos de 1965, 1966 e 1967) e participei dos movimentos estudantis da época. É sabido que D. Eugênio Sales encerrou as atividades da JEC em Salvador devido ao meu grupo, no Colégio Central da Bahia, que foi acusado de se envolver mais em política estudantil do que nas atividades de ação católica. O resultado foi que várias pessoas, antes membros da Ação Católica (JEC, JOC e JUC) passaram a exercer efetivamente atividades e militância políticas, principalmente,<span style="mso-spacerun: yes"> </span> por meio do grupo denominado<span style="mso-spacerun: yes"> </span> &#8220;AP  Ação Popular&#8221;. Em 1968 ingressei na UFBA,<span style="mso-spacerun: yes"> </span> onde obtive o diploma de Bacharel em Jornalismo no ano de 1971. Enquanto fazia faculdade integrei em 1968 e 1969 a redação da revista <b>Liderança</b> e o Grupo da Escolinha TB (da <b>Tribuna da Bahia</b>) que estava preparando os repórteres que iriam integrar a turma de fundadores no jornal que começou a circular no dia 21 de outubro de 1969, a partir de quando passei a ter carteira assinada como jornalista profissional, antes mesmo de concluir o curso. Na<span style="mso-spacerun: yes"> </span> <b>Tribuna da Bahia</b> fui repórter da geral, repórter de setor, repórter político, repórter especial e Chefe de Reportagem. Saí da TB a convite de <b>A Tarde</b>, onde a partir de fevereiro de 1971 exerci funções de editor até fevereiro de 2003, período este interrompido apenas para a obtenção dos títulos de pós-graduação nos Estados Unidos. No período em que trabalhei no <b>A Tarde</b><span style="mso-spacerun: yes"> </span> criei e editei produtos pioneiros e inovadores na história da imprensa baiana tais como: O Jornal de Utilidades, A Tarde Municípios e A Tarde Rural. Vale lembrar que no período de 1973 a 1997 exerci também as funções de professor da FACOM/UFBA.</p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-ALIGN: justify"><b> </b></p>
<ol style="MARGIN-TOP: 0cm" type="1" start="4">
<li class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; COLOR: red; TEXT-ALIGN: justify; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 36.0pt"><b>O jornal onde trabalhava sofreu censura prévia? De que forma?</b></li>
</ol>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-ALIGN: justify"><b><span style="COLOR: navy">Sérgio Mattos</span></b>  Sim. Todos os jornais, inclusive estes, nos quais trabalhei, eram censurados e recebiam constantemente os avisos dos assuntos, temas e pessoas sobre os quais<span style="mso-spacerun: yes"> </span> não poderíamos publicar nem comentar absolutamente nada. Isto ocorreu no período de 1964 a 1979, quando o presidente Ernesto Geisel extinguiu, no mês de março, o Ato Institucional nº 5. As formas de censura utilizadas eram comunicados por escrito de maneira lacônica que eram entregues por agentes federais nas redações dos jornais. Os papéis, geralmente em formato de uma folha de oficio cortada pela metade traziam secamente a ordem: &#8220;Por ordem expressa do ministro da justiça&#8230;tal assunto está proibido de ser veiculado na imprensa escrita ou falada&#8221;; &#8220;Por ordem do Chefe da Policia Federal &#8230;( tal assunto) está proibido&#8221;. Muitas vezes, as proibições também eram feitas via telefone e a pessoa que o recebia, como também quem recebia o papelucho, ficava responsável perante as autoridades policiais pelo cumprimento da &#8220;ordem proibitiva&#8221; independente do grau de responsabilidade hierárquica que tivesse dentro da redação. Quem recebia o comunicado tinha que avisar a todo mundo principalmente aos chefes imediatos, editores e redator chefe.<span style="mso-spacerun: yes"> </span> Exemplos destas proibições você pode localizar no livro &#8220;O Controle dos Meios de Comunicação&#8221;, de minha autoria, que está disponível no meu sítio pessoal (<a href="http://www.sergiomattos.com.br/">www.sergiomattos.com.br</a>).<span style="mso-spacerun: yes"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-ALIGN: justify"> </p>
<ol style="MARGIN-TOP: 0cm" type="1" start="5">
<li class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; COLOR: red; TEXT-ALIGN: justify; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 36.0pt"><b>Existia a presença do censor na redação onde o senhor trabalhava?</b></li>
</ol>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-ALIGN: justify"><b><span style="COLOR: navy">Sérgio Mattos</span></b> - Nem na <b>Tribuna da Bahia</b> nem em <b>A Tarde</b> tinha censura prévia, com censor instalado na redação, pelo menos no período em que trabalhei nestes nos dois jornais. Tenho conhecimento de censura prévia, com a presença de censor em <b>A Tarde</b> durante a ditadura de Getulio Vargas, mas esta é uma outra história. Durante o período em que trabalhei neste dois jornais, se houve presença de &#8220;censor/vigia&#8221; infiltrado para fazer denúncia contra jornalistas, eu não soube nem nunca ouvi falar nada a respeito. Mas, nos jornais e revistas do sul do país, submetidos à censura prévia, dentro das redações se podia encontrar mais de um censor.</p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-ALIGN: justify"> </p>
<ol style="MARGIN-TOP: 0cm" type="1" start="6">
<li class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; COLOR: red; TEXT-ALIGN: justify; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 36.0pt"><b>Como o jornal reagia às decisões dos censores? Como o jornal ocupava os espaços deixados em branco, após os cortes dos censores?</b></li>
</ol>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-ALIGN: justify"><b><span style="COLOR: navy">Sérgio Mattos</span></b>  Aqui não tivemos censura interna nas redações e como sabíamos antecipadamente quais os assuntos proibidos tratávamos de publicar outras matérias ou de tentar dizer para o público leitor o assunto proibido de outras formas.O caso mais sensacional que existe de preenchimento de espaços censurados ocorreu no <b>Estado de S. Paulo</b>, onde os textos censurados eram substituídos por poemas de Camões, por receitas de bolo ou instruções de como cultivar rosas. Esta história também você encontra com vários exemplos no livro &#8220;O Controle dos Meios de Comunicação&#8221;.<br style="mso-special-character: line-break" /><br />
<br style="mso-special-character: line-break" /></p>
<ol style="MARGIN-TOP: 0cm" type="1" start="7">
<li class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; COLOR: red; TEXT-ALIGN: justify; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 36.0pt"><b>Qual o comportamento dos colegas da imprensa?</b></li>
</ol>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-ALIGN: justify"><b><span style="COLOR: navy">Sérgio Mattos</span></b>  Todos os jornalistas sempre foram contra a censura e devemos continuar defendendo o direito de informação e de liberdade de expressão acima de tudo. Os jornalistas baianos reagiam à censura da mesma forma, com indignação, que outros colegas do norte ou do sul também reagiam. E não podia nem pode ser de outra forma. Durante os 21 anos do Golpe de 1964 vários jornalistas foram presos, espancados e impedidos de exercer a profissão.</p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-ALIGN: justify"> </p>
<ol style="MARGIN-TOP: 0cm" type="1" start="8">
<li class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; COLOR: red; TEXT-ALIGN: justify; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 36.0pt"><b>Qual a linha editorial dos jornais baianos da época? O senhor pode me citar o nome dos jornais que atuavam em Salvador na época?</b></li>
</ol>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-ALIGN: justify"><b><span style="COLOR: navy">Sérgio Mattos</span></b>  No período da revolução de 64 os jornais que circulavam em Salvador eram: <b>A Tarde</b>, <b>Tribuna da Bahia</b>, <b>Jornal da Bahia</b>, <b>Diário de Notícias</b>, <b>Estado da Bahia</b>, <b>A Semana</b> e o <b>Jornal IC</b>.<span style="mso-spacerun: yes"> </span> Todos os jornais tinham ou apresentavam uma linha editorial de jornal informativo e independente.</p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-ALIGN: justify"> </p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-ALIGN: justify"><b><span style="COLOR: red">9. Existe um arquivo das matérias censuradas no jornal em que o senhor<br />
<span style="mso-spacerun: yes">      </span> trabalhou?<br /></span><span style="COLOR: navy">Sérgio Mattos</span></b>  Paolo Marconi, um colega de turma da Faculdade e colega também na <b>Tribuna da Bahia</b> escreveu um livro, intitulado &#8220;Censura 1968-1978&#8243;, que virou um clássico. Ele colecionou vários papéis, ordens de censura. Não posso afirmar se ele ainda os conserva, mas atualmente ele é conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios, que fica no Centro Administrativo da Bahia, e talvez você possa<span style="mso-spacerun: yes"> </span> falar com ele e tirar esta dúvida ou quem sabe até ver e sentir com as próprias mãos, se ele ainda conservar os papeluchos da censura. Vale a pena tentar&#8230; Pelo que sei apenas de Paolo colecionou estes papeizinhos de censura. Desconheço que algum outro jornal ou profissional baiano tenha guardado estas proibições. Procure saber da ABI  Associação Baiana de Imprensa,<span style="mso-spacerun: yes"> </span> para ver se no museu da imprensa, que fica lá, existem alguns arquivados.</p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 18pt; TEXT-ALIGN: justify"> </p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 18pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: red">10.<span style="mso-spacerun: yes"> </span> <b>O senhor conhece algum censor, para eu entrevistar?</b></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-ALIGN: justify"><b><span style="COLOR: navy">Sérgio Mattos</span></b>  Não, Não conheço. Mas você pode procurar na Policia Federal e saber o nome de algum que tenha exercido esta função aqui na Bahia.</p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"> </p>
<ol style="MARGIN-TOP: 0cm" type="1" start="11">
<li class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; COLOR: red; TEXT-ALIGN: justify; mso-list: l1 level1 lfo2; tab-stops: list 36.0pt"><b>Na opinião do senhor, qual foi o período mais duro, dentro dos anos do governo militar? Qual o período em que a imprensa sofreu mais com a</b> <b>censura?</b></li>
</ol>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-ALIGN: justify"><b><span style="COLOR: navy">Sérgio Mattos</span></b>  O período do governo Médici, de 1969 a 1974. Este foi o período no qual o regime militar mais fez propaganda e usou os veículos de comunicação para manter o <i><u>status quo.</u></i> O governo Médici coincide também com o período no qual a censura se fez mais presente e atuante e a repressão foi uma das mais duras, com a prisão de vários intelectuais, professores, políticos e jornalistas. Foi o período da guerrilha urbana e quando a censura se fez exercer, não apenas com bilhetes e telefonemas, mas com ameaças, torturas e prisões.</p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; TEXT-ALIGN: justify"> </p>
<p class="MsoBodyText" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 21pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: red"><strong>12. Quero saber se, apesar dos jornalistas estarem contra a censura, existia o<br />
<span style="mso-spacerun: yes">      </span> medo de ser preso, se o clima na redação era tenso por causa disso?</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 21pt; TEXT-ALIGN: justify"><strong><span style="COLOR: navy">Sérgio Mattos</span> -</strong> O medo é uma característica individual, não dá para dizer se havia o medo de ser preso, ou não, em cada indivíduo que naquela época atuava como jornalista, salvo se cada um deles venha a revelar. É certo, porém, afirmar que muitos eram mais afoitos e outros mais covardes e, apenas nestes, os covardes sim, podíamos constatar o medo das conseqüências. Mas, observe por outro ângulo: se considerarmos que no pior período de censura (1978-1978) houve muita autocensura, tanto por parte dos veículos como por parte dos profissionais, poderíamos dizer que houve, de certa maneira, muito medo das conseqüências, pois quem não as teme ou temia, é ou era destemido e enfrentava a realidade como ocorreu com vários jornais, apreendidos, empastelados e perseguidos, além de sofrerem também cortes de possíveis anúncios oficiais ou de empresas dependentes do governo. Por parte dos jornalistas diria também que ocorreu o mesmo. Muitos se auto censuravam ou se omitiam cumprindo apenas as obrigações e tarefas mandadas a fazer pelos seus superiores, por medo das conseqüências que podiam se abater sobre eles mesmos e/ou sobre suas respectivas famílias. Não devemos, portanto, condenar estas atitudes de sobrevivência adotadas pelos seres humanos, pois, só quando nos encontramos em situações semelhantes é que temos a idéia exata da tensão sofrida por cada um. Na época,<span style="mso-spacerun: yes"> </span> tivemos também muitos que passaram a adotar uma atitude destemida e acabaram presos, torturados e desempregados. E teve aquele grupo que apesar de não se expor abertamente, atuava nos bastidores procurando e encontrando sempre brechas para denunciar os fatos que estavam sendo censurados e outros mais. E este trabalho de bastidor foi o exercido pela maioria dos jornalistas conscientes da realidade e do perigo que o regime representava para as liberdades individuais e em especial para a liberdade de imprensa. Na verdade existem vários heróis anônimos na história da imprensa brasileira e na história da imprensa da Bahia. A<span style="mso-spacerun: yes"> </span> história daqueles jornalistas que lutaram contra o regime sem aparecer, sem dar testa, quase como se estivessem fazendo uma guerrilha underground no sentido de prevenir a população de que o regime estava proibindo a divulgação de certas notícias; que<span style="mso-spacerun: yes"> </span> estava limitando as liberdades individuais e que representava uma grande ameaça para a liberdade de imprensa. Os veículos de comunicação eram muito visados e todos os jornalistas eram vigiados, pois representavam um perigo para o regime, até porque a imprensa sempre foi de vanguarda e os intelectuais da esquerda, principalmente, eram encontrados com facilidade nas redações dos jornais como profissionais ou colaboradores. Na época do regime quem trabalhava em jornal possuía uma pasta (dossiê) com seu nome na Polícia Federal, na 2ª Secção do Exército e outros órgãos de &#8220;inteligência&#8221; do poder constituído. Nestas pastas era colecionado tudo sobre cada profissional que estivesse no exercício do jornalismo. Tudo o que o jornalista escrevia ou o que diziam sobre ele, fossem fatos concretos ou apenas boatos, eram arquivados. E assim, os órgãos de informação do governo possuíam verdadeiros dossiês sobre cada jornalista em atividade.</p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"> </p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"> </p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"> </p>
</div>
<div></div>
]]></content:encoded>
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		<title>ÉTICA NA COMUNICAÇÃO</title>
		<link>http://smattos.blog.com/2005/05/18/etica-na-comunicacao/</link>
		<comments>http://smattos.blog.com/2005/05/18/etica-na-comunicacao/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 18 May 2005 09:03:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>smattos</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt">ÉTICA NA COMUNICAÇÃO<?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /?>
</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt">Sérgio Mattos</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt"><span style="mso-tab-count: 1">        </span> Durante toda a última década do século passado, a Ética esteve sempre na berlinda e foi tão debatida e exigida, em todas as situações, que aquela foi considerada como a Década da ética, principalmente pelos profissionais ligados, direta e indiretamente, aos meios de comunicação de massa. Durante aquela década se tentou, e ainda continuamos a tentar, passar o Brasil a limpo, visando construir um país melhor, sem tantas desigualdades e miséria.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt">Durante os últimos 12 anos, mais intensamente, principalmente os jornalistas, buscaram a todo custo desvendar a verdade, revelar e denunciar o lado obscuro, a corrupção política e a corrupção econômica. Durante este período, quando predominou o espírito do denuncismo, a imprensa cometeu alguns erros e exageros. Pecamos, podemos reconhecer, mas não nos omitimos.</span></p>
<p class="MsoBodyText" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt"><span style="mso-tab-count: 1">        </span> Hoje, estamos aqui reunidos, no I Fórum de Ética em Comunicação da Unibahia, buscando encontrar o caminho ético a ser percorrido. Particularmente, NÃO ACREDITO que deva existir uma ética própria para cada profissão. Ética é ética e vale para todos, apesar de termos particularidades para cada setor profissional, que adota códigos de ética e linhas de conduta para aqueles que exercem, por exemplo, o jornalismo, as Relações Públicas, a Publicidade, a Medicina, a odontologia e todas as demais profissões.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt"><span style="mso-tab-count: 1">        </span> Por isso, acredito que a integridade é a base fundamental da credibilidade de todo e qualquer profissional independente do campo de atuação. Acredito que todo e qualquer profissional deve defender sempre a regra fundamental da democracia e do respeito individual, conforme estabelecida pela Declaração Universal dos Direitos Humanos.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt"><span style="mso-tab-count: 1">        </span> Devemos, pois, como regra geral, ser honestos, justos, equilibrados e usar o bom senso nas nossas análises, estudos e nas pesquisas que venhamos a realizar visando a transmissão e interpretação de informações.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt"><span style="mso-tab-count: 1">        </span> Devemos, portanto, examinar nossos próprios valores, evitando impor os nossos valores nos outros. Devemos evitar estereótipos étnicos e sociais de raça, gênero, idade ou religião.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt"><span style="mso-tab-count: 1">        </span> Acima de tudo devemos ter em mente que um profissional ético trata suas fontes, seus clientes e colegas como seres humanos merecedores de respeito. Vamos, pois, exercer a nossa cidadania de maneira ética e profissional para que possamos, juntos, independente de profissão ou setor de atuação na sociedade, construir um Brasil melhor;</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt"> </span></p>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt">ÉTICA NA COMUNICAÇÃO<?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /?><br />
</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt">Sérgio Mattos</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt"><span style="mso-tab-count: 1">        </span> Durante toda a última década do século passado, a Ética esteve sempre na berlinda e foi tão debatida e exigida, em todas as situações, que aquela foi considerada como a Década da ética, principalmente pelos profissionais ligados, direta e indiretamente, aos meios de comunicação de massa. Durante aquela década se tentou, e ainda continuamos a tentar, passar o Brasil a limpo, visando construir um país melhor, sem tantas desigualdades e miséria.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt">Durante os últimos 12 anos, mais intensamente, principalmente os jornalistas, buscaram a todo custo desvendar a verdade, revelar e denunciar o lado obscuro, a corrupção política e a corrupção econômica. Durante este período, quando predominou o espírito do denuncismo, a imprensa cometeu alguns erros e exageros. Pecamos, podemos reconhecer, mas não nos omitimos.</span></p>
<p class="MsoBodyText" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt"><span style="mso-tab-count: 1">        </span> Hoje, estamos aqui reunidos, no I Fórum de Ética em Comunicação da Unibahia, buscando encontrar o caminho ético a ser percorrido. Particularmente, NÃO ACREDITO que deva existir uma ética própria para cada profissão. Ética é ética e vale para todos, apesar de termos particularidades para cada setor profissional, que adota códigos de ética e linhas de conduta para aqueles que exercem, por exemplo, o jornalismo, as Relações Públicas, a Publicidade, a Medicina, a odontologia e todas as demais profissões.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt"><span style="mso-tab-count: 1">        </span> Por isso, acredito que a integridade é a base fundamental da credibilidade de todo e qualquer profissional independente do campo de atuação. Acredito que todo e qualquer profissional deve defender sempre a regra fundamental da democracia e do respeito individual, conforme estabelecida pela Declaração Universal dos Direitos Humanos.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt"><span style="mso-tab-count: 1">        </span> Devemos, pois, como regra geral, ser honestos, justos, equilibrados e usar o bom senso nas nossas análises, estudos e nas pesquisas que venhamos a realizar visando a transmissão e interpretação de informações.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt"><span style="mso-tab-count: 1">        </span> Devemos, portanto, examinar nossos próprios valores, evitando impor os nossos valores nos outros. Devemos evitar estereótipos étnicos e sociais de raça, gênero, idade ou religião.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt"><span style="mso-tab-count: 1">        </span> Acima de tudo devemos ter em mente que um profissional ético trata suas fontes, seus clientes e colegas como seres humanos merecedores de respeito. Vamos, pois, exercer a nossa cidadania de maneira ética e profissional para que possamos, juntos, independente de profissão ou setor de atuação na sociedade, construir um Brasil melhor;</span></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><span style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt"> </span></p>
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